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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

250 anos


A 26 de Janeiro de 1766, há 250 anos, nasceu, na vila de Ponte de Lima, o futuro Cardeal Saraiva, um dos maiores vultos do seu tempo e figura cimeira dos naturais da sua “pequena pátria”. Durante o ano de 1916, o jornal Cardeal Saraiva, fundado em Fevereiro de 1910 e titulado em sua homenagem, passou a ostentar no cabeçalho que “no dizer de Castilho, o Cardeal Saraiva foi o maior filósofo do século passado e um dos introdutores da liberdade em Portugal”. Durante o ano de 1939, o jornal foi obrigado, pela ditadura do Estado Novo, a retirar essa referência.

Na imagem:
   Cabeçalho do último jornal onde consta a referência e gravura de 1835, (guardada na Biblioteca Nacional), com a seguinte Nota:
“À esquerda, D. Maria II, com manto de arminho e apoiada numa peanha com a coroa e ceptro, símbolos do poder real, sobre a qual se encontra também o busto de D. Pedro IV, enquanto à direita o padre frei Francisco de S. Luís, futuro "Cardeal Saraiva" (1843), mas então Ministro do Reino (1834-35), aconselha a Rainha a respeitar a memória do pai (omnipresente na escultura), e bem assim a Carta Constitucional que este apoiara, simbolizada no documento enrolado que empunha.”.

Aqui, as Obras Completas do Cardeal Saraiva:


quarta-feira, 4 de março de 2009

DIA DE PONTE DE LIMA


O maior vulto da cultura ponte-limense, o Cardeal Saraiva, recebe hoje, tarde mas a tempo, um justo reconhecimento do Município. Figura de bronze em trono de granito, a sua pequena pátria acolhe-o com enlevo e gratidão.
Também um nome grande das letras nacionais, António Manuel Couto Viana, um vianense que a Ponte de Lima tem dedicado páginas de apaixonado encantamento, vê correspondido o seu afecto com a atribuição, pelo nosso Município, da sua Medalha que, sem desmerecimento dos outros contemplados, é justamente entregue, ainda, a um dos seus mais brilhantes filhos – o Dr. Amadeu Pimenta.
É justo realçar, igualmente cotejando este dia, o aparecimento de um bonito livro, edição do Município de Ponte de Lima, texto de Sandra Rodrigues e ilustração de Raquel Santos, Teresa e a Coroa do Tempo, que explorando um formato já conhecido, a enorme capacidade que os sonhos nos facultam de, torpedeando a lógica da nossa existência, viajar livremente no tempo, abre a porta da história local, de forma ligeira, aos mais novos.
Feliz iniciativa, a merecer continuidade e apuramento.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

(EX)CITAÇÃO

"Nunca vi uma memória mais cheia, nem um entendimento tão vazio"
(Frei Francisco de S. Luiz)
[cf. Marquez de Resende, Introdução, Obras Completas do Cardeal Saraiva (D. Francisco de S. Luiz), Tomo I,Lisboa, 1872]

quinta-feira, 8 de maio de 2008

CARDEAL SARAIVA

João Anastácio Rosa, caricaturado por Rafael Bordalo Pinheiro, foi um grande actor (e pai de outros dois, João e Augusto, que em nada deslustraram o seu progenitor). Mas, também, deixou rastro em outras artes, como se comprova pela gravura do Cardeal Saraiva, aqui reproduzida, e que tem a particularidade de ter sido dedicada a António Correia Caldeira que, como se sabe, foi o responsável pela publicação das "Obras Completas do Cardeal Saraiva".




quarta-feira, 7 de maio de 2008

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

WILLIAM WITHERING EM LISBOA - Cartas Inéditas ao Abade Correia da Serra


Não surpreende. Na senda de “Gota – o tormento de António Feijó (uma digressão médica pelo legado epistolar deste poeta)”, 2004, “Norton de Matos Versus Egas Moniz - Um Duelo Histórico”, 2005, o terceiro livro de João de Araújo Pimenta, “William Withering em Lisboa – Cartas inéditas ao Abade Correia da Serra”, confirma um investigador escrupuloso, que apresenta numa escrita atraente o fruto das suas pesquisas.
Neste ensaio, baseado em 5 cartas, de William Withering ao Abade Correia da Serra, que o autor adquiriu em 1994, João de Araújo Pimenta alarga a urdidura, encontra ligações aos ponte-limenses Manuel de Lima Bezerra, Conde da Barca e Cardeal Saraiva, leva-nos, quase em ambiente romanesco, à descoberta do contexto pessoal, social e histórico dos retratados.
É uma obra de interesse diversificado, onde sobressaem a formação profissional e os conhecimentos culturais múltiplos do escritor, sendo de inteira justeza as palavras autorizadas de Serafim Guimarães e Salvato Trigo sobre o autor com quem partilham e enriquecem as páginas desta recente edição.

domingo, 7 de janeiro de 2007

IMPRENSA PERIÓDICA - NOVOS TÍTULOS 1910-1926




Imprensa periódica surgida em Ponte de Lima, durante a 1.ª República.
A imprensa escrita surgiu em Ponte de Lima, ao que se sabe, em 1865, com o jornal O Lethes, e desse ano até Outubro de 1910 apareceram mais de 30 novos títulos, entre eles o Cardeal Saraiva, único sobrevivente, que se publica desde 15 de Fevereiro de 1910.
Durante a 1.ª República  nasceram, pelo menos, 9 novos títulos, que abaixo se enumeram e todos já extintos, e o “Estado Novo” quase passava sem deixar nova marca jornalística. No impasse surgido com o falecimento de Avelino Guimarães, então proprietário e director do jornal Cardeal Saraiva, com direcção de Alcides Pereira foi lançado o jornal O Lima, o 2.º desse título em Ponte de Lima, que se editou de 12 de Março de 1960 a 23 de Dezembro de 1961.
Após o 25 de Abril recordamos O Povo do Lima (1975); À Margem do Lima (1979); O Anunciador das Feiras Novas (a partir de 1984), que aqui figura pois, pela diversidade temática e qualidade de muita da colaboração, é mais do que um “anunciador de festividade”; límia – revista regional (1993-1997), de saudosa memória; jornal Alto-Minho (a partir de 1995), que apesar de surgido numa época difícil para a imprensa escrita, principalmente a local e regional, tem conseguido prosperar; Lima-Viva, surgido em 2004, que sendo, essencialmente, um quinzenário publicitário conseguiu, enquanto se publicou, incluir informação de interesse com destaque para a coluna de Alexandra Esteves; Novo Panorama (2010) que desde   2011 tem a sua sede em Ponte de Lima e demonstra atenção às temáticas limarenses.
Também não esquecemos outras publicações, de antes e após o 25 de Abril de 1974, de órgãos do poder local, paróquias, colectividades, escolas, etc., mas que, pelas suas características, nos dispensamos de pormenorizar.
Quanto ao Arquivo de Ponte de Lima, com volumes referentes aos anos de 1980 a 1993, primeiro dirigido por José Rosa de Araújo e depois por João Gomes de Abreu de Lima, com inegável interesse e cujo desaparecimento entristece, atendendo a que a sua edição, geralmente, não era coincidente com a data de capa (o que sabemos, com menor visibilidade, também aconteceu com outros títulos) sai do conceito de imprensa periódica.

Imprensa periódica – novos títulos (1910-1926)
1.º - (jornal) Armazéns de Lisboa, 1911, Direcção de José Alves de Sousa Júnior*.
2.º - (jornal) Notícias do Lima, semanário, direcção de Domingos Barbosa, aparecido em 1912, conforme noticiava o jornal O Commercio do Lima, n.º 279, de 17/2/1912.
3.º - (revista) Limiana, revista literária, com 12 números publicados entre Julho de 1912 e Outubro de 1917 com direcção de Severino de Faria e Júlio de Lemos.
4.º - (jornal) Democracia do Lima, com o 1.º número publicado em 9 de Janeiro de 1921, dirigido por Teófilo Carneiro, um nome de referência da cultura e política ponte-limense, e que subsistiu até ao n.º 69, de 21 de Maio de 1922. Cremos que a sua curta existência se deveu à eleição para deputado, pelo Partido  Republicano Português (Democrático), de Teófilo Carneiro que assoberbado com o trabalho parlamentar não quis, artificialmente, manter a publicação de que era o grande impulsionador.
5.º - (jornal) A Risota,, iniciativa “da alegre rapaziada pontelimense...um pequenino semanário humorístico...” (Cardeal Saraiva, n.º 452 de 3 de Fevereiro de 1921), com direcção de José Maria de Oliveira Pimenta.
6.º - (jornal) O Kodak, “novo quinzenário local ...muito bem redigido e com excelente aspecto gráfico”, refere o jornal Democracia do Lima, no seu n.º 33 de 28/8/1921, com direcção de João José Correia; Redacção e Administração de Manuel Ferreira e António Amorim.
7.º - (revista) A Junta Escolar, 1921, mensal, pedagógica, artística e de elucidação para os Secretários das Juntas Escolares e para todos os professsores do ensino primário geral. Ed. Caetano José de Oliveira
8.º - (jornal) Rio Lima, aparecido em 31 de Dezembro de 1922, com edição, propriedade e direcção de Eduardo de Castro e Sousa. Foi, de todas as publicações periódicas surgidas durante a 1.ª República (1910-1926), a que mais tempo resistiu.. Embora tivesse diversas interrupções, e alterações de periodicidade,.ainda se publicava em 1937.
9.º - (jornal) - O Independente, 1925, semanário republicano, Propriedade e redacção de Geraldo Dantas

Importa referir que nos Anais Municipais de Ponte de Lima é mencionado o aparecimento, em Julho de 1912, do jornal A Semana. No entanto, desconhecemos se assim terá sido e parece tratar-se de uma gralha que alterou o teor e a colocação da informação no texto. Possivelmente, Júlio de Lemos pretendia noticiar o reaparecimento do antigo semanário A Semana, substituindo o Echo do Lima, em 1910 (Cf. O Commercio do Lima, n.º 184 de 19 de Março de 1910).
Também, durante a 1.ª República, surgem o 5.º e 6.º volumes do Almanaque de Ponte de Lima, com direcção de António de Magalhães ( 5.º -1923) e Júlio de Lemos ( 6.º - 1924), sendo, na prática, uma nova revista pois já não ligada ao jornal O Commercio do Lima, como acontecia anteriormente.
*José Rosa de Araújo, na sua Limiana, n.º 66 de 19 de Setembro de 1986 (jornal Cardeal Saraiva n.º 3.176), refere,  “Armazéns de Lisboa”, como jornal trimestral com direcção de José Alves de Sousa e órgão do partido de modas e novidades. Terá sido publicado entre 1911 e 1912.
Não temos elementos que nos permitam, com rigor, ordenar os títulos listados (de 1 a 9), por data de aparecimento e, de alguns deles, a sua duração.

Fontes:
Lemos, Miguel Roque dos Reis – Anais Municipais de Ponte de Lima, 1938.
Veloso, Lúcia Mariano; Sousa, José M. Mota de (org.) Publicações Periódicas Portuguesas existentes na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (1911-1926), Coimbra, 1991.
Araújo, José Rosa de - Limiana, Ponte de Lima, 1993.
Imprensa local, diversos títulos.

[actualizado em 2012.10.08]

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

D. PEDRO IV E AS FEIRAS NOVAS - 1826

Suportado numa diversificada bibliografia, Amândio de Sousa Vieira acaba de publicar, em opúsculo de 31 páginas, “D. Pedro IV e as Feiras Novas – 1826”, onde compagina a história nacional e a dos primórdios dos três dias de feira anual, pedidos pelos moradores da vila de Ponte de Lima em 1825 e concedidos em 1826, para se conservar o culto a Nossa Senhora das Dores.
Estas feiras, autorizadas por (em nome de) D. Pedro IV, têm início numa conturbada época para o país, no ano da morte de D. João VI, da governação assegurado por um Conselho de Regência, presidido pela Infanta D. Isabel Maria, que reconhece a legitimidade ao trono de D. Pedro, o IV desse nome, e é , por este, reconduzido, da abdicação condicional, do mesmo monarca, em sua filha D. Maria da Glória (futura D. Maria II), da outorga e juramento da Carta Constitucional, das disputas, que já vinham do reinado de D. João VI, entre liberais, agora personificados em D. Pedro, e absolutistas, continuando, estes, a agrupar-se em nome de D. Miguel, curiosamente, os dois, ausentes do país por diferentes motivos e em distintas posições... etc., etc., etc.
É este período que, resumidamente, o autor retrata não esquecendo de relembrar duas figuras ponte-limenses notáveis: Cardeal Saraiva e Conde da Barca.