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quarta-feira, 3 de maio de 2023

FIGURAS LIMIANAS DE RICARDO FERREIRA

 


FIGURAS LIMIANAS

DE RICARDO FERREIRA

 

As Figuras Limianas, de Ricardo Ferreira, são o seu espelho de recordação. Quando, em 2014, o Ricardo me informou que iria começar a revelar os seus trabalhos intuí (que é forma resumida de afirmar que já, de há muitos anos, conhecia o seu gosto artístico) a sua terra, recriada pelas suas mãos em labor de risco e cor, a ser favorecida. A sua presença nas redes sociais, as exposições realizadas, para surpresa de muitos, vieram confirmar a sua marca.

Agora, de forma mais persistente, pinta personalidades ligadas ao seu berço, em mescla de história e memória. Figuras de quem se habituou a ouvir falar, sobre quem foi lendo e aprendendo, mas, também, outras figuras notáveis com quem ainda conviveu. E é tudo isto, com a grandiosidade, generosidade e visão ampla que a distância permite, que o Ricardo Ferreira nos mostra.

                                                                                                                       
                                                                                                                                             José Sousa Vieira


sexta-feira, 19 de junho de 2020

FERNANDO PIMENTA - PRIMEIRO


FERNANDO PIMENTA – O PRIMEIRO ATLETA NATURAL DE PONTE DE LIMA EM JOGOS OLÍMPICOS



Seguindo uma ideia generalizada em Ponte de Lima, também eu, em diversos textos, referi que o primeiro atleta nascido no concelho de Ponte de Lima a marcar presença em jogos olímpicos foi Nuno Morais.
 No entanto, a consulta recente de cópia de documento obriga a informar que, a não existir enorme confusão e pelo menos oficialmente, João Nuno Manuel Braga Rodrigues de Morais nasceu, a 25 de Abril de 1923, na rua do Carvalhal, freguesia de São João de Souto da cidade de Braga.
Assim, Fernando Pimenta é o primeiro natural do concelho de Ponte de Lima com participação em Jogos Olímpicos.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Baptista-Bastos

«O Cavalo a Tinta-da-China»



   «Está a andar com todos os sentidos despertos para a noite. Na rotunda do Marquês hesita. Acende um cigarro, desce a Avenida da Liberdade. A meio, um pouco antes do Parque Mayer, senta-se num banco de madeira, mesmo ao lado de um candeeiro alto, tira o Diário de Lisboa do bolso do casaco, o gesto não obedece a nenhuma associação de ideias. Folheia, distraído, o jornal. Na página Teatros e Cinemas lê uma nota assinada N.L. sobre a estreia, no Apolo, da peça de Jardiel Poncela, Branco por Fora e Rosa por Dentro. Segundo N.L., a peça «é, assim, uma “humorada” teatral sem consistência e com evidente influência dos processos cinematográficos, o que não nos parece de aconselhar em teatro. O autor, que não pretende certamente transpor os umbrais da posteridade com este e outros trabalhos do mesmo género, conseguiu, no entanto, fazer o que queria: fazer rir.»[1]
    «N.L. comenta o trabalho dos actores: Ribeirinho, «jovial e dinâmico»; Madalena Sotto, «que só tinha a lucrar se não fizesse ausências tão prolongadas do palco»; Hortense Luz, «que continua a provar que é uma actriz segura»; Armando Machado, «sóbrio e correcto»; Joaquim Prata, «que desenhou com o seu bom humor habitual a caricatura dum médico inverosímil»; e Alberto Reis, «que fez bem o pouco que teve que fazer». A terminar: «Completam o elenco feminino, em silhuetas graciosas, Fernanda de Sousa, Branca Saldanha e Regina Escobar. Tarquínio Vieira e Morgado Maurício têm a seu cargo dois papelinhos secundários, que desempenharam correctamente.» [2]

Retrato de Baptista-Bastos da autoria de Luís Dantas, Lisboa, 1993.





[1] - Em Portugal a peça foi estreada a 5 de Janeiro de 1944 e permaneceu, em cena, até 31 do mesmo mês. A adaptação, na nossa língua, teve a responsabilidade de Alberto Barbosa e José Galhardo. Não terá acertado N.L. (Norberto Lopes), quanto ao perecimento da obra de Enrique Jardiel Poncela (Madrid 1901-1952). Personalidade controversa é, no entanto, um nome que sobreviveu, pelo valor inovador da sua obra, ao próprio infortúnio que os últimos anos de existência física lhe reservaram.
[2] - Fragmento do romance de Baptista-Bastos, Cavalo a Tinta-da-China, 1995.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

A RODRIGUES ALVES, NO TEJO CUMPRIMENTOS DO LIMA

HISTÓRIAS DO LIMA
A RODRIGUES ALVES, NO TEJO CUMPRIMENTOS DO LIMA

José Sousa Vieira


    
   A 22 de Maio de 1907 fez escala em Lisboa, em viagem para Inglaterra, o paquete Aragon, vindo do Rio de Janeiro e trazendo, entre os seus passageiros, Francisco de Paula Rodrigues Alves que, de 15 de Novembro de 1902 a 15 de Novembro de 1906, havia sido Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil.
    Na terra natal do seu pai, Domingos Rodrigues Alves, nascido no lugar do Silveiro, na freguesia da Correlhã, a 23 de Dezembro de 1818 e, então, ainda vivo e a residir no Brasil, para onde tinha partido em 1832, em Sessão Ordinária, a Câmara Municipal de Ponte de Lima, reunida a 18 de Maio e já conhecedora da jornada, havia decidido solicitar ao Padre João Inácio de Araújo Lima que a representasse na recepção que se estava a preparar, na Capital, ao ilustre homem de Estado.
   Do desempenho da sua tarefa deu conta o Padre Araújo Lima, em ofício datado de 23 de Maio, dirigido ao Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, Francisco d’Abreu Pereira Maia, referindo, como novidade, o «vivo desejo de visitar Ponte do Lima, no regresso da viagem a Inglaterra», do Dr. Rodrigues Alves.
   
   Pela imprensa da época, no caso através do jornal Aurora do Lima, entre outros pormenores, sabemos que o Padre Araújo Lima interrogou o Dr. Rodrigues Alves se lhe poderia enviar uma «colecção de bilhetes-postais da linda terra de seu pai», ao que o ex-presidente solicitou que lhos remetesse para Londres, e que «muito estimarei vê-los lá».
   Pois como prometido e divulgado, em Outubro do ano seguinte, 1908, durante alguns dias, o Dr. Rodrigues Alves visitou várias localidades no nosso país. A 29 de Outubro esteve em Ponte de Lima, onde permaneceu das 14 até pouco depois das 17 horas, e de onde dizem ter sido recebido com muito carinho.
    Não querendo deixar passar despercebida essa visita, na Sessão de 07 de Novembro desse ano, da Câmara Municipal de Ponte de Lima, presidida por José Maria d’Abreu de Lima, o vereador José Correia de Sá, «comemorando a gentileza do ilustre cidadão brasileiro e em homenagem ao seu nome prestigioso e merecimentos superiores, de que o concelho tem razão de se orgulhar, propunha que o actual Campo dos Touros passe a denominar-se Largo Doutor Rodrigues Alves». E, com o apoio dos restantes membros do executivo municipal, teve assim o Sr. Dr. Rodrigues Alves o seu nome na toponímia da vila limarense.


   Ilustrações: - Capa na Revista Brasil-Portugal, com desenho representando o Dr. Rodrigues Alves, com a particularidade de ser da autoria de um limarense: Alfredo Cândido.
                         - Uma das fotografias, de Benoliel, obtidas durante a curta estadia (cerca de 6 horas) em 22 de Maio de 1907

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

FADO REPUBLICANO




     
   No mesmo dia em que a administração da Câmara Municipal de Ponte de Lima passava, oficialmente, para as mãos dos republicanos, Reinaldo Varela (Ponte de Lima[ii], 1861 - Lisboa, 1940), criava o seu Fado Republicano.[iii]


    Reinaldo Varela, herdeiro de tradição familiar, possuía formação musical e distinguiu-se como compositor, guitarrista, cantor e professor, tendo elaborado vários compêndios, entre eles, os publicados com os títulos (grafia actualizada) de "Compêndio mais correcto e aumentado para aprender a tocar guitarra sem música e sem mestre", "Método prático e simples para aprender a tocar bandolim sem música", "Método fácil de viola-francesa para aprender sem música", "Breves explicações sobre o processo de tocar guitarra e bandolim, pelo sistema de algarismos".
     O seu nome ficará, para sempre, ligado à história do fado, quer como compositor (os seus fados ainda são interpretados, na actualidade), quer como cantor, sendo-lhe atribuída, desde 1904, a gravação de cerca de 150 discos.
     Este artista actuou em Ponte de Lima, em diversos locais, entre eles o Teatro Diogo Bernardes.


[i]- Desde 2006, por diversas vezes, nos referimos a esta personalidade (http://limianismo.blogspot.pt/search?q=reinaldo+varela).
[ii]- Na obra Figuras Limianas, Município de Ponte de Lima, 2008, existe texto da responsabilidade de José Aníbal Marinho Gomes, com biografia desta personalidade e onde a questão da sua naturalidade merece ponderação.
[iii]É agora possível verificar a existência de uma versão (desconhecemos se a original) com diferenças da modernamente gravada por diversos intérpretes, como, entre outros, Vitorino, e com a particularidade de ser executada por Reinaldo Varela.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

PONTE DE LIMA NOS JOGOS OLÍMPICOS (1912 – 2016)





   Portugal iniciou a sua participação nos Jogos Olímpicos em 1912, em Estocolmo, na Suécia, onde, então, era nosso diplomata António Feijó. A ele, nessa qualidade, coube receber e apoiar a delegação lusa. Infelizmente, a principal esperança portuguesa para os jogos, o maratonista Francisco Lázaro, veio lá a falecer e o limarense António Feijó acompanhou muito de perto esse drama.
      Em 1948, nos segundos jogos disputados em Londres, esteve presente o atleta natural de Ponte de Lima, onde nasceu a 25 de Abril de 1923, Nuno Morais. Disputou as provas de 100 e 200 metros, em atletismo. Era, na altura, o recordista nacional de 200 metros e, ainda, co-recordista de 100 metros. Tinha sido, em ambas as distâncias, Campeão de Portugal no ano anterior. Não passou das eliminatórias.(1)
       Em 2012, nos terceiros jogos olímpicos disputados em Londres, Ponte de Lima assistiu, com orgulho, à conquista da medalha de prata, em canoagem (K2- 1.000 metros), pelo seu natural Fernando Pimenta, nascido a 13 de Agosto de 1989 (em parceria com Emanuel Silva, outro atleta minhoto). Foi a primeira medalha conquistada para essa modalidade. Nestes jogos, a participação anunciada, para a mesma embarcação, na distância de 200 metros, não se realizou.
       Em 2016, nos jogos do Rio de Janeiro, Fernando Pimenta disputou as provas de K1 – 1000 metros, alcançando o 5.º lugar, o melhor resultado de sempre de Portugal, nesta embarcação, apesar de ter sido atingido por situação anómala que originou um protesto subscrito por metade dos países representados na final*. Fez ainda parte da tripulação, com Emanuel Silva, João Ribeiro e David Fernandes, que, em K4 – 1.000 metros, conseguiu a 6.ª posição, novamente a melhor prestação portuguesa de sempre.
       Fernando Pimenta alcançou assim, em todas as provas em que participou, até ao momento em Jogos Olímpicos, um lugar de destaque, obtendo, para além da medalha de prata de 2012, sempre diploma olímpico, sendo um dos raros atletas portugueses, com presença em mais de uma olimpíada, a conseguir esse feito e o único da sua modalidade.
       Acresce que Ponte de Lima viu ainda, nesta última olimpíada (a sua estreia nesta competição, creio), mais um dos seus, a justa participação do treinador de canoagem Hélio Lucas.

*“Portugal juntou-se, na noite de anteontem, aos protestos contra as folhas na água que travaram Fernando Pimenta (5.º), Rene Holten Poulsen (6.º), Max Hoff (7.º) e Peter Gelle (8º) na final de K1 1000 metros. “O protesto formal deveria ser imediatamente entregue após o final da prova, mas ninguém o fez, pois as manifestações de desagrado dos atletas só se perceberam depois”, reconheceu Vítor Félix, presidente da Federação Portuguesa de Canoagem. A Eslováquia, de Gelle, protestou cedo, mas Portugal, Dinamarca e Alemanha só entregaram as reclamações à noite. “Fica registado, mas a realidade é que nunca vimos uma final ser repetida, portanto mesmo um protesto mais cedo pouco resolveria”. Será, então, só para marcar posição. Final não será repetida.” (O Jogo, 18.08.2016)
        

http://limianismo.blogspot.pt/2012/08/ate-pareceu-simples.html

[1] Importa ter em atenção que Nuno Morais terá nascido em Braga, sendo o seu pai, Durval de Morais, natural de Ponte de Lima.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

250 anos


A 26 de Janeiro de 1766, há 250 anos, nasceu, na vila de Ponte de Lima, o futuro Cardeal Saraiva, um dos maiores vultos do seu tempo e figura cimeira dos naturais da sua “pequena pátria”. Durante o ano de 1916, o jornal Cardeal Saraiva, fundado em Fevereiro de 1910 e titulado em sua homenagem, passou a ostentar no cabeçalho que “no dizer de Castilho, o Cardeal Saraiva foi o maior filósofo do século passado e um dos introdutores da liberdade em Portugal”. Durante o ano de 1939, o jornal foi obrigado, pela ditadura do Estado Novo, a retirar essa referência.

Na imagem:
   Cabeçalho do último jornal onde consta a referência e gravura de 1835, (guardada na Biblioteca Nacional), com a seguinte Nota:
“À esquerda, D. Maria II, com manto de arminho e apoiada numa peanha com a coroa e ceptro, símbolos do poder real, sobre a qual se encontra também o busto de D. Pedro IV, enquanto à direita o padre frei Francisco de S. Luís, futuro "Cardeal Saraiva" (1843), mas então Ministro do Reino (1834-35), aconselha a Rainha a respeitar a memória do pai (omnipresente na escultura), e bem assim a Carta Constitucional que este apoiara, simbolizada no documento enrolado que empunha.”.

Aqui, as Obras Completas do Cardeal Saraiva:


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O DUDA

     Com vínculo à homenagem a José Manuel Dantas de Melo, organização da Comunidade Artística Limiana (CAL) e coordenação de Catarina Lima e Daniel Moreira, que será iniciada com a abertura de exposição de seus trabalhos, a decorrer na Torre da Cadeia Velha, em Ponte de Lima, a 4 de Setembro, pelas 18.30 horas, recordo um texto publicado em O Anunciador das Feiras Novas, 2005:


 Ainda José Dantas (neste blogue e a página da iniciativa)

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

JOSÉ DANTAS DE MELO – A arte como vida


JOSÉ DANTAS DE MELO – A arte como vida

José Sousa Vieira
   
    Nunca procurou facilidades. Na vida, que diversas circunstâncias pareceram estreitar, esteve sempre com estonteante inconformismo.
    Forte e destemido, com abundantes desafios nas suas incursões desportivas e lúdicas, foi, à sua maneira rebelde, um homem de afectos e causas, abominando uma organização social que o melhor que sabia repartir era a desigualdade.
    As expressões artísticas que exteriorizou, nos seus trabalhos em madeira e na fotografia, não são mais do que fragmentos da sua própria existência, toda ela uma obra de arte.
    Dizer que José Manuel Dantas de Melo, nascido em Ponte de Lima, permaneceu entre nós de 1 de Julho de 1948 a 13 de Fevereiro de 1975 serve para permitir a sua localização existencial e perceber o contexto civilizacional em que se pôde movimentar. Referir que entre nós tem continuado é redundância gasta mas necessária e atestável pelas conversas de muitos, que por ele passam, e os testemunhos escritos que outros foram deixando depois de ele, em defesa da coerência e do amor, ter decidido desistir.
   Esta mostra, de cuidada organização, é uma oportunidade para relembrar ou conhecer um artista. Aproveitemos.


[José Dantas neste blogue


terça-feira, 4 de agosto de 2015

“O ÚLTIMO CHAPÉU ALTO DE LISBOA”

“O ÚLTIMO CHAPÉU ALTO DE LISBOA”
José Sousa Vieira

   Nascido na sede do concelho de Ponte de Lima a 28 de Novembro de 1868, João Inácio de Araújo Lima cedo demonstrou apetência para a erudição, quiçá por ter sido aluno de Miguel Roque dos Reis Lemos (1831-1897) e amigo de, entre outros, António Feijó (1859-1917), Delfim Guimarães (1872-1933) e António de Pádua (1869-1914).
    Com Delfim Guimarães, e convocando João do Nascimento Reis da Costa, Feliciano Gonçalves Pereira, João de Melo Pereira e Sousa, Francisco Severo de Freitas, Júlio Pereira Pinto e António de Pádua para, consigo, constituírem a Comissão fundadora, criava na terra natal, em 1888, o Club Recreativo Diogo Bernardes[1].
  Significativo é o percurso deste homem que a morte acolheu a 25 de Outubro de 1941: padre desde 1891; professor iniciado em 1899; colaborador na imprensa; polemista; dicionarista[2]; impulsionador da transladação dos restos mortais do poeta António Feijó e sua esposa, de Estocolmo, Suécia, para Ponte de Lima, em 1927, e do monumento ao poeta inaugurado em 1938, também em Ponte de Lima[3]; benemérito, legando património imobiliário e a sua importante biblioteca aos padres da paróquia de Ponte de Lima; e tanto mais que o passar do tempo não tem, felizmente, deixado passar[4].
 E desse espólio de vida fiquemos com outros pormenores, que servem para melhor ilustrar, sem esgotar, o seu estar irreverente e interventivo, ao recordar que o seu nome já estava envolvido em acesas discussões, na Câmara dos Senhores Deputados, muito antes de lá ter acesso por direito eleitoral. O Padre João Inácio de Araújo Lima terá desencadeado um contencioso que agitou imprensa e poderes e atingiu o Hospício da Irmandade dos Clérigos Pobres, aberto no Convento de Santa Marta, em Lisboa.[5]
   Mais tarde, entre 1906 e 1910[6], foi deputado, mas o seu apelido ainda ecoa em Lisboa (onde ensinou muitas gerações, no Liceu do Carmo/Liceu Camões, até 1935) ligado a outras artes: a oratória e a gastronomia.
   Foi, muito tempo, uma das personalidades mais sonantes das tertúlias da Havaneza do Chiado e, dizem, o último chapéu alto da capital.[7]
  A gastronomia era, para ele, uma devoção. Parece que por Lisboa ainda consta em alguns cardápios, ou constou durante muito tempo, o seu bife: O Bife à Padre Araújo Lima.[8]





[1]   Marques, Galino (Org.), In Memoriam de Delfim Guimarães 1872-1933, João I. de Araújo Lima, “Amizade de 45 anos!", pp. 221/224, Guimarães & C.ª, Lisboa, 1934.
[2]    Em 1918 é publicado, corrigido, ampliado e actualizado por ele, professor do Liceu Camões, e A. Guterres d’Oliveira Santos, do Ensino Livre, o Grande Dicionário Contemporâneo Francês-Português, de Domingos de Azevedo. Já em Novembro de 1916 era anunciado no jornal Cardeal Saraiva, de Ponte de Lima, que se iria iniciar a publicação, em tomos, da 2.ª edição desta obra e que, nesta vila, a assinatura estava aberta na Livraria Guimarães à Praça de Camões.
[3]   Em 1939 edita, em Lisboa, como Secretário da «Comissão dos Amigos e Admiradores de António Feijó», “Homenagens a António Feijó (1927-1938)”.
[4]     As referências, em livros variados, revistas e jornais, são frequentes. Recordemos, como exemplo, os “Anais Municipais de Ponte de Lima”, 1.ª edição, 1938, e o Arquivo de Ponte de Lima, Vol. II, 1981.
[5]   Diário da Câmara dos Senhores Deputados, d/n.ºs, 1903.
[6]   Eleito nas eleições realizadas em 29 de Abril de 1906, 19 de Agosto de 1906 e nas de 5 de Abril de 1908. Nas eleições de 28 de Agosto de 1910 terá sido derrotado, mas, como é conhecido, esta Câmara não chegou a ser empossada. Dizia, em entrevista concedida em 1935 ao Diário de Lisboa, ter aprendido a ser progressista com o pai.
[7]    Conforme os números 4.665 e 4.670, de 12 e 16 de Novembro de 1935, do Diário de Lisboa. O chapéu alto era comum entre os parlamentares da Monarquia Constitucional, entre outros. O Padre Araújo Lima em afronta à República, e desprezo por aqueles que com a mudança mudaram de chapéu, continuou a usá-lo e isso o individualizou em Lisboa.
[8]   Entram o azeite, cenoura raspada, cebola, chalota do Gerês, aipo, salsa. O vinho branco e o vinagre, o tomilho e o louro, grãos-de-pimenta e cravo-da-índia também estão na receita. Os bifes do lombo, a manteiga, natas aciduladas com gotas de limão e o pão frito em manteiga completam os ingredientes. Não sei se algum ficou esquecido, ou se existem variantes neste pitéu. Por isso o restante, ordem, tempos de preparação e modo de servir, fica ao vosso cuidado.

Ilustrações:  - Recorte do jornal O Diário de Lisboa, n.º 4.670, de 16 de Novembro de 1935, com entrevista concedida pelo padre Araújo Lima, com fotografia onde ressaltam o seu porte físico e o seu famoso chapéu alto.
                   -  Fotografia, em retrato, existente no Museu dos Terceiros.

domingo, 14 de junho de 2015

Manuel Pimenta

MANUEL PIMENTA


O que surpreende na expressão do Manuel Pimenta é a capacidade de representação, assim como nos levasse a assistir a um filme, que nos prende de imediato e, de tão marcante, após o projector desligado, continua a chegar ao nosso cérebro. E tudo isto apenas com palavras… escritas.

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Imagem: Internet

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Luís Dantas - Maio, mês da Poesia

   

 O primeiro poema publicado do Luís Dantas que conhecemos, “Maio, mês da Poesia”, está no n.º 2.142 do jornal Cardeal Saraiva, de 21 de Maio de 1965 e iniciou uma série significativa que o autor não reuniu em livro.
     Decorridos 50 anos o relembramos, chamando a atenção para os 18 anos de idade do criador:

           “Maio, mês da Poesia

Maio rescende num poema de luz e cor,
Num sorrir gracioso de tantas flores:
Cravos… Rosas… Glicínias… Lindos amores…
Num cântico límpido e doce de amor,
Num suceder de noites suaves e quietas,
Numa toada inebriante de música,
De perfumes a embriagar poetas
E a alagar almas que dulcifica!
Num som de bronze vindo da Matriz.
A chamar pelos fiéis à novena
Ao cair das tardes primaveris,
Num hino de saudade e pena!...

Saudade daquele enternecido dia
Coberto de fé, de sonhos e ilusão
Que na nossa idade o coração cria!...
E pena?...
Pena de não ser feliz como o era então!...


Maio 18 – 1965                       Luís de Sousa Dantas”


       

sexta-feira, 1 de maio de 2015

O 1.º DE MAIO EM PONTE DE LIMA, 1915


O 1.º DE MAIO EM PONTE DE LIMA, 1915

PONTE DE LIMA - Há 100 anos, em 1915, o Grémio Operário local, então em formação, terá organizado festejos comemorativos do 1.º de Maio.
   Em 5 de Outubro, do mesmo ano, inaugurou a sua sede, na rua Formosa, e, após ultrapassar vários obstáculos legais, viu os seus Estatutos aprovados a 29 de Janeiro de 1916.
   Na sua constituição destacaram-se José Joaquim Pereira de Melo, Manoel António d’Araújo Pimenta, André António Pereira, Francisco António Pereira, Francisco Pires Trigo, Manoel José Fernandes, Manoel Rodrigues de Amorim, Rómulo Augusto Caldas de Amorim, Manoel Barbosa Pinto, Fernando Garcia, Manoel Bento Sousa, Manoel Pimenta, João Pereira Lamas, Júlio Pereira de Lemos, Manoel Alves Patrocínio, Polycarpo Gonçalves Saraiva, João Narciso Vieira, Bernardo de Souza e Castro, João Luiz de Melo, António José da Silva, Gaspar da Silva Barros, José da Silva Barros, Manoel de Sá Tinoco, Manoel Malheiro, Adolfo Morais, António José Fernandes, Ovídio de Barros, Isaac da Rocha Barros, António da Rocha Azevedo, Francisco Vieira, José da Silva Magalhães, Nicolau António da Cunha Lima, António de Carvalho, Justino da Silva Barros, João Fernandes Lima, Aurélio Viana, José Valente Fiúza, José Manoel Lopes, Jacinto Rodrigues Manso, Abílio de Barros Lima, Manoel Joaquim Ferreira, António de Mattos, Manoel Fernandes Laranjo, Boaventura António Rodrigues, Luís Moreira Magalhães.


Fontes: 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

AUGUSTO DE CASTRO E SOUSA (CENTENÁRIO A 30 DE ABRIL DE 2015)

AUGUSTO DE CASTRO E SOUSA (CENTENÁRIO A 30 DE ABRIL DE 2015)
   
     Fica, em imagem do n.º 18 da 3.ª Série do jornal Rio Lima, de 15 de Novembro de 1931, uma das primeiras colaborações de Augusto de Castro e Sousa na imprensa escrita.

   Pelo que ele nos revela, é fácil constatar a sua iniciação aos 16 anos, com assuntos de incidência desportiva, tanto abordando temas locais (o jogo de futebol entre o Ponte de Lima Sport Club e o Sport Club Vianense, disputado em 24 de Junho de 1931, no Campo do Cruzeiro, e que terminou com um empate a uma bola), como nacionais (o do trágico falecimento a 24 de Outubro, do mesmo ano, do operário e jogador de futebol, de Os Belenenses e da Selecção Nacional, José Manuel Soares, conhecido por Pepe, e que era já, aos 23 anos, um dos nossos mais populares atletas).


segunda-feira, 27 de abril de 2015

NO CENTENÁRIO DE AUGUSTO AMORIM DE CASTRO E SOUSA


NO CENTENÁRIO DE AUGUSTO DE CASTRO E SOUSA

     Foi em Braga, a 30 de Abril de 1915, que Augusto Amorim de Castro e Sousa nasceu. Seus pais, Eduardo de Castro e Sousa, bracarense e gráfico, e Laura Caldas de Amorim, ponte-limense e modista, habitualmente residentes em Ponte de Lima, estavam, então, a habitar naquela cidade.
     Em Ponte de Lima pronunciou as primeiras palavras, deu os passos iniciais e alinhou os estreados caracteres. Na escola teve como um dos seus professores Caetano de Oliveira, que recordou, em texto de 1959, como “o mestre amado, que mesmo depois de cego, ainda conseguiu levar a exame centenas de alunos com as mais altas classificações” e “ensinava não só a ler, escrever e contar, como a raciocinar”.
     Orientado pelo progenitor, proprietário de uma pequena oficina tipográfica e editor e director do jornal “Rio Lima”, começou a aprendizagem profissional e revelou os dotes jornalísticos. A sua inaugural colaboração na imprensa, no ano de 1931, está inserta nesse periódico, com o pseudónimo “Esparza”, e relata o jogo de futebol entre o Sport Clube Vianense e o Ponte de Lima Sport Club, realizado no dia de S. João.
   Em meados dos anos 30 rumou a Lisboa, onde aprofundou os conhecimentos, nomeadamente ao serviço da Tipografia Pinheiro & Dias, e reforçou o interesse pelas questões políticas, propiciadas pela sua formação no seio de uma classe progressiva, que tinha como uma das principais referências Alexandre Vieira, com quem desenvolveu constantes contactos e laços de amizade. 
     Regressou a Ponte de Lima, em 1947, e, a partir dessa data, aqui e daqui manteve intensa actividade, como gráfico e publicista com acentuadas preocupações sociais e culturais e participação directa em associações, de diversa natureza, integrando os corpos sociais de muitas delas. O seu nome está, por exemplo, ligado à institucionalização da banda de música de Ponte de Lima (Grupo de Cultura Musical), em 1951, e, como mestre, à Escola Tipográfica da Oficina de S. José.
    Utiliza, pelo menos, os nomes de “Augusto de Castro e Sousa”, “Augusto de Sousa”, “A. Castro e Sousa”, o acrónimo “A.C.S”. e os pseudónimos “Esparza”, “Repórter Visão”, “C.”, “A.C.” e “Cícero”, nas notícias para, entre outros, o “Cardeal Saraiva”, “Gazeta do Sul”, “O Jornal de Felgueiras”, “Cícero”,  “Os Ridículos”, “A Bola”, “Notícias da Amadora”, “A Aurora do Lima”, “República” e “Diário de Notícias” e com indignação viu por diversas vezes a censura retalhar os seus textos.
     Depois de em 1947 e 1948 ter publicado o “Anunciador das Feiras Novas”, coordena o “Elucidário Regionalista de Ponte de Lima” que, com António Soares Correia, edita em 1950. Em 1960 lança o seu livro, “Nas Horas Livres da Minha Profissão”, reunindo inéditos a textos já anteriormente incluídos em diversos jornais, alguns dos quais reformula.
     De 1948 para 1949 empenhou-se na Campanha do General Norton de Matos à Presidência da República e, após vinte e seis anos de corajosa resistência e persistente inconformismo, assistiu, com profunda emoção, à implantação da democracia, intervindo, de forma activa, na sua consolidação.
      Augusto de Castro e Sousa, como muito bem o retratou Luís Dantas, “esteve sempre aberto à universalização, mas herdou o génio romântico no ardor das suas ideias, na aventura da palavra escrita, no apego à música, na exaltação dos sentidos, no viver emotivo e apaixonado...”. E foi com todos estes traços da sua personalidade impoluta que nos deixou, a 17 de Janeiro de 1985, legando-nos as obras e, principalmente, o exemplo.
     Pode ser que um dia destes nos surpreenda e deixe conhecer o antedito livro, para o qual tinha reservado o título sugestivo de “Tartufos, Fouchés & Similares”. 


 (Versões do texto publicados em Figuras Limianas, Município de Ponte de Lima, 2008 e Jornal Alto Minho, n.º 831, 21.01.2010)

domingo, 5 de abril de 2015

PONTE DE LIMA - A SEMANA SANTA EM 1915


        Ponte de Lima – A Semana Santa em 1915 (28 de Março a 4 de Abril)

     Rezam as crónicas que decorreram sem nada de anormal as cerimónias da Semana Santa.
     Houve bênção dos Ramos, na Matriz, no domingo. Na terça-feira, o Sagrado Viático visitou os enfermos da vila. Na quinta-feira, a missa solene, a desnudação dos altares e o lausperene na Matriz, Misericórdia e Capela de S. Bartolomeu[i], matinas e laudes na Matriz e sermão da Instituição da Eucaristia, procissão do Senhor «Ecce Homo» com visita aos templos onde estava exposto o Santíssimo Sacramento.
     Na sexta-feira, depois das cerimónias da Paixão, saiu a procissão do enterro, seguida de sermão. No mesmo dia, matinas, laudes e sermão da Soledade.
     No sábado realizou-se a cerimónia da Aleluia.
     No domingo saiu da Matriz a procissão da Ressureição e, ao recolher da mesma, missa solene, na Matriz e na Misericórdia.
Os sermões foram proferidos pelo distinto orador sacro Padre António Luís Fernandes[ii] e agradaram muito.


[i] - Pode não ter acontecido «nada de anormal», como consta em fonte consultada, mas estamos muito perplexos com a referência a esta Capela (!?).  
[ii] - Nascido em Guimarães, a 31 de Janeiro de 1872, veio para Ponte de Lima de tenra idade e cá ficou. De 1892 a 1894 frequentou o seminário conciliar de Braga. Regressado a Ponte de Lima, começou, logo no ano seguinte, a distinguir-se como orador sacro. Foi pároco de Cepões, professor no Instituto Escolar Limarense, também na Escola Municipal Secundária de Ponte de Lima, presidente da direcção dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima, entre 1905 e 1908, director dos dois primeiros almanaques de Ponte de Lima (1907 e 1908), colaborador de diversos jornais, entre eles, de Ponte de Lima, o Eco do Lima e o Lima, e redactor de O Comércio do Lima. Durante a Monarquia do Norte, em 1919, ocupou o cargo de Vereador da Câmara Municipal de Ponte de Lima, com o pelouro dos Impostos, sendo, também, director do Celeiro Municipal. Com a queda da efémera Monarquia do Norte partiu para o Brasil. Aquando do regresso foi pároco de Gondufe, onde se manifestaria a doença que o vitimou. Faleceu, na vila de Ponte de Lima, a 3 de Maio de 1925. Pelo menos deixou, editados em opúsculos, os elogios fúnebres que proferiu nas exéquias de Hintze Ribeiro e Pio X.

Fontes principais: jornais Cardeal Saraiva e O Comércio do Lima, vários números.

NOTA: Em conversa com José Velho Dantas, fui-me referido que a Capela da Casa da Freiria, Arcozelo,  é dedicada a S. Bartolomeu. Será a mencionada no texto?


sexta-feira, 3 de abril de 2015

UM JUDAS EM PONTE DE LIMA


UM JUDAS EM PONTE DE LIMA (1908)

A surpresa estava prometida e anunciada para o Largo de Camões, pelo menos desde o dia 11 do mês de Abril, desse ano de 1908. Depois, com mais pormenores, soube-se que seria “um cavaleiro andante montado num soberbo ginete branco” e, por companhia, “um toiro que, por sinal, tinha um pescoço de doninha”.
Era para ser um Judas, representando não sei o quê ou quem, reservado para o sábado de Aleluia desse ano, o dia 18 de Abril, obra do António Plácido, e “para divertimentos desta natureza não há como o António Plácido!”, mas, “apesar da sua sentença andar apregoada pelo «pretinho» das cautelas desde quarta-feira”, as autoridades, “á última hora, não deixaram queimar”.

Fonte: O Comércio do Lima, diversos números.
Ilustração: visão parcial do Largo de Camões, nos primeiros anos do séc. XX.

sábado, 21 de março de 2015

O Sr. Joaquim Pintassilgo, de Ponte de Lima

O Sr. Joaquim Pintassilgo*, de Ponte de Lima

     Terá nascido na Alemanha (Der doppelte Moritz, de Impekoven y Mathern), foi adaptado em Espanha (Dispensa, Perico, por Ángel Custodio y Luis Fernandez Rica) e, de lá, passou a Portugal, como Desculpa ó Caetano, exibindo-se a partir de 10 de Setembro de 1932.
     Desconhecemos como, ausente do original e da versão espanhola, o Sr. Joaquim Pintassilgo, de Ponte de Lima, voou até à peça (a adaptação, feita por Carlos do Vale, que cobria uma trindade composta por Alberto Barbosa, José Galhardo e Vasco Santana, foi apresentada como libérrima**). Certo é que encheu o Teatro Variedades, no Parque Mayer, de espectadores e fortes risos, e deu, ao quotidiano alfacinha, pelo menos, novos chavões. O Sr. Joaquim Pintassilgo terá gostado daquela incursão à grande cidade, de tal forma que à despedida, nos primeiros dias de Janeiro de 1933, dizem, resolveu presentear os espectadores com castanhas e água-pé, oriundas das suas propriedades de Ponte de Lima, e durante a celebração do seu casamento. 
     Tudo teatro (nessa primeira apresentação da peça, em Portugal, o hipotético nosso conterrâneo era uma criação de Vasco Santana).

*- Em muita da informação consultada, aparece grafado Pintasilgo e Ponte do Lima..
** - Não se deve ter livrado de passar pela Censura, como todas as peças teatrais da época.
Fontes: Imprensa da época.


quinta-feira, 19 de março de 2015

ELOGIOS / ELEGIAS

   

A precisão, na palavra; a coerência, na frase; a plenitude, no texto. Elogios/Elegias, o recente livro de Cláudio Lima é:

mais do que a prosa difusa deste lugar, a vida estilhaçada no tempo a passar, a filosofia a transcender o estar.
maior do que o sentido, e do sentimento, de que, quando vamos, cá nos deixamos ficar.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

retrato...




retrato à memória do José Dantas

acabavas
- cata-vento de humores -
ora com a fúria e paixão,
ora com a paciência e mestria
do rio,
os troncos que nele recolhias.
eras a última camada
dum processo natural,
a erosão pura
na sua forma final.
e, artista sempre na ribalta,
quando os teus ventos
não puxavam
o que, por incompreensão,
baptizávamos de escultura,
pegavas na máquina,
deixavas no papel
a forma como nos vias
e na nossa memória
a pose que, quase sempre,
eras tu quem fazia,
mesclando, do lado inverso,
o teatro na fotografia.

                             (Fragmentos de Sombras)