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terça-feira, 13 de setembro de 2022

Breve contributo para a história do jornal Cardeal Saraiva


Breve contributo para a história do jornal Cardeal Saraiva

 

José Sousa Vieira

 

 A 22 de Janeiro de 1910, o jornal O Commercio do Lima[1], de que era então director-gerente Pelágio dos Reys Lemos, referia que estava a nascer, em Ponte de Lima, um novo jornal e de que nas suas oficinas (Tipografia Confiança, na rua Vasco da Gama) tinha sido “há dias fechado contrato” para a publicação (impressão) do mesmo de “cujo primeiro número sairá em meados de Fevereiro”.

  Precisamente, a 15 de Fevereiro foi divulgado o n.º 1 do jornal, “semanário imparcial”, Cardeal Saraiva, tendo como director António José de Oliveira[2], o dia semanal de publicação a terça-feira, a propriedade da empresa do Cardeal Saraiva, a redacção e administração na rua António Feijó.

  No número 16, de 31 de Maio, o cabeçalho do jornal passa a referir, também, o nome do administrador: Avelino Guimarães[3]

 O número 24, de 9 de Agosto, é o último desse ano de 1910. A edição só é retomada a 8 de Novembro de 1911 (com o n.º 25), agora à quarta-feira, passando a redacção e administração para o Largo de Camões, a composição e impressão na Papelaria e Tipografia Modelo (a vapor), na rua dos Monjavos, Viana do Castelo. Desaparece a referência a director, sendo apresentados como redactores António J. d’Oliveira e Malafaia Neto[4], administrador e editor, Avelino Guimarães, continuando a propriedade da empresa do Cardeal Saraiva.

  O n.º 49, de 24 de Abril de 1912, é referido como de aniversário, e incluiu o retrato de diversos “colaboradores” (Dr. A de Magalhães; Dr. Luís Nogueira; Pe. Araújo Calheiros; Dr. Francisco Maia; Dr. Francisco de Queiroz; Júlio de Lemos), do Dr. António Ferreira[5] (“fundador do Cardeal”) e de António José de Oliveira (“fundador e actual redactor”).

Ainda em 1912, no n.º 62, de 31 de Julho, desaparece, no rosto, a referência a redactores (o n.º seguinte, 63 de 7 de Agosto, refere que “desde o presente número, deixa de fazer parte da redacção d’este jornal…Malafaia Neto”) e, mantendo o restante, volta a ser mencionado, como director, António José d’Oliveira.

Em 1913 (a partir do n.º 92, de 13 de Março) é director, administrador e editor, Avelino Guimarães, e o jornal passa a publicar-se à quinta-feira.

Nesse mesmo ano (n.º 113 de 4 de Setembro), a composição e impressão começa a ser feita na Papelaria, Livraria e Tipografia Guimarães – Praça de Camões de Ponte de Lima.

  Em 1916, Avelino Guimarães é referido como proprietário, director e editor.[6]

Como mera curiosidade importa relatar que, sem que o cabeçalho tenha sofrido qualquer alteração, durante três números de 1921 (486, 487 e 488), com relevo, é noticiado, na primeira página, que “durante o impedimento do director deste semanário, como administrador do concelho, fica exercendo a direcção deste jornal o nosso distinto amigo e colaborador sr. Ismael Mota”.[7]

 Depois, e durante muitos anos, até ao falecimento de Avelino Guimarães, trave-mestra da existência deste título, no essencial (propriedade e direcção), não registamos alterações de vulto.



[1]  1910.01.22 - O Commercio do Lima, n.º 176

[2] 1888-1949 – António José de Oliveira nasceu em Ponte de Lima. Com continuada ligação à imprensa, ao ensino (professor e autor de títulos para a instrução primária) e à produção teatral.

[3] 1879-1959 - Avelino Pereira Guimarães nasceu em Labrujó, no concelho de Ponte de Lima, empresário de vários ramos (passou pelo Teatro Diogo Bernardes, e também por diversas iniciativas cinematográficas em outros locais), com intervenção cívica e política continuada o que lhe valeu vários cargos e muitos incómodos.

[4] 1888-1951 – Américo Malafaia Neto professor e autor teatral, profícuo colaborador e correspondente da imprensa, gazetilheiro perspicaz, contista, pintor, cenógrafo, decorador, político.

[5] 1885-1963 – António Gonçalves Ferreira, natural de Ponte de Lima, político (foi presidente da Câmara e administrador do concelho de Arcos de Valdevez), magistrado e autor literário, colaborador da imprensa.

[6] Não tendo sido possível a consulta dos n.ºs 239 a 242 do jornal, é verificável que o n.º 243, de 18 de Maio, já assim o refere.

[7] 1893-1974 – Ismael Cândido Guimarães da Mota, natural de Ponte de Lima, foi funcionário municipal, actor e músico amador, empresário do Teatro Diogo Bernardes, colaborador da imprensa e, dizem, um exímio apicultor.

 

 Avelino Guimarães

 
 António José de Oliveira

 Malafaia Neto

 


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

RETRATOS DE UMA FARMÁCIA




Aqui as palavras não estão sós, mas, sem elas, os retratos, apesar da sua muita expressividade, deixariam excessivos silêncios.

domingo, 14 de junho de 2015

Manuel Pimenta

MANUEL PIMENTA


O que surpreende na expressão do Manuel Pimenta é a capacidade de representação, assim como nos levasse a assistir a um filme, que nos prende de imediato e, de tão marcante, após o projector desligado, continua a chegar ao nosso cérebro. E tudo isto apenas com palavras… escritas.

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Imagem: Internet

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Luís Dantas - Maio, mês da Poesia

   

 O primeiro poema publicado do Luís Dantas que conhecemos, “Maio, mês da Poesia”, está no n.º 2.142 do jornal Cardeal Saraiva, de 21 de Maio de 1965 e iniciou uma série significativa que o autor não reuniu em livro.
     Decorridos 50 anos o relembramos, chamando a atenção para os 18 anos de idade do criador:

           “Maio, mês da Poesia

Maio rescende num poema de luz e cor,
Num sorrir gracioso de tantas flores:
Cravos… Rosas… Glicínias… Lindos amores…
Num cântico límpido e doce de amor,
Num suceder de noites suaves e quietas,
Numa toada inebriante de música,
De perfumes a embriagar poetas
E a alagar almas que dulcifica!
Num som de bronze vindo da Matriz.
A chamar pelos fiéis à novena
Ao cair das tardes primaveris,
Num hino de saudade e pena!...

Saudade daquele enternecido dia
Coberto de fé, de sonhos e ilusão
Que na nossa idade o coração cria!...
E pena?...
Pena de não ser feliz como o era então!...


Maio 18 – 1965                       Luís de Sousa Dantas”


       

quarta-feira, 29 de abril de 2015

AUGUSTO DE CASTRO E SOUSA (CENTENÁRIO A 30 DE ABRIL DE 2015)

AUGUSTO DE CASTRO E SOUSA (CENTENÁRIO A 30 DE ABRIL DE 2015)
   
     Fica, em imagem do n.º 18 da 3.ª Série do jornal Rio Lima, de 15 de Novembro de 1931, uma das primeiras colaborações de Augusto de Castro e Sousa na imprensa escrita.

   Pelo que ele nos revela, é fácil constatar a sua iniciação aos 16 anos, com assuntos de incidência desportiva, tanto abordando temas locais (o jogo de futebol entre o Ponte de Lima Sport Club e o Sport Club Vianense, disputado em 24 de Junho de 1931, no Campo do Cruzeiro, e que terminou com um empate a uma bola), como nacionais (o do trágico falecimento a 24 de Outubro, do mesmo ano, do operário e jogador de futebol, de Os Belenenses e da Selecção Nacional, José Manuel Soares, conhecido por Pepe, e que era já, aos 23 anos, um dos nossos mais populares atletas).


sábado, 31 de agosto de 2013

As Feiras Novas em Revista


AS FEIRAS NOVAS EM REVISTA

José Sousa Vieira





     Há três publicações anuais dedicadas às feiras que desde 1826 se realizam em Ponte de Lima associadas aos festejos a Nossa Senhora das Dores[1], todas de iniciativa estranha à organização das mesmas, a merecerem lugar na história da imprensa local.
     Em 1926, ano de comemoração dos 100 anos das Feiras Novas, mas na realidade correspondendo aos 101 da sua efectivação (importa relembrar, com ou sem festejos, não existe notícia de qualquer ano de não realização destas feiras), surgiu o O Arauto das Feiras Novas, iniciativa de Eduardo de Castro e Sousa. O último, que conhecemos, corresponde ao 13.º, foi editado em 1938, ano da inauguração, em Ponte de Lima, do monumento ao poeta António Feijó, a obter, na revista, o devido destaque:
    “E Ponte de Lima, a terra natal do Poeta e de outros vates ilustres, consagra-o, com saudade, no monumento de iniciativa da nossa Municipalidade, ali erigido na Praça da República, belo desenho do arquitecto Paulo Carvalho Cunha, apreciável obra de granito, executada sob a direcção de José Manuel Lopes e seus operários da terra do insigne poeta António Feijó, e aonde assenta um admirável busto de bronze, trabalho do Mestre Teixeira Lopes (…) ”.
     Em 1947, o recentemente regressado Augusto de Castro e Sousa, que em Lisboa vivera vários anos, segue o exemplo de seu pai, troca a palavra arauto, e dá à estampa o O Anunciador das Feiras Novas. Este primeiro anunciador, que o responsável em carta a Alberto do Vale Loureiro afirma lhe ter infligido “penosos sofrimentos”, teve vida curta. Termina no número 2, em 1948 e, curiosamente, disso já não se recordava Augusto de Castro e Sousa, em 1984, na epístola a Alberto do Vale Loureiro,  narrando ter saído “um único número”, esquecendo que, em 1948, tinha escrito no seu anunciador, por exemplo e referindo-se às Feiras Novas: «as tocatas – e são às centenas as que vêm à festa – ferem o espaço e oferecem aos nossos distintos hóspedes tudo quanto somos de simples e de bons.»
     E por ser simples e bom, genuíno, Alberto do Vale Loureiro, confessadamente um homem gostando “das coisas que falam, mexem, fazem progredir e elevar Ponte de Lima”, decidiu retomar o O Anunciador das Feiras Novas, gesto de estima pelo seu Mestre de Artes Gráficas, Augusto de Castro e Sousa, pois outro título, se a vaidade se sobrepusesse ao coração, não lhe estava interdito.
     (Re)surge desta forma, a partir de 1984, o O Anunciador das Feiras Novas, em II Série, afectiva, generosa, que, fruto dos tempos e da possibilidade dos homens, apresenta um cunho histórico e cultural predominante, aflorados nas modestas publicações anteriores, não obstante, como naturalmente acontece em edições do tipo, acolher diversificada colaboração, alguma da qual só as necessidades editoriais e, estamos convictos, a referida bondade do coordenador justifica.
    Sendo, desde o n.º 3, de 1986, propriedade da actual Associação Empresarial de Ponte de Lima, completa, neste ano de 2013, o 30.º aniversário. Pelo índice da revista, que meticulosamente José Carlos de Magalhães Loureiro organiza, é possível constatar que, com assiduidade diversa, já colaboraram em O Anunciador 85 autores, um deles, Adelino Tito de Morais, em todos os números.





[1] - Existe, por vezes, alguma confusão quanto às feiras (novas) e à festividade. De facto, as feiras, três dias, autorizadas pela Chancelaria de D. Pedro IV, por Provisão de 5 de Maio de 1826, e interpretando livremente extracto da referida provisão, foram solicitadas para se conservar o culto a Nossa Senhora das Dores, cuja imagem, para promoção da piedade cristã, tinha sido colocada na Igreja Matriz da vila de Ponte e Lima e era festejada no mês de Setembro. Assim, antes das feiras (novas) já existiam, em Ponte de Lima e na sua Igreja Matriz, festejos a Nossa Senhora das Dores, cujo retábulo remonta a 1729.

Fontes:
- Loureiro, Alberto do Vale, 25 anos, Em segunda série, O Anunciador das Feiras Novas, 2008.
- Loureiro, José Carlos de Magalhães Loureiro, Índice da Revista “O Anunciador das Feiras Novas” (1984-2013), O Anunciador das Feiras Novas, 2013.
- O Anunciador das Feiras Novas, Ano II – Setembro de 1948, N.º 2.
- O Arauto das Feiras Novas, Ano 13.º, 1938.
- Vieira, Amândio de Sousa, Feiras Novas, 1826-2006, Foto Lethes, Ponte de Lima, 2006.
- Vieira, José Sousa, As Feiras Novas em Revista, Limiana – Revista de Informação, Cultura e Turismo, Ano II, N.º 10, Dezembro de 2008.
 - Vieira, José Sousa, A Imprensa das Feiras Novas, O Anunciador das Feiras Novas, 2007.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Neste dia, há 106 anos

Lisboa, 1 de Janeiro de 1907. Um novo número da revista Brasil.-Portugal é publicado. A capa, mais uma vez, é ilustrada pelo limarense Alfredo Cândido


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Ponte de Lima, neste dia há 90 anos

Era publicado o primeiro número do jornal Rio Lima (1922-1937).

sábado, 5 de junho de 2010

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

HOJE -



EM MONÇÃO:
















EM PONTE DE LIMA:


sábado, 19 de abril de 2008

A BOTA DO $ECUNDINO



Secundino de Sousa Vieira, para além da inserção publicitária, já era notícia jornalística antes da sua condecoração. No ano de 1895, em “O Phantasma”, n.º 18, de 10 de Fevereiro, Alfredo Mâncio presenteou-o da seguinte forma, que desconheço se não terá sido retribuído com um amigável chuto (é de chamar a atenção para a grafia do S, apostamos, uma alusão a preço):

sexta-feira, 21 de março de 2008

Dia Mundial da Poesia














- Poema de Amândio Sousa Dantas (carregue na imagem, para aumentar), publicado em:
















[fotografia de Amândio de Sousa Vieira]

quinta-feira, 6 de março de 2008

ANDRÉ ROCHA

Não recordo, pessoalmente, André Rocha. No entanto, há mais de uma dúzia de anos que dele ouço falar. A primeira vez, por ter sido um dos vencedores do Concurso Olho Verde, que a límia-revista regional, dirigida pelo José António Cunha, e a Molima organizaram, tinha por tema o Ambiente, e era destinado, repartidos por três escalões, a crianças e jovens dos 6 aos 16 anos.
Na sequência dessa participação, com natural destaque, o José António Cunha fez publicar na revista, no seu n.º 18, uma excelente reportagem falando de e com André Rocha. Esse texto finalizava afirmando que “a arte perpetua a inteligência”.
Foi uma síntese feliz e verdadeira que muitos fazem por dignificar, amiúde arrostando, com estoicismo, as maiores injustiças.
Mas, ditosamente, nem sempre assim acontece. Aqui deixo a ligação para um claro exemplo:
http://arquitecturaepontedelima.blogspot.com/2008/03/publico-imobilirio_05.html

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

2007 - NOVAS PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS


Em 2007, surgiram duas novas publicações periódicas, ligadas a Instituições que usam o nome de Ponte de Lima nas suas designações.
Por iniciativa da Casa do Concelho de Ponte de Lima, apareceu a “Limiana – Revista de Informação Cultura e Turismo”. Com forte dinamismo, sob a direcção de José Pereira Fernandes e Irene Vieira Rua, vai já no quinto número.
É a segunda “Limiana”: entre 1912 e 1917, chefiada por Júlio de Lemos e Severino de Faria, dois nomes que fazem parte do nosso património plumitivo, foi publicada a “Limiana – Revista literária pontelimense”.
Estas duas revistas têm em comum, para além do título similar, o facto de não possuírem a sua administração e redacção no território concelhio. A primeira partia de Viana do Castelo, onde os seus mentores estavam radicados, a actual chega-nos de Lisboa. Por certo, o tempo de que uma necessitava e a outra precisa para nos aparecerem, será também idêntico. Coisas das épocas que com as suas antíteses nos dão por um lado o que nos retiram pelo outro: chegamos mais depressa mas temos menos tempo.





No ano do seu centésimo vigésimo aniversário, os Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima decidiram avançar com um Anuário, de que já falamos. Posteriormente, um dos textos saiu em separata, a “Breve Memória Histórica”, da autoria de Adelino Tito de Morais, com significativa informação da vida dos nossos bombeiros.
Em 1987, lembrando os 100 anos da benemérita associação, foi apresentada uma revista, número único, onde, então, Adelino Tito de Morais incluía a primeira versão deste seu estudo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Anuário dos Bombeiros

Integrado nas comemorações do 120.º aniversário a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima apresentou, no passado dia 14, o seu primeiro Anuário. Com coordenação de João Carlos Gonçalves e Adelino Tito de Morais, capa de Américo Carneiro e colaboração dos coordenadores e Amândio Vieira, António Matos Reis e Fernando Calheiros, reúne, ainda, nas 144 páginas, outras recolhas relacionadas com o passado e a actualidade dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima. Aqui fica o registo, em jeito de felicitação a uma associação de interesse inquestionável e merecedora de todo o nosso apreço.

sábado, 30 de junho de 2007

UM DECRETO ALARMANTE

Assim se Governa... a publicidade
"Mais uma lei monstruosa e inconstitucional que está na forja, para juntar a muitas outras que têm saído ultimamente (...) e que é do teor seguinte:
Art.º 1.º - Todos os habitantes do Continente da República Portuguesa que não forem, pelo menos todos os oito dias, às sessões do cinema da respectiva localidade, pagarão de multa 500$00 na primeira vez e no caso de reincidência ser-lhes-ão confiscados todos os bens.
Art.º 2.º - Fica revogada a legislação em contrário."
Desta forma, passando-a por mera notícia, incluía o jornal Cardeal Saraiva, na sua edição de 12 de Fevereiro de 1925, esta publicidade da Empresa que geria o Teatro Diogo Bernardes, de Ponte de Lima, no seu estilo já anteriormente revelado, terminando-a, com humor, dizendo ter sido nomeado o Sr. Virgínio Baptista (um dos sócios) para a fiscalização deste serviço e que "de papeleta em punho, estará todos os domingos no átrio do nosso teatro a tomar nota das pessoas que faltem para lhes aplicar a competente multa".

terça-feira, 19 de junho de 2007

Ameaça de bomba, no Teatro Diogo Bernardes

Automóvel Misterioso – Prisão de bombistas

Em 22 de Janeiro de 1925, usando o título acima enunciado, o Cardeal Saraiva noticiava que “no último domingo, pela volta das oito horas da noite, surgiu no Largo de Camões” (de Ponte de Lima) um automóvel em que viajavam quatro indivíduos, de aparência e comportamento suspeito, que acabaram por se apear e entrar no Café Braga.
Um guarda republicano que, por acaso, se encontrava no estabelecimento, reconheceu um dos homens como sendo um perigoso bombista e, saindo para pedir reforços, voltou com outro colega, deteve os suspeitos, conduzindo-os até ao posto. Aí, eles confessaram que a mala, que transportavam, estava cheia de bombas e se destinava a “fazer ir pelos ares o Teatro Diogo Bernardes”.
A pretensa notícia, aparentemente preocupante, não passava de um mero exercício de publicidade, embora agressiva, como facilmente se inferia pelas incongruências do texto, e destinava-se a atrair a atenção dos leitores para “a estreia do magnífico auto-piano ultimamente adquirido pela Empresa do Cinema e (...)” para “o trabalho magistral da celebre actriz Pearl White na fita “Ameaça Silenciosa” que no domingo passado começou ali a ser exibida e continuará nos domingos seguintes”.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Teatro D. Fernando - Espectáculo de Gala


Na noite do dia 10 de Junho de 1880, culminando as diversas iniciativas que em Ponte “do” Lima se organizaram na data do terceiro centenário do falecimento do poeta Luís de Camões, o Teatro D. Fernando, com lotação completa, recebeu um espectáculo de gala e fins beneficentes, revertendo o saldo a favor do futuro Asilo de Inválidos Camões.
As reservas, para o espectáculo, puderam ser feitas no estabelecimento do Sr. José Maria Marinho d’Aguiar & C.ª, e, antes da representação teatral, abriu o pano do palco mostrando, ao fundo, o “busto do imortal Camões” ladeado pelos actores e tocando a orquestra o Hino Nacional (o Hino da Carta Constitucional).

Depois, o estudante Alexandre de Sousa e Silva recitou o “Poema de Camões”, de Teófilo Braga.
Seguiram-se a drama “Cinismo, Cepticismo e Crença”, que o jornal O Commercio do Lima considerou mal escolhido, interpretado pelos amadores locais Virgílio Martins da Costa, António Emílio Fernandes d’Oliveira, José Maria Marinho d’Aguiar, Manuel de Fontes Pereira Lima e António Amândio de Vasconcelos, e a comédia “Os Estroinas”, com José Joaquim de Sousa, António Afonso Ferreira, Júlio Pereira Pinto, José Manuel da Silva Lima e Manuel Evaristo Coelho. Para ambas as peças foi necessário contratar uma actriz – Amélia d’Oliveira, cremos – que, curiosamente, originou a maior parcela das despesas efectuadas (14$550, do total provisório de 32$885). A culminar a gala o Delegado do Procurador Régio, Dr. António Xavier de Sousa Cordeiro (Torres Vedras, 20 de Novembro de 1844 - Ponta Delgada, 17 de Novembro de 1903), recitou uma poesia, da sua autoria e composta propositadamente para o acto, que muito agradou e foi posteriormente editada, revertendo o produto da venda a favor do Asilo em criação.
Sobre esta récita, referindo alguns pormenores não coincidentes com os noticiados pelo redactor do jornal e que estão na base da descrição acima efectuada, também no jornal O Commercio do Lima, A. Tudella e Vasconcelos publicou a crítica, com pingos de galanteio e humorismo, que se segue:

domingo, 10 de junho de 2007

Um 10 de Junho em "Ponte do Lima"



- 1905 -

"Ponte do Lima" aproveitou, a exemplo de muitas localidades do país, o facto de as Cortes, com o acordo do rei D. Luís, terem decretado o 10 de Junho de 1880 de gala nacional, em homenagem a Luís de Camões, no dia do terceiro centenário do seu falecimento, para promover uma série de iniciativas que deixaram obra.
Para além dos festejos, que meteram salva de 21 tiros de dinamite, três bandas de música, “procissão civil”, missa - religiosa, claro – discursos, prémios a 43 alunos, de ambos os sexos, que se distinguiram nas escolas públicas da vila (masculina e feminina) e de Arcozelo (masculina) e no Asilo de Infância Desvalida da Vila (feminina), espectáculo de gala, à noite, no Teatro D. Fernando, com música, recital de poesia e representação teatral, foi inaugurado, na “boca da ponte”, o novo largo a que a edilidade atribuiu o nome de Largo de Camões e, simbolicamente, o que viria a ser o Asilo de Inválidos “Camões”, uma iniciativa de Miguel Roque dos Reis Lemos que, nesse dia, na Casa da Câmara teve abertura de subscrição pública, contando ainda com o saldo do espectáculo de gala e o da venda da publicação de poesia recitada no referido espectáculo (a que voltaremos, mais tarde).

Fontes: Lemos, Miguel Roque dos Reis - Anais Municipais de Ponte de Lima, 1938.
Vieira, Amândio de Sousa - Ponte de Lima - Outros Tempos (1858-1949), 1994
[jornal] O Commercio do Lima, vários exemplares de 1880.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Vaca das Cordas, vista por Teófilo Carneiro


“Veremos na véspera do Corpus Christi, um touro bravo, preso por duas grossas e compridas cordas, dar três voltas à Igreja Matriz e ser levado, pelas ruas e largos da vila, em correria veloz, no meio de estrídula algazarra, fugas precipitadas, grandes trambolhões e pegas voluntárias ou forçadas, como que numa espécie de balanço anual às aptidões tauromáquicas do indígena.
Espectáculo bárbaro e único no país – que a tradição, seja vaca ou boi o animal corrido, epicenamente baptizou de vaca-das-cordas – ele constitui, segundo os entendidos, uma sobrevivência pré-histórica da zoolatria pagã.”
[excerto do texto, Ponte do Lima – Estância da Divindade, in Portugal Económico, Monumental e Artístico, 1939]