Mostrar mensagens com a etiqueta Feiras Novas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Feiras Novas. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

AS FEIRAS NOVAS EM 1855 (HÁ 168 ANOS)

 


AS FEIRAS NOVAS EM 1855 (HÁ 168 ANOS)

 Apesar de Portugal também ter sido atingido pela epidemia de cólera, o que, por exemplo, provocou a proibição da realização das feiras de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, na data habitual, Ponte de Lima, fruto da diligência dos mesários da Irmandade de Nossa Senhora das Dores,” Srs. Silva, Rocha e Pereira Pinto”, junto ao Governador Civil do Distrito de Viana do Castelo, Visconde de São Paio dos Arcos, conseguiu autorização para a realização das feiras anuais de 19, 20 e 21 de Setembro.

  E, com dias quentes e noites frias, muita gente, “principalmente na noite do fogo” e pouco trabalho para o médico-cirurgião Monteiro (só “foi chamado para ver um homem, que tinha levado um coice”), uma feira do gado “ animadíssima” e uma de “bestas muito concorrida”, com a presença “dos costumados capelistas, quinquilheiros, ourives, etc.”, e, grande novidade nesta área, a montagem de “duas lojas de fato feito”.

“ O fogo do ar foi sofrível; porém o preso é forçoso confessar que apresentou vistas tão variadas e de tão bem combinadas cores que faz muita honra ao artista que o fez.“ Reparo só mereceu a hora tardia dos mesmos: “Rogamos aos incansáveis oficiais da irmandade… que para o ano tomem o chá mais cedo para nos aviarem mais depressa, pois sem dúvida o fogo deve principiar-se a lançar-se a hora mais honesta.”

 Nos festejos estiveram as Bandas do Regimento de Infantaria 3 de Viana do Castelo (“a qual tocou muito, e com muito gosto, como sempre costuma: porém no teatro [D. Fernando] foi ela excelente. Recordaremos sempre com saudade a noite de 21 de Setembro de 1855 pelos trechos das óperas do Atila e Trovador que com tanto mimo executou a referida banda”) e a dos Artistas limarenses, que também tocou no “circo equestre”.

Fontes:

Jornal A Razão, Valença, ano de 1855 (de onde se extraíram, com grafia modificada, todos os “ ”).  

Relatório da Epidemia de Cholera-Morbus em Portugal nos anos de 1855, e 1856, feito pelo Conselho de Saude Publica do Reino, Parte I, Lisboa, Imprensa Nacional, 1858 (segundo este relatório, no distrito de Viana, em 1855, só Viana do Castelo e Caminha foram atingidos tendo a doença provocado 138 mortos (77 em Viana e 61 em Caminha).

Crédito da Imagem:

Fotografia do Álbum de Antero Frederico Ferreira de Seabra da Mota e Silva, divulgada por João Gomes d’Abreu (Ontem-Hoje – Vista geral da Vila de Ponte de Lima em 1858, Arquivo de Ponte de Lima, 1986), que a data de 1858. Sem dúvida obtida em dia de feira, mostra-nos uma Ponte de Lima semelhante ao que seria em 1855 (talvez, com a mais visível diferença de a Torre dos Grilos, à entrada da ponte, do lado da vila, ainda não ter sido começada a demolir, o que, segundo Miguel Roque dos Reys Lemos, Anais Municipais de Ponte de Lima, aconteceu em 1857 e 1858.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

as feiras novas de Ponte de Lima


Pois é: as feiras novas de Ponte de Lima[1] estão, este ano, a um passo do seu termo.
      Assim estão cumpridas as centésimas nonagésimas primeiras Feiras Novas[2]. Na verdade, com mais ou menos actividades adstritas, com maior ou menor brilhantismo, associando pomposos ou discretos festejos, em diversas situações meteorológicas, nunca, que se saiba, se deixaram de efectuar.



[1] Ponte de Lima tem, também, habitualmente de quinze em quinze dias em segunda-feira, a feira mais antiga de que existe notícia no actual território de Portugal, pois já estava referida no Foral concedido a 4 de Março de 1125, por D. Teresa.
[2] Existe, por vezes, alguma confusão quanto às feiras (novas) e a festividade. De facto, as feiras, três dias, autorizadas pela Chancelaria de D. Pedro IV, por Provisão de 5 de Maio de 1826, e interpretando livremente extracto da referida provisão, foram solicitadas para se conservar o culto a Nossa Senhora das Dores*, cuja imagem, para promoção da piedade cristã, tinha sido colocada na Igreja Matriz da vila de Ponte e Lima e era festejada no mês de Setembro. Assim, antes das feiras (novas) já existiam, em Ponte de Lima e na sua Igreja Matriz, festejos a Nossa Senhora das Dores, cujo retábulo remonta a 1729.
*Outra confusão, muito presente, é considerar Nossa Senhora das Dores a padroeira da paróquia, quando, na realidade, é Santa Maria dos Anjos.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Agora, nenhuma frase sabe ler...



Agora, nenhuma frase sabe ler…


Em alguns anos, a minha colaboração no O Anunciador das Feiras Novas incluiu textos de natureza poética, vários referindo as Feiras Novas e que aqui agora reunimos:


 - Em 1997 (O Anunciador das Feiras Novas, n.º XIV)

FEIRAS NOVAS

Tenho das Feiras Novas
a imagem duma cheia
roubada ao Lima,
em sonho estranho, fantástico,
onde os homens,
diluindo-se compactos,
se assemelham a imenso caudal,
estridente, multicolor, irreal,
engolindo a paisagem
em ininterrupto confluir
de correntes irregulares.

E eu sou integrado
nessa água virtual,
estonteante, ensurdecedora,
que faz esquecer,
como o Lethes da lenda,
e durante três dias
me deixa feliz,
com despreocupada e ingénua
alegria de petiz.


- Em 2000 (O Anunciador das Feiras Novas, n.º XVII)

FOGOS-VÁRIOS

das Feiras Novas
só sei
a noite,
em claro,
de verde e lume,
e as tintas,
matizes vários,
oiro, prata,
luz, sombra,
que no céu
se espreguiçam,
nos amedrontam,
encantam
e deixam tontos.

das Feiras Novas
só sei
som
cor
cheiro
sabor

e também
a palpação duns olhos
de terra,
nu
fogo-fátuo
amor.


- Em 2001 (O Anunciador das Feiras Novas, n.º XVIII)

Das Feiras Novas
já tudo foi dito.
Agora, nenhuma palavra
pode declamar
o que esta festa,
entre o Lima e a Madalena,
sussurra na consciência
dos que a querem possuir.

Já tudo está escrito.
Agora, nenhuma frase
sabe ler
o que esta festa
redige nas pedras
da ponte e da matriz
nem se a caneta de fogo
faz as estrelas sentir.

Já tudo é finito.
E nem mesmo o poeta
vê nos olhos das crianças
o deslumbramento,
o espanto,
com que esta terra,
mesclada na festa,
lhes atira
e ao invés de as assustar
as faz sorrir.


- Em 2003 (O Anunciador das Feiras Novas, n.º XX)

Feiras Novas, mulher mia,
Em Ponte de Lima, madre da poesia,
Irmã lídima da Senhora da Agonia
Rainhas, princesas das romarias,
Alvoroço em matizes e sabores,
Sidra, concertinas, amizades, amores…

Nossa festa, areal, glória e alma
Orgulho de ser soberano povo aqui,
Vivendo, em fremir e calma,
As noites, os dias em que te possuí
Sonhando, pois é sonho estar em ti.


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O KIOSQUE DO VENTURA

O KIOSQUE DO VENTURA

José Sousa Vieira



      Plácido era o nome do morador que, por Portaria Régia[1], foi autorizado a efectuar obras na parte exterior da sua casa contígua à Ponte (de Ponte de Lima), do lado norte.
      Com placidez ou não decorreu a utilização desse local, a mando do conhecido comerciante Plácido Pereira de Araújo, que no ano da sua morte, 1902[2], tinha sido Presidente da Direcção dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima.
     Na posse de Boaventura José Alves, apesar da enorme e prolongada resistência às tentativas das autoridades e da principal imprensa local e às inclemências climáticas que tão mal tratada deixaram a sua vizinha, por exemplo, no dia 22 de Dezembro de 1909, lá se foi aguentando até 1913 e deixando tentáculos de ironia e memória por muito mais tempo.
     Porquê ficou conhecido como «Kiosque do Ventura» não sabemos. Tanto mais que, na realidade, para «Kiosque» no largo de Camões, tinha solicitado Boaventura José Alves a respectiva licença (Sessão da Câmara Municipal de 22 de Abril de 1905), a mesma lhe tinha sido concedida nesse ano, a 27 de Maio, e pelo período de dois anos, «conforme o desenho junto ao requerimento, e as mesmas medições, diâmetro e base rectangular, em frente da casa do requerente e a dentro do caixilho de cantaria, do mencionado largo de Camões…»[3], mas, primeiro porque o tempo de licença concedido não lhe parecia susceptível de justificar o investimento, depois, sendo o tempo aumentado para nove anos se condicionado a hasta pública, porque possivelmente não se quis sujeitar à mesma, o «Kiosque», o do Ventura, não passou de intenção, como confirma, em novo requerimento que lhe foi indeferido[4], o próprio Boaventura José Alves.
    O que sabemos, sem mais recuadas indagações, é que logo no seu segundo número, datado de 30 de Agosto de 1906, o jornal O Commercio do Lima (um novo, não aquele em que António Feijó tinha criado, em 1880, a sua história dos Carecas) reclamava: «urge que o principal Largo da nossa vila seja embelezado como merece, retirando-se daí esse casarão, verdadeira monstruosidade repelente.»
   Em número posterior[5] é na gazetilha, da responsabilidade de Risonho[6], com a ironia própria dessas criações, que volta o espaço. «…Eis logo à entrada a figura/Feita de lousa e caliça/Da soberta arquitectura/Do chalet-cavalariça/Do nosso amigo Ventura./(…)».
   Mais tarde[7], Risonho volta ao assunto, com o cepticismo que os temas provocavam. «… Quando a neve fôr escura,/E, quando o fogo cair/Em orvalho à terra impura;/Quando fizerem cair/O tal chalet do Ventura;// Posto que se vê que anima/O patriotismo a quem/Nos representa lá em cima,/Só então é que nos vem/A linha do Val’ do Lima.»
   Entretanto[8], já se tinha escrito que «ali à boca da ponte, junto ao largo de Camões, num dos locais mais formosos e no mais frequentado desta vila, levanta-se, pesado como a abóboda dum cárcere, negro como as intenções dum criminoso, repelente como um espectro, destoante como mancha escura em nevado arminho de pureza, um casarão indecente, um pardieiro infecto!». E prosseguindo outras afirmações com o mesmo dramatismo, continua: «Para quê?/ Para ficar aí um atestado eloquentíssimo de que o egoísmo no poder obceca os homens a ponto de sustentarem caprichos com que nada lucram e com que muito prejudicam. / Não vemos que outra razão assista a quem teima em conservar esse montículo de pedras denegridas e de tábuas sujas e mal pregadas, desfeando notavelmente este formoso local e cobrindo-nos de ridículo aos olhos de quem nos visita.» E, entre outras considerações, explica que «duas vezes se fez dotação para demolir o prédio em que vimos falando, mas ninguém se aproveitou do dinheiro e da ocasião. E porquê? Lá está o egoísmo no poder que cria loucos caprichos que se pretendem sustentar! …».
No mesmo jornal[9], percebemos que a dotação para a expropriação de «o Kiosque do Ventura» não surte efeito devido à «inconcebível - ainda politicamente considerada – protecção ao proprietário, ou arrelia ao nosso senhorio» (o tal prédio do Boaventura frenteava o edifício onde, então, se instalava a redacção do jornal e, também, a tipografia Confiança em que ele era impresso).
     No início do ano seguinte[10], é o Presidente da Comissão Administrativa da Câmara, António de Magalhães…, ao revelar a Portaria, até então esquecida, a criar novas expectativas aos defensores da demolição do edifício. De facto, diz-nos ele, que a licença para se efectuarem as obras obrigava o requerente «a seguir na execução das ditas obras as indicações que lhe fossem feitas pela direcção das Obras Públicas do distrito e a assinar termo em que ficasse claramente estatuído que, quando o Estado precisasse adquirir, para alargar a ponte ou para qualquer outro fim de utilidade pública o terreno do leito do rio que ia ocupar, não exigiria ele requerente indemnização alguma por esse terreno, sobre o qual não tinha direito algum de propriedade e apenas a posse que por aquele diploma lhe era permitida, e que não poderia igualmente receber indemnização superior à correspondente à parte da casa que seja necessária, avaliada esta pela quantia porque a comprara em praça com as despesas da mesma praça sem atenção alguma às benfeitorias que tivesse feito – ficando apenas com direito de dispor dos materiais provenientes da demolição. Declarando que o preço de arrematação a que se aludia foi de cento e sessenta e cinco mil e quinhentos réis, fazendo várias considerações e estranhando que a referida portaria não fosse encontrada mais cedo…. a presidência propôs, e a comissão aprovou, que se dirija a El-Rei uma representação pedindo a conclusão da rampa, que comunica a Rua do Rosário com o Largo de S. João, e a demolição da dita casa, que dela faz parte de harmonia com o texto daquela portaria, o que representava apreciável economia para o tesouro – sabendo-se ainda que para este melhoramento, que representava uma necessidade pública, de há anos reclamada, já o dinheiro estivera depositado, sendo depois distribuído para outras obras do distrito.»
    E «a representação seguiu para o seu destino em 21 do mesmo mês – extensa, clara, elucidativa, com os pontos nos ii, um primor no género, finalmente. / Mas de nada valeu recorrer para El-Rei[11] …».
   Continuaram as contestações e, em 1910, uma nova «representação…vai subir às instâncias competentes e que visa a demolir aquele sólido edifício do largo de Camões, mais resistente ainda do que a histórica Bastilha… No entanto a solicitude do ilustre deputado por este círculo, o nosso distinto conterrâneo e amigo Padre Araújo Lima, e o são critério do ilustre Ministro das Obras Públicas, devem ser, como se faz sentir na aludida representação, o penhor seguro do bom êxito que antevemos ao empreendimento iniciado… finalmente a iniciativa de alguém tomou voluntariamente sobre si a incumbência de solicitar as assinaturas necessárias à representação e, após esta afadigosa tarefa, tomou a liberdade de as fazer subir às instâncias superiores, confiado no patrocínio do ilustre deputado Sr. Araújo Lima e na rectidão do Sr. Moreira Júnior…»[12]
  Pois também esta «enérgica e bem fundamentada representação copiosamente assinada pelo clero, nobreza e povo, desta vila e redondezas…»[13] não surtiu os desejados efeitos.
   Mudou o regime e a contestação permaneceu. Os jornais Cardeal Saraiva e O Comércio do Lima iam traduzindo o pensamento dos que pugnavam pelo derrube. Por vezes, jogando um pingue-pongue de picardias, mostrando as suas diferenças.   
   O cardeal Saraiva não esquecia de ir referindo que o «Kiosque do Ventura» também dá por Café da Ponte. E nessa ocupação, se ela teve maior materialização do que a do tal kiosque autorizado em 1905, e a fotografia a ilustrar este texto deixa sugerir, e que o jornal Cardeal Saraiva foi repetindo em alguns números, pelo menos a partir do 64 de 14 de Agosto de 1912, deve ter aproveitado bem diversas Feiras Novas.
   E é ainda o jornal Cardeal Saraiva quem pede celeridade no processo, «a ver se nos poupavam a maçada e o gasto de fotografar tão horrendo espigueiro pela retaguarda. Porque pela frente, como se vê na nossa gravura, ainda parece coisa de jeito.»[14]
   Maçada e gasto a que o jornal não se conseguiu eximir. No seu número 85, de 22 de Janeiro de 1913, lá está ela impressa.
  Quiçá, um pouco mais de paciência tinha mesmo poupado ao jornal a maçada e o gasto referidos. É que a 24 de Fevereiro de 1913, o Dr. Manuel José de Oliveira levou o assunto até ao Senado, solicitou «…os necessários passos para a demolição de um imundo e desgracioso kiosque que numa das extremidades da ponte tanto desfeava o mais importante e o mais formoso largo de Ponte de Lima, dependendo isso exclusivamente das obras públicas do distrito, cuja morosidade bem ásperas censuras merece» e desfez as dúvidas levantadas pelo Sr. Ministro do Fomento, António Maria da Silva, quanto a hipotéticos direitos que impediriam ou, pelo menos, prejudicariam essa demolição.
    Ou não teria poupado nada, ainda assim só a 1 de Setembro, desse ano de 1913, «o celebérrimo Quiosque do Ventura, de infeliz memória, começou a ser demolido pelas mãos iconoclastas de quatro possantes operários.»[15]

  
  
  



[1] -de 27 de Outubro de 1874, assinada pelo Ministro das Obras Públicas António Cardoso Avelino, conforme referido na Acta da Câmara Municipal de Ponte de Lima, sessão de 11 de Janeiro de 1908.
[2] - Plácido Pereira de Araújo faleceu a 26 de Dezembro 1902.
[3] - Acta da Sessão da Câmara Municipal de Ponte de Lima, de 27 de Maio de 1905.
[4] - Acta da Sessão da Câmara Municipal de Ponte de Lima, de 10 de Julho de 1909.
[5] - O Commercio do Lima, n.º 5, Ponte de Lima, 19 de Setembro de 1906.
[6] - Feliciano Augusto da Cunha Guimarães (1885-1959), natural de Ponte de Lima, futuro médico e professor catedrático da universidade de Coimbra, entre outras importantes ocupações. Foi, ainda, um apreciável artista e escritor. Melhor e completa informação em Doutor Feliciano Guimarães, de João de Araújo Pimenta, Figuras Limianas, Coordenação de João Gomes d’Abreu, Município de Ponte de Lima, 2008.
[7] - O Commercio do Lima, n.º15, 29 de Novembro de 1906.
[8] - O Commercio do Lima, n.º 7, 04 de Outubro de 1906.
[9] - O Commercio do Lima, n.º 20, 03 de Janeiro de 1907.
[10] - Acta já referida na nota n.º 1.
[11] - Cardeal Saraiva, n.º 85, Ponte de Lima, 22 de Janeiro de 1913.
[12] - O Commercio do Lima, n.º 187, 09 de Abril de 1910.
[13] - O Commercio do Lima, n.º 189, 23 de Abril de 1910.
[14] - Cardeal Saraiva, n.º 77, 20 de Novembro de 1912.
[15] - Cardeal Saraiva, n.º 162, 03 de Setembro de 1914.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

EM FESTA

EM FESTA


José Sousa Vieira


      No início do ano de 1903 (jornal Vida Nova, Viana do Castelo, 1903.01.27), fruto de “grandes e importantes melhoramentos”, o Hotel Marcos, em Ponte de Lima, passou a Grande; a Grande Hotel Marcos.
      Conhecida ainda na primeira metade de 1904, da responsabilidade dessa designação, é editada uma colecção que incluiu 20 postais ilustrados, “com esplêndidos pontos de vista” (jornal A Aurora do Lima, Viana do Castelo, 1904.05.04) da vila e da qual reproduzimos aqui o n.º 5, a Avenida D. Luiz Filipe, em festa.


 De qual festa, e em que ano foi obtido o registo fotográfico, nada podemos asseverar, salvo o a que nos obriga o conhecimento de que o espaço, ainda em obras, ter sido inaugurado a 8 de Outubro de 1901. Seguro é a imagem não poder ser posterior à data de impressão e a festa, faltando melhor referência, permitir alguma variedade, mesmo na mesma estação. Por aquela avenida passavam distintos festejos.
   O mesmo não é possível, quanto a celebração, com o outro postal aqui copiado, incluído em uma nova série, também publicação do Grande Hotel Marcos, da mesma avenida e com idêntico enquadramento, de que temos notícia desde 06 de Junho de 1908 (jornal O Commercio do Lima, Ponte de Lima), e que refere expressamente as festas e feiras em Setembro (as “Feiras Novas”). Permanece a incerteza do ano. No entanto, atendendo ao desenvolvimento do arvoredo, parece fácil constatar a maior juventude do de mais recente impressão.





domingo, 8 de setembro de 2013

Feiras Novas, 1913


FEIRAS NOVAS EM 1913


José Sousa Vieira


   
Dando tradução a intensa campanha liderada pelos jornais O Comércio do Lima e Cardeal Saraiva, tendo como pretexto questões climatéricas, a 17 de Outubro de 1912 o Executivo Municipal de Ponte de Lima decidiu alterar a data das feiras (novas) para 9, 10 e 11 de Setembro, de cada ano, e o feriado municipal para 10 de Setembro.
    Coube ao ano de 1913 inaugurar esta nova data para as feiras novas. Tiveram lugar em terça, quarta e quinta-feira, abrindo, muito cedo, no dia 9, com “uma salva de 21 tiros e pelo enorme ruído dum grande grupo de Zés Preiras”. Nesse dia, às 7 horas principiaram, nos locais habituais, as feiras francas, “as mais concorridas do Minho e notáveis pela importância das suas transacções em gado bovino, suíno, lanígero e cavalar”.
    Uma hora depois dariam entrada nos coretos, da praça de Camões e praça da Matriz, duas bandas de música que também desfilaram, de seguida, por várias artérias da vila. Às 11 horas, atravessaram a ponte e, em Além-da-Ponte, receberam a grande excursão organizada pela Sociedade de Propaganda de Portugal que veio visitar Ponte de Lima. Durante toda a tarde, as bandas de música e os grupos de Zés Preiras foram animando os festejos. Às 21 horas, no largo de Camões, principiou o concerto, com as duas bandas, terminando, os festejos do dia, com “um monstro bouquet de foguetes”.
    No dia 10, feriado municipal, tivemos a feira das trocas, repetiram-se as manifestações festivas do dia anterior e “ao romper da manhã… três bandas de música em sítios diferentes” executaram a peça Alvorada, actuando, durante a restante manhã,  nos coretos já referidos e em um outro situado na Avenida 5 de Outubro.
    Pelas 16 horas, na Alameda de S. João, teve início uma grande exposição de gado bovino, devidamente enfeitado, e com atribuição de prémios aos melhores exemplares.
   No Largo de Camões, pelas 17 horas, foram sorteados dois objectos de prata que o comércio local oferecera para custear as festas. No mesmo local, pelas 21 horas, as três bandas participaram no “mais surpreendente festival nocturno”. Na margem direita do Lima o habitual panneau, desta vez, com oito mil lumes, “representando uma fortaleza Turca”. Com muitos “milhares de lumes” estavam iluminadas a avenida 5 de Outubro, a praça de Camões, o passeio Cândido dos Reis, a rua de S. José e o largo da Matriz. Às 23 horas principiou o fogo, de dois afamados fogueteiros.
   A quinta-feira, dia 11, ofereceu, a partir das 9 horas, a festividade religiosa que, com grande solenidade, na Igreja Matriz, incluiu sermão e missa solene a grande instrumental, em honra de Nossa Senhora das Dores, cuja imagem estava exposta e o templo devidamente engalanado. Nesse dia, e em comemoração das suas bodas de prata, decorreu a festa da nossa Associação de Bombeiros, com nova missa em honra da padroeira da associação, a Virgem das Dores, simulacro de incêndio, pelas 16 horas, e, às 19 horas, foi distribuído um bodo aos pobres. Culminando as comemorações, com início às 22 horas, o jardim da praça da República e a frontaria da sede dos Bombeiros iluminadas, decorreu uma sessão solene, constituída por juramento das praças e na qual falaram Teófilo Carneiro, João Manuel da Silva Braga e Eduardo de Castro e Sousa que foram muito aplaudidos.
 . Todo o dia, em diversos locais, actuou a Banda dos Artistas de Ponte de Lima.
    Para permitir o acesso às feiras, nos três dias, funcionaram quatro carreiras, de e para Viana do Castelo e Arcos de Valdevez..
    As festas decorreram sem grande brilhantismo. Tendo havido “quem depreciasse as da Agonia e afinal as nossas pouco mais adiantaram”. Escassearam bastante os recursos financeiros e ”sem asas não se pode voar”. Acresce que apesar do “tempo bonito” acorreu pouca gente, “não sabemos se pelo facto de serem mudadas as festas, se pelo programa ser pouco convidativo no que concerne a números de great attraction…”

Fontes:
Vieira, José Sousa, Feiras Novas – algumas datas e Comissões de Festas, in Feiras Novas 1826-2006, Vieira, Amândio de Sousa, Foto Lethes, Ponte de Lima, 2006
Jornais O Comércio do Lima e Cardeal Saraiva, diversos números.

Notas: Não foi possível confirmar se todas as actividades previstas se concretizaram.
          O autor da fotografia é, efectivamente, José Pereira Marinho e em ano anterior ao referido na legenda. Talvez 1909.

sábado, 31 de agosto de 2013

As Feiras Novas em Revista


AS FEIRAS NOVAS EM REVISTA

José Sousa Vieira





     Há três publicações anuais dedicadas às feiras que desde 1826 se realizam em Ponte de Lima associadas aos festejos a Nossa Senhora das Dores[1], todas de iniciativa estranha à organização das mesmas, a merecerem lugar na história da imprensa local.
     Em 1926, ano de comemoração dos 100 anos das Feiras Novas, mas na realidade correspondendo aos 101 da sua efectivação (importa relembrar, com ou sem festejos, não existe notícia de qualquer ano de não realização destas feiras), surgiu o O Arauto das Feiras Novas, iniciativa de Eduardo de Castro e Sousa. O último, que conhecemos, corresponde ao 13.º, foi editado em 1938, ano da inauguração, em Ponte de Lima, do monumento ao poeta António Feijó, a obter, na revista, o devido destaque:
    “E Ponte de Lima, a terra natal do Poeta e de outros vates ilustres, consagra-o, com saudade, no monumento de iniciativa da nossa Municipalidade, ali erigido na Praça da República, belo desenho do arquitecto Paulo Carvalho Cunha, apreciável obra de granito, executada sob a direcção de José Manuel Lopes e seus operários da terra do insigne poeta António Feijó, e aonde assenta um admirável busto de bronze, trabalho do Mestre Teixeira Lopes (…) ”.
     Em 1947, o recentemente regressado Augusto de Castro e Sousa, que em Lisboa vivera vários anos, segue o exemplo de seu pai, troca a palavra arauto, e dá à estampa o O Anunciador das Feiras Novas. Este primeiro anunciador, que o responsável em carta a Alberto do Vale Loureiro afirma lhe ter infligido “penosos sofrimentos”, teve vida curta. Termina no número 2, em 1948 e, curiosamente, disso já não se recordava Augusto de Castro e Sousa, em 1984, na epístola a Alberto do Vale Loureiro,  narrando ter saído “um único número”, esquecendo que, em 1948, tinha escrito no seu anunciador, por exemplo e referindo-se às Feiras Novas: «as tocatas – e são às centenas as que vêm à festa – ferem o espaço e oferecem aos nossos distintos hóspedes tudo quanto somos de simples e de bons.»
     E por ser simples e bom, genuíno, Alberto do Vale Loureiro, confessadamente um homem gostando “das coisas que falam, mexem, fazem progredir e elevar Ponte de Lima”, decidiu retomar o O Anunciador das Feiras Novas, gesto de estima pelo seu Mestre de Artes Gráficas, Augusto de Castro e Sousa, pois outro título, se a vaidade se sobrepusesse ao coração, não lhe estava interdito.
     (Re)surge desta forma, a partir de 1984, o O Anunciador das Feiras Novas, em II Série, afectiva, generosa, que, fruto dos tempos e da possibilidade dos homens, apresenta um cunho histórico e cultural predominante, aflorados nas modestas publicações anteriores, não obstante, como naturalmente acontece em edições do tipo, acolher diversificada colaboração, alguma da qual só as necessidades editoriais e, estamos convictos, a referida bondade do coordenador justifica.
    Sendo, desde o n.º 3, de 1986, propriedade da actual Associação Empresarial de Ponte de Lima, completa, neste ano de 2013, o 30.º aniversário. Pelo índice da revista, que meticulosamente José Carlos de Magalhães Loureiro organiza, é possível constatar que, com assiduidade diversa, já colaboraram em O Anunciador 85 autores, um deles, Adelino Tito de Morais, em todos os números.





[1] - Existe, por vezes, alguma confusão quanto às feiras (novas) e à festividade. De facto, as feiras, três dias, autorizadas pela Chancelaria de D. Pedro IV, por Provisão de 5 de Maio de 1826, e interpretando livremente extracto da referida provisão, foram solicitadas para se conservar o culto a Nossa Senhora das Dores, cuja imagem, para promoção da piedade cristã, tinha sido colocada na Igreja Matriz da vila de Ponte e Lima e era festejada no mês de Setembro. Assim, antes das feiras (novas) já existiam, em Ponte de Lima e na sua Igreja Matriz, festejos a Nossa Senhora das Dores, cujo retábulo remonta a 1729.

Fontes:
- Loureiro, Alberto do Vale, 25 anos, Em segunda série, O Anunciador das Feiras Novas, 2008.
- Loureiro, José Carlos de Magalhães Loureiro, Índice da Revista “O Anunciador das Feiras Novas” (1984-2013), O Anunciador das Feiras Novas, 2013.
- O Anunciador das Feiras Novas, Ano II – Setembro de 1948, N.º 2.
- O Arauto das Feiras Novas, Ano 13.º, 1938.
- Vieira, Amândio de Sousa, Feiras Novas, 1826-2006, Foto Lethes, Ponte de Lima, 2006.
- Vieira, José Sousa, As Feiras Novas em Revista, Limiana – Revista de Informação, Cultura e Turismo, Ano II, N.º 10, Dezembro de 2008.
 - Vieira, José Sousa, A Imprensa das Feiras Novas, O Anunciador das Feiras Novas, 2007.

sábado, 8 de setembro de 2012

FEIRAS NOVAS


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Nas Feiras Novas



Luís Dantas, figurando Martim Soares* , no primeiro cortejo histórico das Feiras Novas que, por iniciativa e direcção do Padre Manuel Dias, se realizou em 19 Setembro de 1971.

*Martim Soares, Trovador (séc. XII), considerado natural de Riba Lima. Explica-nos João Gomes d’Abreu, Coordenador da obra Figuras Limianas, em nota inserta na pág. 29, que “o antigo concelho de Santo Estêvão de Riba Lima, extinto com a Reorganização Administrativa de Mouzinho da Silveira, abrangia a freguesia de S. Miguel da Facha e parte das de S. Salvador de Vitorino das Donas e S. Mamede de Paradela (Seara), que todas integram hoje o concelho de Ponte de Lima”.

sábado, 12 de setembro de 2009

FEIRAS NOVAS


FEIRAS NOVAS – 1909
(António Feijó, uma visita infrutuosa)






Chegou, com a sua família, a Portugal no fim do ano de 1908. Por cá permaneceu até meados de Março de 1910 naquela que foi a sua última visita, em vida, ao país. António Feijó, poeta e diplomata, nascido em Ponte de Lima em 1859, não deixou de aproveitar para ver a sua terra natal e, em carta ao seu amigo Luís de Magalhães (Feijó, Rui, António Feijó, Cartas a Luís de Magalhães, Vol II. INCM, 2004), datada de 28 de Setembro de 1909, da Casa de Vilar, Lousada, manifesta a sua decepção pelas condições climatéricas o terem impedido de desfrutar, como desejava, essa ocasião.
Era dia de Feiras Novas que, na sua data fundadora, 19, 20 e 21 de Setembro, nesse ano, domingo, segunda e terça-feira, se realizavam envoltas em forte expectativa. É, pelo menos, o que nos obriga a inferir a consulta a diversos números do jornal local, O Commercio do Lima, “o jornal de maior formato do districto”, sob o comando de Pelágio dos Reys Lemos, seu derradeiro director. Mas o tempo, alheio à vontade humana, em constante birra chorosa com as feiras limarenses, não fossem elas dedicadas a Nossa Senhora das Dores!, transformou-as em enxurrada, também de lamentos.
Tinham ficado pelo projecto algumas intenções, como a de uma “magestosa procissão com o concurso de todas as irmandades do concelho”, e outras iniciativas agendadas viram-se impedidas: as iluminações, a cargo de António Pereira as da margem do rio e, cremos, iniciativa de uma comissão de moradores, as da rua de Souto, João de Souza Guerra, a gás acetileno, as do largo de Camões, José de Sousa Guerra as do passeio de D. Fernando, do “Casa Nova” as da rua de S. José e de António Linhares as do largo do dr. Magalhães até à rua João Rodrigues de Moraes, onde este residia e seu filho, o juiz da festa desse ano, Filinto Moraes; as duas touradas, para as quais o empresário Francisco Augusto Dantas encarregou Francisco José de Barros, da Ribeira, de realizar obras de reparação na praça de touros, e que contavam com a participação, entre outros, do cavaleiro Aires de Mendonça, do espada Chicorrito, do bandarilheiro Manuel dos Santos, de Braziliza Chaves, anunciada como “arrojada, Temerária”, do Morgado de Covas, em deferência para com os seus amigos, e de “14 touros de bela estampa e bastante corpulentos” que tinham chegado a Ponte de Lima no dia 17 de Setembro; os fogos de artifício dos barquenses Manuel José Vieira Cálom, Alberto Gomes da Costa & Filhos e João António de Sousa; no largo de Camões, o exercício de ataque a uma simulação de incêndio por “todo o corpo activo dos Bombeiros Voluntários, com o respectivo material”; o “atraente festival”, na noite do dia 21, também no Largo de Camões, “oferecido às damas de Ponte do Lima, abrilhantado pela banda regimental de infantaria 8, de Braga”.
Prevaleceram, como programado, as cerimónias religiosas, com “a exposição de alfaias, vasos sagrados, etc.”, na igreja Matriz, aberta ao meio-dia do dia 19, e, no mesmo templo, a “missa solene a grande instrumental e sermão pelo abalisado orador rev. Sr. Geraldo de Vasconcélos”, na manhã do dia 21. No dia 19, pela manhã, a feira de gado foi muito concorrida, mas a chegada da chuva, “que saiu-se á estacada com uma furia tremenda, por volta das 11 horas… continuamente até ao fim da tarde, pôs em debandada uma grande parte dos forasteiros que, desanimados, se retiraram para as suas terras”. Os mais resistentes ainda presenciaram, nessa noite, no Largo de Camões, a “Kermesse” e” um bocado de música”, pela Banda dos Artistas. Nos dois restantes dias das feiras, para além das já referidas cerimónias religiosas, só a música foi intervalando com a chuva, numa disputa desigual e de sonoridades distintas. Para além da Banda local, a dos Artistas, estavam contratadas as de Távora e Mazarefes.
Feijó terá estado em Ponte de Lima a 20 de Setembro, pois na sua carta refere que “não houve feira, nem fogo, nem iluminações”, e, embora no dia 19 estivesse prevista iluminação, no Largo de Camões, e fogo, era no dia seguinte, o principal dos festejos, que ambos os números tinham a sua máxima expressão. Valeu ao poeta e à sua esposa (os filhos desconhecemos se os acompanharam até Ponte de Lima) a solicitude amiga do Padre João Inácio de Araújo Lima que os recolheu em sua casa e lhes serviu “uma canja aguada mas reconfortante… esplêndida por sinal!”. Daí, à 1 da manhã, partiram para Viana de onde tinham saído às 11 da manhã, com paragem em Bertiandos, “onde foram “pedir de almoçar” e se demoraram até às 3 da tarde.
Esta situação poderá ter estado na origem da prosa do Conde d’Aurora, Um encontro memorável (ver, Vieira, Amândio de Sousa, Foto Lethes, 2003), muito embora diversas discrepâncias, culpa, talvez, da imaginação literária e da memória do autor que só produziu esse precioso texto 20 anos volvidos.
Certo é que o nosso vate não terá aproveitado o facto de logo no domingo seguinte, dia 26, se terem realizado todas as iluminações, que a organização caprichou em não deixar no olvido, o fogo, “confeccionado por dois haveis pirotecnicos”, e, durante o dia, terem actuado três bandas de música, “uma dellas a dos Artistas desta villa”. “À noite não faltou também o competente coro dos Zés Preiras que, atroando os ares com a sua zabumbada infernal, arrastava atraz de si, em alegre multidão, o povo das nossas aldeias”. Falharam, para se desagravar o programa, o Festival, devido à “banda regimental de infantaria 8 estar comprometida” para o Bom Jesus, e as touradas, por o gado ter “de estar em Espinho para uma ou duas corridas que lá tem de haver”.
E, possivelmente, também não terá visto as fotografias que José Pereira Marinho tirou às iluminações e, no dia seguinte, 27, estiverem expostas no estabelecimento de José Pereira Pinto.Uma dessas fotografias, a “do explendido panneau que se ostentava na margem direita do Lima e que pelo admirável conjunto de todos os seus lumes era dum efeito surpreendente, verdadeiramente maravilhoso”, representando “o palácio que o governo brazileiro ofereceu ao português na exposição ultimamente ali realisada”, está incluída no livro de Amândio de Sousa Vieira, Feiras Novas 1826-2006, por sortilégio ao lado de uma de António Feijó.


Na imagem - Aspecto do Pavilhão de Portugal, na Exposição do Rio de Janeiro de 1908, que terá servido de modelo ao "panneau" referido (ver pág. 43 do livro Feiras Novas 1826-2006, de Amândio de Sousa Vieira).


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O FERIADO MUNICIPAL DE PONTE DE LIMA

   

     O Feriado Municipal de Ponte de Lima, por decisão de 13 de Julho de 1911 da Comissão Administrativa da Câmara Municipal, foi fixado a 20 de Setembro, “de cada ano, por ser o de maior concorrência e luzimento das festas e feiras francas tradicionais de Nossa Senhora das Dores, realizadas nesta vila nos dias dezanove, vinte e vinte e um daquele mês”.
     A possibilidade dos Municípios estipularem, para o seu território, um dia anual de feriado, escolhido entre os que representassem as suas festas tradicionais e características, tinha sido decretada a 12 de Outubro de 1910 pelo Governo Provisório da novel República Portuguesa.
     A 17 de Outubro de 1912 a Câmara Municipal decidiu alterar as Feiras (Novas) para 9, 10 e 11 de Setembro, de cada ano, e, com coerência, o feriado para o dia 10 de Setembro.
     A 2 de Setembro de 1915 a Câmara repôs as Feiras (Novas) a 19, 20 e 21 de Setembro e o feriado a 20 de Setembro, permanecendo, até 1937*, as feiras nesses dias.
     Desde aí as Feiras (Novas) realizaram-se abrangendo o terceiro fim-de-semana de Setembro**, mantendo-se o feriado inalterado, deixando, na prática, de corresponder ao fim para o qual foi criado e, mesmo, desconfigurando-se do seu suporte legal.
     E assim, parece, vai continuar caso a proposta de 10 de Agosto de 2009 da Câmara Municipal seja amanhã aprovada*** pela Assembleia Municipal, órgão com a competência de fixar o dia feriado anual do município. Para o próximo ano ele passará para a terça-feira seguinte às Feiras Novas, detendo-se alheio ao que informa um dia com esta designação.

* Desde esse ano, só ocasionalmente é que o feriado servia o propósito original.
** Desde 2010 que se realizam coincidindo com o segundo fim-de-semana de Setembro.
*** - Com a aprovação, o feriado está agora fixado na terça-feira.

Nota: Está prevista a mudança do dia feriado, em 2025, para 4 de Março, dia em que Ponte de Lima festeja a atribuição do seu Foral, em 1125.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

HOJE -



EM MONÇÃO:
















EM PONTE DE LIMA:


sábado, 13 de setembro de 2008

FEIRAS NOVAS 2008 - 20, 21 e 22 de Setembro

É o centésimo octogésimo terceiro ano de realização das feiras novas (mesmo quando não associaram festejos permaneceram no calendário das produções de Ponte de Lima).
O programa, uma estúrdia de som, colorido e movimento, propaga a festa aos três dias antecedentes, em jeito de preparação para as feiras.
A vila, a necessitar quiçá de ver repensada, para esta data, a ocupação dos espaços destinados aos negócios, imerge ao peso do abarracamento, repleto de diversões, utilidades e bagatelas.
Tudo a postos; entre o descante: a função pode começar!

domingo, 25 de maio de 2008

PONTE DE LIMA - FERIADO DESENRAIZADO

Como é conhecido, os feriados municipais são filhos da República.
Ponte de Lima aproveitou rapidamente o decreto com força de lei, de 12 de Outubro de 1910, que concedia às câmaras poderes para fixar um dia de feriado por ano, escolhido entre os representativos das festas tradicionais e características do concelho. Em sessão de 13 de Julho de 1911, a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Ponte de Lima, «deliberou considerar feriado dentro da área do concelho, o dia 20 de Setembro, de cada ano, por ser o de maior concorrência e luzimento das festas e feiras francas tradicionais de Nossa Senhora das Dores, realizadas nesta vila nos dias dezanove, vinte e vinte e um daquele mês».
Em sessão de 17 de Outubro de 1912, que transfere as feiras (novas) para 9, 10 e 11 de Setembro, o feriado é alterado para o dia 10 de Setembro. Porém, a 2 de Setembro de 1915 é decidido repor as feiras (novas) a 19, 20 e 21 de Setembro, regressando o feriado ao seu dia inicial, 20 de Setembro.
Acontece que os dias das feiras deixaram de ser fixos, a partir de 1937, passando a coincidir com o terceiro fim-de-semana de Setembro, ora em sexta-feira, sábado e domingo, quer em sábado, domingo e segunda-feira, até 1953, incluindo, a partir do ano seguinte, sempre a segunda-feira, e, nas diversas situações, podendo ou não acrescer outros dias.
Esta alteração das feiras (novas) para o terceiro fim-de-semana do mês de Setembro de cada ano, sem que o feriado a tenha acompanhado (o que só se justificaria a ser possível a sua mobilidade, por exemplo, para a segunda-feira das feiras (novas)), retirou a sustentação teórica que justificou a fixação do dia de feriado municipal do concelho de Ponte de Lima. É actualmente um feriado desenraizado que, do ponto de vista meramente histórico, nada impede de ser alterado.

Nota: Ao Feriado Municipal já dedicamos texto anterior.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

quarta-feira, 12 de setembro de 2007



FEIRAS NOVAS 1867

Setembro, 19, 20 e 21 (quinta-feira, sexta-feira e sábado).

E “...nos estão quase a bater à porta as ruidosas Feiras Novas ou de Nossa Senhora das Dores. É por central um dos mercados mais concorridos da província e faz-se nos dias 19, 20 e 21 do corrente.
Mais uma ocasião para os Manueis respirarem do insano lavor do campo, e virem com as suas Marias saborear às margens do Lima o presunto, o paio ou os pastelinhos de bacalhau.
Levam por ventura estas alminhas do senhor melhor vida e mais divertida, que muitos, que tem contos de reis nestes e naqueles bancos sem ser nos de cozinha.
Pobretes mas alegretes. Não há festa, não há romaria nenhuma, onde os filhos de Ceres não apareçam, não com ancinho ou agarrados à esteva do arado, senão com suas banzas e rebecas, não esquecendo o clássico clarinete.
O espectador que n’estes dias procurar um ponto, que fique a cavaleiro da extensa planície d’área, em que as multidões se derramam, goza um riquíssimo panorama. (...)”
(cf., O Echo do Lima, n.º 111, 8 de Setembro de 1867)

“No dia de sexta-feira, que era o principal, (...) à noite ainda o povo enchia o areal e passeios contíguos por forma que difícil era romper por entre a multidão. O fogo de artifício, que foi excelente, terminou depois da meia noite.”
(cf. O Echo do Lima, n.º 115, 22 de Setembro de 1867)

terça-feira, 11 de setembro de 2007

FEIRAS NOVAS 1907

Setembro, 19, 20 e 21 (quinta-feira, sexta-feira e sábado).

Comissão: Júlio Pereira Pinto, Manuel Rodrigues de Amorim, Manuel de Barros Lima e Manuel José de Sousa Amorim.

As tradicionais festas, denominadas Feiras Novas, vão este ano, a solicitação da Irmandade de Nossa Senhora das Dores, através do seu secretário José Maria da Gama, poder contar com o donativo de trinta mil reis, provindo da Câmara e deliberado em sessão de 30 de Agosto.
A 15, do mesmo mês, as páginas do jornal O Commercio do Lima alertavam “os mesários da Virgem das Dores” para a necessidade de principiar os trabalhos das festas de Setembro, e sugeriam, caso os mesmos se não vissem com “forças para arcar com tão grandes trabalhos”, que a eles agregassem uma “comissão do comércio local – visto que é este quem mais lucra com esta festividade – e dêem imediatamente princípio a eles, porque o tempo escasseia, e é necessário darem-lhe a máxima publicidade, não só para o bom êxito da festa, mas também para chamar a esta vila grande concorrência de forasteiros.”
O mesmo jornal, no dia anterior à deliberação camarária, denominava a Comissão, já acima referida, dizendo que, a mesma, “merece a confiança de todos os ponte-limenses e já trabalha para que as festas de Setembro tenham um cunho de desusada imponência”.
Aguardemos pois, principalmente, com expectativa, a novidade anunciada, a marcha "aux flambeaux", iniciativa dos nossos bombeiros voluntários, prevista para a noite de quinta-feira.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

FEIRAS NOVAS 1917

Setembro, 19, 20 e 21 (quarta-feira, quinta-feira e sexta-feira).

Apesar da enorme carestia da vida, que não permitiu que a subscrição atingisse a importância indispensável, nos próximos dias 19, 20 e 21, os forasteiros em Ponte do Lima terão ensejo de, uma vez mais, apreciarem as soberbas iluminações a capricho, os magníficos arraiais minhotos, as imponentes feiras anuais, não esquecendo também os característicos “Zés P’reiras”, as alegres “rondas” populares, e tudo isso sob a animação das estrofes álacres e berrantes de três bandas de música regionais...

A Ponte do Lima, pois!

(cf. Cardeal Saraiva, n.º 304 de 13 de Setembro de 1917)

domingo, 9 de setembro de 2007

FEIRAS NOVAS 1927

Setembro, 19, 20 e 21 (segunda-feira, terça-feira e quarta-feira).

Estas festas a comissão, constituída pelos senhores Avelino Pereira Guimarães, Armando Fernandes de Oliveira, Francisco Loreto de Barros, José de Oliveira Pimenta e Júlio Pereira Pinto Júnior, tendo como juízes Gonçalo de Abreu Coutinho e esposa, está muito virada para o desporto. Para além de outras realizações, como a Procissão de Santa Teresinha, que pelo segundo ano consecutivo se fará, no programa a I Corrida da Rampa da Madalena (automobilismo), os desafios de “foot-ball”, Triunfo S.C. – Sporting C. de Braga e Lusitano F.C. – Sport Club Vianense, e um Torneio de tiro aos pombos que não se efectuará, pois não haverá uma única inscrição.
O Pai-Paulino há-de fazer publicar, a 29 de Setembro, a sua gazetilha. Vamos a ela para, desde já, ficarmos a saber como vão decorrer as Feiras Novas de 1927.

Foram-se as festas das Dores,
Todas cheias de atracção
Com um programa tão novo
Que arrancou a todo o povo
Parabéns à comissão!

Trabalhou com tanto amor,
A boa rapaziada
Que até o tempo ajudou
E p’ra chover esperou
Que a festa fosse passada!

Não faltou o vinho novo
Com a bela rojoada
P’ra animar o lavrador
Que louva, este ano, ao Senhor
Por ter colheita dobrada!

Felicito a comissão
E termino por dizer
Aos meus queridos leitores,
Que afinal com estas Dores...
Todos tiveram prazer!