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sábado, 27 de outubro de 2018

Os trinta-dinheiros...


Os trinta-dinheiros ...

Os trinta-dinheiros
Já ninguém os quer.
Trair, agora,
Há mais a dizer.

                        José Sousa Vieira

sábado, 4 de setembro de 2010

AREAL DO LIMA

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Como se designam os naturais e habitantes de Ponte de Lima?

Em 1960, no seu “Arquivo histórico do Limianismo”, no jornal Cardeal Saraiva, de que foi fundador, António Ferreira atribuiu ao padre Cunha Brito, que em Ponte de Lima leccionou na Escola Municipal Secundária, a responsabilidade pela vulgarização do uso do substantivo ponte-limense (na altura, grafava-se pontelimense), para designar os naturais de Ponte de Lima. Acrescenta que, até então, princípios do século XX, era quase exclusivo o vocábulo limarense, posto em causa pelo Padre Cunha Brito, devido ao modo irregular da sua formação, propondo, em substituição, limiense (cujo uso não vingou) ou, o já referido, pontelimense.
Como sabemos, as versões actuais dos dicionários acolhem os vocábulos ponte-limense e limarense para designar os naturais e os habitantes de Ponte de Lima (cf., por exemplo, Figueiredo, Cândido, Grande Dicionário de Língua Portuguesa, 25.ª edição, Bertrand Editora, 1996, [actualização de Lino, Teresa, e Costa, Rute], ou Machado, José Pedro, [coordenação], Grande Dicionário da Língua Portuguesa, Círculo de Leitores, 1996), e eram já os considerados certos por Júlio de Lemos, em 1956, nas páginas do jornal Cardeal Saraiva, o primeiro por ser admitido por nomes como Cândido de Figueiredo e Óscar de Pratt, e o segundo por ter sido o adoptado pelo povo,“empregando-o igualmente as pessoas cultas e até os eruditos, como D. Santiago Garcia de Mendoza e o Prof. Miguel de Lemos”.
E concluía Júlio de Lemos: “não hesitemos, os de Ponte, em chamar-nos limarenses ou pontelimenses.”

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

ANTÓNIO FEIJÓ E A CRÍTICA.


ANTÓNIO FEIJÓ
CARTAS A LUÍS DE MAGALHÃES


Em 2004, com apresentação, transcrição e notas de Rui Feijó, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, com o apoio da Câmara Municipal de Ponte de Lima, editou, em 2 volumes, ANTÓNIO FEIJÓ CARTAS A LUÍS DE MAGALHÃES.
Um pouco ao acaso, e sem esgotar o tema, vamos transcrever alguns queixumes de Feijó, ao seu amigo, no que concerne à importância dada a livros e autores, por ele considerados menores, em detrimento de outros que, para Feijó, mereciam maior atenção. Assim, numa carta de 1880, comentando a publicação de Primeiros Versos, de Luís de Magalhães, entre outras afirmações, o poeta ponte-limense escreve que “para que o teu livro riscasse a minha sensibilidade de uma forma agradável, - era necessário que sobrepujasse em muito as vulgaridades que de tempos a tempos vão atascalhando os meus nervos com mixórdias poéticas e burundangas de cordel. (...)”. Sem deixar de apontar “defeitos”, Feijó afirma que o livro de Magalhães está “eminentemente superior aos artistas que lograrão o favor do noticiário lisbonense composto duma canzoada de imbecis(...)”.
Quatro anos volvidos, em 12 de Maio de 1884, Feijó pergunta “(...) quem acordará este miserável silêncio do noticiário, pronto sempre a louvar todos os ineptos, e mudo de inveja perante os que se impõem pelo talento? (...)”
Estes excertos, extraídos das cartas [5] e [35] do Vol. I, da obra referida, são uma pequena amostra, com plena actualidade, e inspiradores do modesto texto seguinte.
****


Há tão pouca coisa boa,
tanta má por boa escrita,
que quando o bem se apregoa
quase ninguém acredita.


António Aleixo


Não é novo mas, de quando em quando, assume contornos caricatos.
Já deixo de lado, óbvio, os que têm sempre um conjunto de adjectivos laudatórios prontos a repartir, alegremente, por tudo quanto aparece e se pode “folhear”.
Centro-me naqueles que, por diversos motivos, não se coibindo de fazer elogios envenenados a obras honestas, com o maior impudor propagandeiam, por iniciativa pessoal ou a incentivo alheio, tentando confundi-las com trabalho digno (e ele existe, felizmente, em todos os géneros de publicações, literárias ou não) as mais completas banalidades, por vezes, abaixo disso, para vergonha da língua pátria e da criação artística, onde valor e rigor estão ausentes e, em certos casos, a deturpação e a mentira campeiam, achincalhando a verdade, descartando a investigação.
Passam-nos, pobres ledores, um atestado de ignorância.
Jesus Cristo, que não “percebia nada de finanças, nem consta que tivesse biblioteca"*, lhes perdoe!

* - Segundo Fernando Pessoa, no poema Liberdade.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

Razões

O passado é o melhor mapa do presente. É necessário a sua consulta para podermos continuar viagem com alguma orientação.

sábado, 9 de dezembro de 2006

77 MARAVILHAS DE PORTUGAL - A NOSSA PONTE

















A exemplo da iniciativa mundial que em 07/07/2007, em Lisboa, vai anunciar a escolha das “7 Maravilhas do Mundo”, entre os monumentos previamente seleccionados e propostos à votação em que todos podemos participar, também o nosso país, em processo idêntico e na mesma data, irá revelar, de entre os 21 monumentos finalistas, quais são as “7 Maravilhas de Portugal”.
Já se sabe que Portugal não terá nenhuma das 7 maravilhas mundiais. É conhecido que o Alto Minho não figurará na lista das maravilhas do país. Certo que, como em qualquer processo de selecção prévia, os métodos utilizados são discutíveis, mas os efeitos, claro, previsíveis — principalmente a maior valorização económica das regiões com monumentos “maravilhosos”, atraindo o chamado turismo cultural.
Deixando de lado as “Maravilhas do Mundo”, os promotores da iniciativa para Portugal convidaram 7 peritos que dos 793 monumentos nacionais estavam encarregados de nomear 77. Posteriormente, o que a organização designou como “Conselho de Notáveis”, um conjunto de 77 personalidades reunindo gente respeitável e gente “colunável”, gente de poder e gente de saber, escolheu os finalistas que aguardam o veredicto popular.
Como já se escreveu, o Alto Minho não terá nenhum monumento “maravilhoso”. Apesar de entre os 77 nomeados estarem a Igreja de Bravães (Ponte da Barca), a Misericórdia de Viana do Castelo, o Palácio da Brejoeira (Monção) e a Ponte sobre o Lima (Ponte de Lima), não entendeu o “Conselho de Notáveis” ser nenhum deles merecedor de passar a finalista. Pelo menos ficamos a saber que, no critério dos peritos, a nossa velha ponte (que na realidade são duas) está entre os 77 mais apreciáveis monumentos nacionais.

(Fotografia de Amândio de Sousa Vieira)