segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O ELEITORADO DE PONTE DE LIMA – ASSEMBLEIA MUNICIPAL (de 2013 a 2017)



 O ELEITORADO DE PONTE DE LIMA – ASSEMBLEIA MUNICIPAL (de 2013 a 2017)
                                           
A vitória para a Assembleia Municipal de Ponte de Lima, e tal como para a Câmara Municipal, é do CDS-PP e por maioria absoluta (dos 40 membros elegeu 22).[1] Embora, em termos de voto útil[2], tenha sofrido um muito ligeiro recuo (de 51,63% em 2013 para 51,24% em 2017) mantém o número de eleitos.
Na segunda posição, com 9 eleitos (22,86% dos votos úteis), aparece o PLMT (em 2013 o PS, que agora integrou as listas deste Movimento, tinha elegido 4, com 11,27% dos votos úteis).
Na terceira posição está agora o PPD/PSD com 5 mandatos (13,45% dos votos úteis). Em 2013 tinha obtido 8 mandatos e 19,17% dos votos úteis.
Na quarta posição aparece o Movimento 51 com 3 mandatos e 8,52% dos votos úteis. Tinha obtido, em 2013, 5 mandatos e 11,27% dos votos úteis.
Na quinta posição está o PCP-PEV (CDU) com 1 mandato e 3,93% dos votos úteis. Em 2013 tinha obtido, também, 1 mandato mas com 4,53% dos votos úteis.
Diga-se que, tal como em 2013, todas as forças concorrentes obtiveram mandatos.
Os votos brancos e nulos passaram de 5,53% (1527) dos votos totais de 2013, para 4,20% (1.179) dos de 2017.
A abstenção caiu de 36,06%, em 2013, para 33,27%, em 2017.
É curioso observar que, pelos dados provisórios, votaram, para este órgão, mais 3 eleitores do que para a Câmara Municipal, sendo que isso só parece possível se eles em lugar de depositarem os votos para a Câmara Municipal na urna o tenham feito noutro lugar.
   


[1] Como é sabido, na composição desde órgão entrarão também todos os Presidentes de Junta, ou seja, o primeiro membro da lista mais votada para cada uma  das Assembleias de Freguesia que, no caso de Ponte de Lima, são 39.
[2] Os votos úteis apenas consideram aqueles que podem eleger (subtraindo os brancos e os nulos), permitindo assim uma melhor comparação do desempenho das forças políticas.

O ELEITORADO DE PONTE DE LIMA – CÂMARA MUNICIPAL (de 2013 a 2017)


O ELEITORADO DE PONTE DE LIMA – CÂMARA MUNICIPAL (de 2013 a 2017)
                        
 Conhecidos os resultados provisórios das eleições autárquicas de 2017, comparando com 2013, ressalta a vitória do CDS-PP que, embora perdendo, para a Câmara Municipal, influência eleitoral, conseguiu a manutenção do número de eleitos (5). O surgimento do Movimento Ponte de Lima Minha Terra (PLMT), com o apoio do Partido Socialista, que conseguiu eleger 2 vereadores, veio originar o significativo retrocesso do Movimento 51, com a perda do vereador eleito em 2013 e do PPD-PSD que, pela primeira vez na história do poder local, não conseguiu qualquer representação na Câmara Municipal. Para este órgão existe, também, um apreciável recuo do PCP-PEV e a constatação de que o PPM, na sua segunda tentativa em eleições para este órgão, obteve pouco mais de metade da percentagem de 1993: então 0,99%, agora 0,51%.
O CDS-PP obteve agora 14.606 votos (52,11%), contra os 14.982 votos (54,30%) de 2013.
O Ponte de Lima Minha Terra obteve 6.631 votos (23,66%). Não tendo concorrido nas anteriores eleições é oportuno relembrar que o PS, que integrou as suas listas, tinha conseguido, em 2013, 2.560 votos (9,28%).
O PPD-PSD teve 2.888 votos (10,30%), contra os 4.374 votos (15,85%) de 2013.
O Movimento 51 obteve 1.985 votos (7,08%) contra os 3.325 votos (12,05%) de 2013.
A CDU (PCP-PEV) obteve 779 votos (2,78%) contra os 1035 (3,75%) de 2013.
O PPM conseguiu 142 votos (0,51%).

O número de eleitores inscritos recuou de 43.131, em 2013, para 42.009, em 2017. Em compensação o número de votantes aumentou de 27.591, em 2013, para 28.028, em 2017. Os votos brancos e nulos caíram de 1.315 (4,76%), em 2013, para 997 (3,55%), em 2017. A abstenção recuou de 36,06%, em 2013, para 33,28%, em 2017.

Assim, enquanto em 2013 tinham votado utilmente 26.276 eleitores, em 2017 este número subiu para 27.031, pelo que a percentagem de votos teve a seguinte variação aproximada, de 2013 para 2017: CDS-PP, -2,99%; PLMT, em relação ao PS, +14,79%; PPD/PSD, -5,97%; Mov. 51, -5,31%; PCP-PEV, -1,06%. Ou seja, grosso modo, todas as restantes forças políticas, subtraídos já os votos no PPM, perderam, em diferentes proporções, eleitorado para o PLMT. 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Baptista-Bastos

«O Cavalo a Tinta-da-China»



   «Está a andar com todos os sentidos despertos para a noite. Na rotunda do Marquês hesita. Acende um cigarro, desce a Avenida da Liberdade. A meio, um pouco antes do Parque Mayer, senta-se num banco de madeira, mesmo ao lado de um candeeiro alto, tira o Diário de Lisboa do bolso do casaco, o gesto não obedece a nenhuma associação de ideias. Folheia, distraído, o jornal. Na página Teatros e Cinemas lê uma nota assinada N.L. sobre a estreia, no Apolo, da peça de Jardiel Poncela, Branco por Fora e Rosa por Dentro. Segundo N.L., a peça «é, assim, uma “humorada” teatral sem consistência e com evidente influência dos processos cinematográficos, o que não nos parece de aconselhar em teatro. O autor, que não pretende certamente transpor os umbrais da posteridade com este e outros trabalhos do mesmo género, conseguiu, no entanto, fazer o que queria: fazer rir.»[1]
    «N.L. comenta o trabalho dos actores: Ribeirinho, «jovial e dinâmico»; Madalena Sotto, «que só tinha a lucrar se não fizesse ausências tão prolongadas do palco»; Hortense Luz, «que continua a provar que é uma actriz segura»; Armando Machado, «sóbrio e correcto»; Joaquim Prata, «que desenhou com o seu bom humor habitual a caricatura dum médico inverosímil»; e Alberto Reis, «que fez bem o pouco que teve que fazer». A terminar: «Completam o elenco feminino, em silhuetas graciosas, Fernanda de Sousa, Branca Saldanha e Regina Escobar. Tarquínio Vieira e Morgado Maurício têm a seu cargo dois papelinhos secundários, que desempenharam correctamente.» [2]

Retrato de Baptista-Bastos da autoria de Luís Dantas, Lisboa, 1993.





[1] - Em Portugal a peça foi estreada a 5 de Janeiro de 1944 e permaneceu, em cena, até 31 do mesmo mês. A adaptação, na nossa língua, teve a responsabilidade de Alberto Barbosa e José Galhardo. Não terá acertado N.L. (Norberto Lopes), quanto ao perecimento da obra de Enrique Jardiel Poncela (Madrid 1901-1952). Personalidade controversa é, no entanto, um nome que sobreviveu, pelo valor inovador da sua obra, ao próprio infortúnio que os últimos anos de existência física lhe reservaram.
[2] - Fragmento do romance de Baptista-Bastos, Cavalo a Tinta-da-China, 1995.

domingo, 9 de abril de 2017

O REGRESSO DO JUDAS

O REGRESSO DO JUDAS



     Parece que o último sopro de vida do Judas, de António Plácido, foi em 1925.
   Fora das gazetilhas que o foram lembrando, mas não executando e, talvez, ignorando algumas execuções a não merecerem referência da imprensa, Ponte de Lima teria de esperar oito anos para assistir ao regresso da prática, e agora, possivelmente, pelo génio de Guerrinha (João Dantas Guerra), recém-chegado do Brasil.
   O jornal Cardeal Saraiva, de 08 de Abril de 1933, relata: «Há já alguns anos que Judas Iscariote não sofre entre nós o suplício da pena a que eternamente o votaram./ Porém, no sábado de Aleluia, vai mais uma vez levantar-se no Largo Rodrigues Alves o cadafalso a que subirá um dos muitos judas que abundam por este país…». E ajudando ao reclame, David Braga, no mesmo jornal, lá foi escrevendo, pela pena de Judas, «…Que há muitos como eu, muitos dos tais,/Capazes de vender o Deus ungido.// Antes de mim, já vós ereis no mundo/ Canalha a mais, em cujo olhar profundo/ Se via toda a ausência de Registo.// Mas ficai-vos p’ra aí, gente maldita,/ Em busca de coleira e de marmita/ Que eu vou arrepender-me aos pés de Cristo.»
  Mas se não foi esta a estreia do Judas, do Guerrinha, ela não se fez esperar, ganhou, como o de Plácido, honra de notícia e, até, anos volvidos, esta saborosa evocação na escrita arguta de Luís Dantas, publicada também no jornal Cardeal Saraiva, agora de 21 de Abril de 1967 e incluída em texto com o título «A Páscoa em Ponte»: «Uma réstia de sol anuncia o sábado de aleluia. Os rapazes da vila já pularam da cama e correm à lapa, aonde o «Guerrinha» trabalha nas caricaturas ridículas da terra, no Judas, que, sob o assédio deles, vem, manhã fora, para o Largo de Camões. Ali fica, aos olhos dos que desejam ver e saber de quem se trata, esperando a primeira hora da tarde para ver o estoiro. / Entretanto vendem-se os testamentos…O «Guerrinha» não tem mãos a medir. Todos compram as quadras de sabor popular a rimar piadas e ironias. Elas andam na boca do mundo. Há legados, estrambólicos legados, aos típicos da terra…coisas que ao diabo não lembra./ Risos no largo. Desdenha-se dos testas franzidas. E entre algarreio de vozes o Iscariote rebenta. A vila e a gente da meia tijela se alvoroçam. / Dias idos, o feitiço havia-se voltado contra o feiticeiro. Já todos sabiam que o «Guerrinha», de um enxerto de porrada, foi à botica atar uma ligadura à cabeça. Mas tudo é de ocasião. Tudo depois esquece e passa.»
 

Crédito da Ilustração: Arquivo Municipal de Ponte de Lima (http://arquivo.cm-pontedelima.pt/noticia.php?id=986)

quarta-feira, 5 de abril de 2017

A RODRIGUES ALVES, NO TEJO CUMPRIMENTOS DO LIMA

HISTÓRIAS DO LIMA
A RODRIGUES ALVES, NO TEJO CUMPRIMENTOS DO LIMA

José Sousa Vieira


    
   A 22 de Maio de 1907 fez escala em Lisboa, em viagem para Inglaterra, o paquete Aragon, vindo do Rio de Janeiro e trazendo, entre os seus passageiros, Francisco de Paula Rodrigues Alves que, de 15 de Novembro de 1902 a 15 de Novembro de 1906, havia sido Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil.
    Na terra natal do seu pai, Domingos Rodrigues Alves, nascido no lugar do Silveiro, na freguesia da Correlhã, a 23 de Dezembro de 1818 e, então, ainda vivo e a residir no Brasil, para onde tinha partido em 1832, em Sessão Ordinária, a Câmara Municipal de Ponte de Lima, reunida a 18 de Maio e já conhecedora da jornada, havia decidido solicitar ao Padre João Inácio de Araújo Lima que a representasse na recepção que se estava a preparar, na Capital, ao ilustre homem de Estado.
   Do desempenho da sua tarefa deu conta o Padre Araújo Lima, em ofício datado de 23 de Maio, dirigido ao Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, Francisco d’Abreu Pereira Maia, referindo, como novidade, o «vivo desejo de visitar Ponte do Lima, no regresso da viagem a Inglaterra», do Dr. Rodrigues Alves.
   
   Pela imprensa da época, no caso através do jornal Aurora do Lima, entre outros pormenores, sabemos que o Padre Araújo Lima interrogou o Dr. Rodrigues Alves se lhe poderia enviar uma «colecção de bilhetes-postais da linda terra de seu pai», ao que o ex-presidente solicitou que lhos remetesse para Londres, e que «muito estimarei vê-los lá».
   Pois como prometido e divulgado, em Outubro do ano seguinte, 1908, durante alguns dias, o Dr. Rodrigues Alves visitou várias localidades no nosso país. A 29 de Outubro esteve em Ponte de Lima, onde permaneceu das 14 até pouco depois das 17 horas, e de onde dizem ter sido recebido com muito carinho.
    Não querendo deixar passar despercebida essa visita, na Sessão de 07 de Novembro desse ano, da Câmara Municipal de Ponte de Lima, presidida por José Maria d’Abreu de Lima, o vereador José Correia de Sá, «comemorando a gentileza do ilustre cidadão brasileiro e em homenagem ao seu nome prestigioso e merecimentos superiores, de que o concelho tem razão de se orgulhar, propunha que o actual Campo dos Touros passe a denominar-se Largo Doutor Rodrigues Alves». E, com o apoio dos restantes membros do executivo municipal, teve assim o Sr. Dr. Rodrigues Alves o seu nome na toponímia da vila limarense.


   Ilustrações: - Capa na Revista Brasil-Portugal, com desenho representando o Dr. Rodrigues Alves, com a particularidade de ser da autoria de um limarense: Alfredo Cândido.
                         - Uma das fotografias, de Benoliel, obtidas durante a curta estadia (cerca de 6 horas) em 22 de Maio de 1907