sábado, 12 de Setembro de 2009

FEIRAS NOVAS


FEIRAS NOVAS – 1909
(António Feijó, uma visita infrutuosa)






Chegou, com a sua família, a Portugal no fim do ano de 1908. Por cá permaneceu até meados de Março de 1910 naquela que foi a sua última visita, em vida, ao país. António Feijó, poeta e diplomata, nascido em Ponte de Lima em 1859, não deixou de aproveitar para ver a sua terra natal e, em carta ao seu amigo Luís de Magalhães (Feijó, Rui, António Feijó, Cartas a Luís de Magalhães, Vol II. INCM, 2004), datada de 28 de Setembro de 1909, da Casa de Vilar, Lousada, manifesta a sua decepção pelas condições climatéricas o terem impedido de desfrutar, como desejava, essa ocasião.
Era dia de Feiras Novas que, na sua data fundadora, 19, 20 e 21 de Setembro, nesse ano, domingo, segunda e terça-feira, se realizavam envoltas em forte expectativa. É, pelo menos, o que nos obriga a inferir a consulta a diversos números do jornal local, O Commercio do Lima, “o jornal de maior formato do districto”, sob o comando de Pelágio dos Reys Lemos, seu derradeiro director. Mas o tempo, alheio à vontade humana, em constante birra chorosa com as feiras limarenses, não fossem elas dedicadas a Nossa Senhora das Dores!, transformou-as em enxurrada, também de lamentos.
Tinham ficado pelo projecto algumas intenções, como a de uma “magestosa procissão com o concurso de todas as irmandades do concelho”, e outras iniciativas agendadas viram-se impedidas: as iluminações, a cargo de António Pereira as da margem do rio e, cremos, iniciativa de uma comissão de moradores, as da rua de Souto, João de Souza Guerra, a gás acetileno, as do largo de Camões, José de Sousa Guerra as do passeio de D. Fernando, do “Casa Nova” as da rua de S. José e de António Linhares as do largo do dr. Magalhães até à rua João Rodrigues de Moraes, onde este residia e seu filho, o juiz da festa desse ano, Filinto Moraes; as duas touradas, para as quais o empresário Francisco Augusto Dantas encarregou Francisco José de Barros, da Ribeira, de realizar obras de reparação na praça de touros, e que contavam com a participação, entre outros, do cavaleiro Aires de Mendonça, do espada Chicorrito, do bandarilheiro Manuel dos Santos, de Braziliza Chaves, anunciada como “arrojada, Temerária”, do Morgado de Covas, em deferência para com os seus amigos, e de “14 touros de bela estampa e bastante corpulentos” que tinham chegado a Ponte de Lima no dia 17 de Setembro; os fogos de artifício dos barquenses Manuel José Vieira Cálom, Alberto Gomes da Costa & Filhos e João António de Sousa; no largo de Camões, o exercício de ataque a uma simulação de incêndio por “todo o corpo activo dos Bombeiros Voluntários, com o respectivo material”; o “atraente festival”, na noite do dia 21, também no Largo de Camões, “oferecido às damas de Ponte do Lima, abrilhantado pela banda regimental de infantaria 8, de Braga”.
Prevaleceram, como programado, as cerimónias religiosas, com “a exposição de alfaias, vasos sagrados, etc.”, na igreja Matriz, aberta ao meio-dia do dia 19, e, no mesmo templo, a “missa solene a grande instrumental e sermão pelo abalisado orador rev. Sr. Geraldo de Vasconcélos”, na manhã do dia 21. No dia 19, pela manhã, a feira de gado foi muito concorrida, mas a chegada da chuva, “que saiu-se á estacada com uma furia tremenda, por volta das 11 horas… continuamente até ao fim da tarde, pôs em debandada uma grande parte dos forasteiros que, desanimados, se retiraram para as suas terras”. Os mais resistentes ainda presenciaram, nessa noite, no Largo de Camões, a “Kermesse” e” um bocado de música”, pela Banda dos Artistas. Nos dois restantes dias das feiras, para além das já referidas cerimónias religiosas, só a música foi intervalando com a chuva, numa disputa desigual e de sonoridades distintas. Para além da Banda local, a dos Artistas, estavam contratadas as de Távora e Mazarefes.
Feijó terá estado em Ponte de Lima a 20 de Setembro, pois na sua carta refere que “não houve feira, nem fogo, nem iluminações”, e, embora no dia 19 estivesse prevista iluminação, no Largo de Camões, e fogo, era no dia seguinte, o principal dos festejos, que ambos os números tinham a sua máxima expressão. Valeu ao poeta e à sua esposa (os filhos desconhecemos se os acompanharam até Ponte de Lima) a solicitude amiga do Padre João Inácio de Araújo Lima que os recolheu em sua casa e lhes serviu “uma canja aguada mas reconfortante… esplêndida por sinal!”. Daí, à 1 da manhã, partiram para Viana de onde tinham saído às 11 da manhã, com paragem em Bertiandos, “onde foram “pedir de almoçar” e se demoraram até às 3 da tarde.
Esta situação poderá ter estado na origem da prosa do Conde d’Aurora, Um encontro memorável (ver, Vieira, Amândio de Sousa, Foto Lethes, 2003), muito embora diversas discrepâncias, culpa, talvez, da imaginação literária e da memória do autor que só produziu esse precioso texto 20 anos volvidos.
Certo é que o nosso vate não terá aproveitado o facto de logo no domingo seguinte, dia 26, se terem realizado todas as iluminações, que a organização caprichou em não deixar no olvido, o fogo, “confeccionado por dois haveis pirotecnicos”, e, durante o dia, terem actuado três bandas de música, “uma dellas a dos Artistas desta villa”. “À noite não faltou também o competente coro dos Zés Preiras que, atroando os ares com a sua zabumbada infernal, arrastava atraz de si, em alegre multidão, o povo das nossas aldeias”. Falharam, para se desagravar o programa, o Festival, devido à “banda regimental de infantaria 8 estar comprometida” para o Bom Jesus, e as touradas, por o gado ter “de estar em Espinho para uma ou duas corridas que lá tem de haver”.
E, possivelmente, também não terá visto as fotografias que José Pereira Marinho tirou às iluminações e, no dia seguinte, 27, estiverem expostas no estabelecimento de José Pereira Pinto.Uma dessas fotografias, a “do explendido panneau que se ostentava na margem direita do Lima e que pelo admirável conjunto de todos os seus lumes era dum efeito surpreendente, verdadeiramente maravilhoso”, representando “o palácio que o governo brazileiro ofereceu ao português na exposição ultimamente ali realisada”, está incluída no livro de Amândio de Sousa Vieira, Feiras Novas 1826-2006, por sortilégio ao lado de uma de António Feijó.


Na imagem - Aspecto do Pavilhão de Portugal, na Exposição do Rio de Janeiro de 1908, que terá servido de modelo ao "panneau" referido (ver pág. 43 do livro Feiras Novas 1826-2006, de Amândio de Sousa Vieira).


quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

O FERIADO MUNICIPAL DE PONTE DE LIMA

O Feriado Municipal de Ponte de Lima, por decisão de 13 de Julho de 1911 da Comissão Administrativa da Câmara Municipal, foi fixado a 20 de Setembro, “de cada ano, por ser o de maior concorrência e luzimento das festas e feiras francas tradicionais de Nossa Senhora das Dores, realizadas nesta vila nos dias dezanove, vinte e vinte e um daquele mês”.
A possibilidade dos Municípios estipularem, para o seu território, um dia anual de feriado, escolhido entre os que representassem as suas festas tradicionais e características, tinha sido decretada a 12 de Outubro de 1910 pelo Governo Provisório da novel República Portuguesa.
A 17 de Outubro de 1912 a Câmara Municipal decidiu alterar as Feiras (Novas) para 9, 10 e 11 de Setembro, de cada ano, e, com coerência, o feriado para o dia 10 de Setembro.
A 2 de Setembro de 1915 a Câmara repôs as Feiras (Novas) a 19, 20 e 21 de Setembro e o feriado a 20 de Setembro, permanecendo, até 1937, as feiras nesses dias.
Desde aí as Feiras (Novas) realizaram-se abrangendo o terceiro fim-de-semana de Setembro, mantendo-se o feriado inalterado, deixando, na prática, de corresponder ao fim para o qual foi criado e, mesmo, desconfigurando-se do seu suporte legal.
E assim, parece, vai continuar caso a proposta de 10 de Agosto de 2009 da Câmara Municipal seja amanhã aprovada pela Assembleia Municipal, órgão com a competência de fixar o dia feriado anual do município. Para o próximo ano ele passará para a terça-feira seguinte às Feiras Novas, detendo-se alheio ao que informa um dia com esta designação.

quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

HOJE -



EM MONÇÃO:
















EM PONTE DE LIMA:


quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

Xinzo de Limia em Festa



Nos próximos dias 21, 22 e 23, sexta-feira, sábado e domingo, a vila galega de Xinzo de Limia realiza a festividade, denominada do Esquecemento, que tem como motivo central a recreação da Lenda do Rio Lethes.

Reproduzimos a nota, da responsabilidade da organização:



A FESTA DO ESQUECEMENTO 2009



A Festa do Esquecemento é unha recoñecida festa de recreación histórica, declarada no ano 2005 de interese Turístico Local, que se celebra dende hai 9 anos, na localidade ourensá de Xinzo de Limia durante a penúltima fin de semana de Agosto. A súa novena edición, terá lugar este ano 2009 os días 21, 22 e 23.
O evento, está organizado polos propios veciños da vila a través dos cerca de cen socios da Asociación Cultural Civitas Limicorum, e nela conmemórase o paso do río Lethes o río do Esquecemento (actual Limia) polas lexións romanas do Cónsul Décimo Xunio Bruto no ano 137 a.Xto., que deu paso ás primeiras incursións romanas na Gallaecia, previas á súa romanización.
A Festa do Esquecemento ofrece unha imaxe viva, e “vivible” por todos os que participan con nós daquel tránsito da orde castrexa á orde romana que, como o cruce do Lethes se presentaba temible, pero tamén excitante e dende logo, ineludible para os Limiaos.
Dende esta perspectiva, o escenario principal da Festa do Esquecemento, é o “Campamento”; Emprazado durante tres días na Alameda do Toural, próxima ao río onde se instalan os 40 grupos celtas e romanos que participan na festa, integrándose nun ambiente de recreación histórica con construcións castrexas e romanas que eles mesmos edifican previamente.
Cada grupo organiza actividades propias compartindo a comida e a bebida, e participando nos diferentes actos comúns propostos pola organización, como son: Os Xogos de habilidade individuais e colectivos; entre eles atópanse o tiro con onda, o tiro con arco ou o lanzamento de xabalina, pedra ou cepo. Tamén aqueles outros de forza, como o tiro da corda ou a competición de serra de troncos; Mesturados con talleres de alfareiría, ou a forxa que nos permitirá asistir á ferraxe dos cabalos de xeito tradicional. Tamén se programan outras animacións e xogos, adicados ós máis cativos, que nesta edición do 2009, poderán desfrutar no Campamento o sábado e o domingo pola mañá.
En calquera caso, existe un acto de especial interese no espazo do Campamento, previsto para o sábado á noite, é, a Cea-Espectáculo que se ven celebrando dende fai varias edicións e que tivo sempre unha excelente acollida. Trátase pois dun peculiar ágape de confraternización entre castrexos e romanos, aberto á participación de calquera persoa que o adquira o convite, no que a exquisita e abundante comida, a base de Leitón, polo asado, carne o caldeiro, chourizos, pan, viño, licores e biscoito, servido sobre pratos individuais feitos de pan de Xinzo, arredor dunha gran mesa en forma de “U”, que nesta edición, vai acolle-la actuación de danzantes, bailarinas, malabaristas, cuspe-lumes, loitadores, e outras excitantes atraccións.
Outro elemento importante da Festa do Esquecemento é o “Macelum” (mercado de artesanía), que se desenrola nas rúas máis céntricas da vila. Neste mercado pódese atopar unha gran variedade de produtos de elaboración artesanal: Tecidos, cosmética, xoiería, comestibles, etc. O obxetivo principal do Macelum, é ofrecer ós veciños e visitantes, a posibilidade de coñecer, mercar e degustar produtos exclusivos da artesanía galega maioritariamente, pero tamén doutros lugares da xeografía Ibérica.
Por suposto, neste contexto de recreación histórica que envolve á vila, teñen unha especial relevancia as diferentes Teatralizacións e Desfiles que se desenvolven durante os tres días: Dende o ritual do “Prendido do Lume Sagrado” que sinala o inicio da festa o venres pola noite, no que os mozos e mozas transfórmanse en druídas, deuses, deusas, guerreiros e guerreiras, ou senadores e senadoras; ata a representación do “Cruce do río Lethes” como elemento central da festa; Sen esquecernos da “Gran Batalla” entre romanos e castrexos cuxo resultado e unha teatralización colectiva na que participan tódolos grupos instalados no Campamento, que remata coa “Inhumación do corpo do Xefe Beltain”. Outro punto de interese serán as “Bodas” e os “Nasciturus” (rituais de casamento e de iniciación ás relixións, romana e castrexa).
Pero sen dubida, un dos puntos fortes da festa será, a satírica “Sesión do Senado Romano” que dará un repaso das novas de actualidade Urbi et orbi.
Como novidade este ano, desenvolverase no Campamento, o PROXECTO THERMOPOLIVM (Comer e beber o xeito Romano) que son tallares- degustación de autenticas receitas romanas de fai 2000 anos, como, o Moretvm, Epityrvm, Mel Cvm Papaveris, Germine, Panem Cvm Oleo Salibvs, Apicianis Condito, Cerea (Cerveza sen Lúpulo), Vinvm Graecvm ou, o popular Mvlsvm, feitos polo grupo KuanUm de Tarragona segundo as receitas de Apicio.
Outra das novidades serán os Obradoiros de Arqueoloxía, e as Exposicións sobre Armamentaria e, sobre a Vida cotidiá na época Romana; que darán a coñecer o legado romano con pezas e paneis informativos nos que os visitantes, poderán experimentar cómo se traballa nunha escavación arqueolóxica, ou coñecer as distintas armas e uniformes Romanos e Castrexos dos primeiros séculos da nosa era.
No tocante ós “Desfiles”, a organización da Festa do Esquecemento, mantén lazos de amizade con moitas celebracións o longo da xeografía Europea, particularmente de España, Portugal e Italia; e como membro da “Asociación Española de Fiestas y Recreaciónes Históricas”, ten unha excelente relación con outras festas similares de diferentes puntos de España, o que nos permite contar coa participación de grupos invitados que contribúen a vistosidade dos cortexos e, en definitiva, aumenta-lo interese da festa en xeral, amais de divulgar o patrimonio cultural e turístico da nosa Terra. Este ano, contaremos entre outros convidados, con colectivos de Cartaxena, Fortuna, Lugo, Cantabria, Narón, Cangas…. E outros de Ponte de Lima, Montalegre e Braga en Portugal; e aínda, con membros do Grupo Stórico Romano, da Cidade de Roma en Italia.
Por último a Festa do Esquecemento vai a ofrecer este ano outros moitos atractivos, como a posibilidade de escoitar Música en directo o Venres pola noite coa actuación do Grupo Folk Alann Bique, que ademais farán unha queimada durante a súa actuación que repartiran gratuitamente entre os asistentes o concerto.
Ou mesmo, asistir ó Espectáculo de Gladiadores do “Circo Romano” o sábado pola tarde, con venda de escravos, espectáculo de lume e danzas romanas.
Tódolos elementos presentes na Festa do Esquecemento, están deseñados dende unha perspectiva de responsabilidade, que nos obriga a conciliar o civismo coa festa, e o respeto cara o patrimonio histórico e natural da nosa vila, coa vontade de potenciar o seu atractivo turístico.

sábado, 18 de Julho de 2009

NA OUTRA PONTE

Sabe mais em http://folkceltabarca.wordpress.com/2009/06/25/festival-folk-celta-de-ponte-da-barca/