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sábado, 10 de novembro de 2018

DEIXEM! “MERDA”!


DEIXEM! “MERDA”!


Expliquem,
aos que sucedem,
a “merda” em que crescemos

Assim,

talvez,

eles recusem viver
na “merda”
que lhes temos andado
a
E  S  C  O  N  D  E  R

sábado, 27 de outubro de 2018

Os trinta-dinheiros...


Os trinta-dinheiros ...

Os trinta-dinheiros
Já ninguém os quer.
Trair, agora,
Há mais a dizer.

                        José Sousa Vieira

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Agora, nenhuma frase sabe ler...



Agora, nenhuma frase sabe ler…


Em alguns anos, a minha colaboração no O Anunciador das Feiras Novas incluiu textos de natureza poética, vários referindo as Feiras Novas e que aqui agora reunimos:


 - Em 1997 (O Anunciador das Feiras Novas, n.º XIV)

FEIRAS NOVAS

Tenho das Feiras Novas
a imagem duma cheia
roubada ao Lima,
em sonho estranho, fantástico,
onde os homens,
diluindo-se compactos,
se assemelham a imenso caudal,
estridente, multicolor, irreal,
engolindo a paisagem
em ininterrupto confluir
de correntes irregulares.

E eu sou integrado
nessa água virtual,
estonteante, ensurdecedora,
que faz esquecer,
como o Lethes da lenda,
e durante três dias
me deixa feliz,
com despreocupada e ingénua
alegria de petiz.


- Em 2000 (O Anunciador das Feiras Novas, n.º XVII)

FOGOS-VÁRIOS

das Feiras Novas
só sei
a noite,
em claro,
de verde e lume,
e as tintas,
matizes vários,
oiro, prata,
luz, sombra,
que no céu
se espreguiçam,
nos amedrontam,
encantam
e deixam tontos.

das Feiras Novas
só sei
som
cor
cheiro
sabor

e também
a palpação duns olhos
de terra,
nu
fogo-fátuo
amor.


- Em 2001 (O Anunciador das Feiras Novas, n.º XVIII)

Das Feiras Novas
já tudo foi dito.
Agora, nenhuma palavra
pode declamar
o que esta festa,
entre o Lima e a Madalena,
sussurra na consciência
dos que a querem possuir.

Já tudo está escrito.
Agora, nenhuma frase
sabe ler
o que esta festa
redige nas pedras
da ponte e da matriz
nem se a caneta de fogo
faz as estrelas sentir.

Já tudo é finito.
E nem mesmo o poeta
vê nos olhos das crianças
o deslumbramento,
o espanto,
com que esta terra,
mesclada na festa,
lhes atira
e ao invés de as assustar
as faz sorrir.


- Em 2003 (O Anunciador das Feiras Novas, n.º XX)

Feiras Novas, mulher mia,
Em Ponte de Lima, madre da poesia,
Irmã lídima da Senhora da Agonia
Rainhas, princesas das romarias,
Alvoroço em matizes e sabores,
Sidra, concertinas, amizades, amores…

Nossa festa, areal, glória e alma
Orgulho de ser soberano povo aqui,
Vivendo, em fremir e calma,
As noites, os dias em que te possuí
Sonhando, pois é sonho estar em ti.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

SUBLIMAR

Se não precisais de nada
contais comigo.
Eu estou aqui
Para vos fazer de tudo.

Até de burro!  

                        José Sousa Vieira

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Luís Dantas - Maio, mês da Poesia

   

 O primeiro poema publicado do Luís Dantas que conhecemos, “Maio, mês da Poesia”, está no n.º 2.142 do jornal Cardeal Saraiva, de 21 de Maio de 1965 e iniciou uma série significativa que o autor não reuniu em livro.
     Decorridos 50 anos o relembramos, chamando a atenção para os 18 anos de idade do criador:

           “Maio, mês da Poesia

Maio rescende num poema de luz e cor,
Num sorrir gracioso de tantas flores:
Cravos… Rosas… Glicínias… Lindos amores…
Num cântico límpido e doce de amor,
Num suceder de noites suaves e quietas,
Numa toada inebriante de música,
De perfumes a embriagar poetas
E a alagar almas que dulcifica!
Num som de bronze vindo da Matriz.
A chamar pelos fiéis à novena
Ao cair das tardes primaveris,
Num hino de saudade e pena!...

Saudade daquele enternecido dia
Coberto de fé, de sonhos e ilusão
Que na nossa idade o coração cria!...
E pena?...
Pena de não ser feliz como o era então!...


Maio 18 – 1965                       Luís de Sousa Dantas”


       

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

retrato...




retrato à memória do José Dantas

acabavas
- cata-vento de humores -
ora com a fúria e paixão,
ora com a paciência e mestria
do rio,
os troncos que nele recolhias.
eras a última camada
dum processo natural,
a erosão pura
na sua forma final.
e, artista sempre na ribalta,
quando os teus ventos
não puxavam
o que, por incompreensão,
baptizávamos de escultura,
pegavas na máquina,
deixavas no papel
a forma como nos vias
e na nossa memória
a pose que, quase sempre,
eras tu quem fazia,
mesclando, do lado inverso,
o teatro na fotografia.

                             (Fragmentos de Sombras)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

desENCONTROS


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Intrusões


sábado, 10 de agosto de 2013

terça-feira, 6 de agosto de 2013


sábado, 3 de agosto de 2013

Descor


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Textura


terça-feira, 30 de julho de 2013

Percurso


terça-feira, 16 de julho de 2013

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Abre a janela!


Abre a janela!
Deixa entrar
essa aragem
de verde e mar.

Respira dela!
E no ar
a coragem
a fermentar.

sábado, 1 de junho de 2013


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ocultos




(Talvez a pensar na Liberdade)

                                                     OCULTOS

                                       Não tenho as arcas de Pessoa,
                                       nem cheguei na de Noé.
                                       Estou aqui
                                       cheio de palavras inventadas
                                       (metáforas a nascer)
                                       e nenhum poema
                                       para lhes dar foz.
                                       Há tanta ausência em mim
                                       (baú por abrir)
                                       que nem sequer
                                       oiço a minha voz…

sábado, 2 de fevereiro de 2013

VIAGEM



Já nada sei
desta viagem…

deste ser veloz
que por tudo passa
e pouco vê

desta fórmula
que me transporta
e não me muda

deste falar telemático
que não me deixa conversar

…nada sei deste lugar.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Um só...


                                              um
                                             só
                                           é
                                muito
                      pouco,
                                                   s
                                                   e
                                                  m

                                                   o
                                                   s

                                                   o
                                                   u
                                                   t
                                                   r
                                                   o
                                                   s

                                                   é

                                                   m
                                                   e
                                                   s
                                                   m
                                                   o

                                                   n
                                                   a
                                                   d
                                                   a