sábado, 10 de novembro de 2018

DEIXEM! “MERDA”!


DEIXEM! “MERDA”!


Expliquem,
aos que sucedem,
a “merda” em que crescemos

Assim,

talvez,

eles recusem viver
na “merda”
que lhes temos andado
a
E  S  C  O  N  D  E  R

sábado, 27 de outubro de 2018

Os trinta-dinheiros...


Os trinta-dinheiros ...

Os trinta-dinheiros
Já ninguém os quer.
Trair, agora,
Há mais a dizer.

                        José Sousa Vieira

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

OS LIMIANOS NA GRANDE GUERRA - Luís Dantas


OS LIMIANOS NA GRANDE GUERRA  - Luís Dantas*

   

 Foi José Carlos de Magalhães Loureiro (a 10 de Setembro de 2008, no blogue Anunciador das Feiras Novas) quem, do que conheço, melhor revelou o trabalho de Luís Dantas, Os Limianos na Grande Guerra, e o autor, com a honestidade e simplicidade que quem o percebeu lhe atribuiu como intrínseca, reconheceu e agradeceu.
   Sendo uma obra onde se equilibram o rigor histórico e o pendor literário, seria simplificar, passados dez anos da edição, afirmar que, no que concerne aos “limianos”, agora, o autor nos deixaria mais sumarenta narrativa, e, em mim, uma completa desonestidade não desconhecendo que, já em 22 de Novembro de 2007, Luís Dantas escrevia: “Não me foi possível fazer o levantamento da maior parte dos limianos que foram mobilizados para as campanhas de África (1914-1918) e França. Esses heróis estão sepultados no Arquivo Geral do Exército. Um Arquivo miserável. Só dão informações por requerimento e mesmo assim tem de se levar o nome, a naturalidade, a data do nascimento. Vão passar 100 anos sobre a guerra e a história desses homens está desprezada. Uma vergonha. Só agora é que o arquivo Histórico Militar está a colocar as fichas do C.E.P. com o nome e localidade no computador. Fiz o que foi possível.” E, mais tarde, a 30 de Dezembro do mesmo ano, Luís Dantas revelava: “Afinal sempre vou fazer o agradecimento a todos que contribuíram para o livro… foi essa gente a minha principal fonte. Foi essa gente que permitiu trazer à história o nome e o rosto de muitos soldados da nossa terra…”.
   Todos sabemos que é hoje possível aceder a informação relevante com facilidade o que permitiria ao autor uma “2.ª edição”- que anteviu mas, infelizmente, não pôde concretizar - praticamente completa quanto aos nossos que participaram no conflito, mas não ignoramos que, apesar de todas as dificuldades, também nesta vertente, Luís Dantas nos deixou um trabalho de enorme dignidade e, no essencial, revelador. Sintetizando e concordando com José Carlos de Magalhães Loureiro, a quem cito, “a partir deste trabalho, deixa de haver “antigos combatentes limianos”, colectivo anónimo puramente comemorativo.”
   E isto sem prejuízo de que, entre outros, também Adelino Sampaio, o último presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima na 1.ª República, na sua qualidade de corresponde do jornal O Primeiro de Janeiro e nesse jornal, de 6 de Maio de 1933, havia recordado a participação local na 1.ª Grande Guerra, o que também fez, nos aditamentos aos Anais Municipais de Ponte de Lima de Miguel Roque de Reis Lemos, editados em 1938, Júlio de Lemos.
   Como não podemos ignorar que o armistício foi recebido em Ponte de Lima em festa, como nos informa o jornal Cardeal Saraiva de 14 de Novembro de 1918 e, em 1921, aquando do acolhimento nacional aos “soldados desconhecidos”, também na nossa localidade existiram comemorações diversas sendo até efectuado o “lançamento da primeira pedra para o monumento que a Câmara manda erigir aos soldados do concelho mortos…”(CS 460, 1921.04.07). Ainda que a 7 de Abril de 1923, na sessão da Comissão Executiva da Câmara, o Dr. Adelino Sampaio, então seu presidente, apresentou a seguinte proposta: / … 1. Que se inscreva no primeiro orçamento suplementar a verba necessária para mandar erigir no Largo de Dr. António de Magalhães…um Monumento consagrado aos Mortos da Grande Guerra, segundo o projecto fornecido pela Junta Patriótica do Norte; / 2. Que sejam inscritos num livro de Honra os nomes de todos os oficiais e soldados deste concelho, que tomaram parte na Grande Guerra – para o que solicitarão das entidades competentes as indispensáveis informações./ 3. Que se inquira da situação económica não só dos soldados sobreviventes, como das famílias dos já falecidos, afim de lhes ser prestada, como dela precisem, a assistência devida, finalmente; 4. Que a Câmara tome a iniciativa de abrir uma subscrição pública, cujo produto constituirá os dotes dos filhos dos soldados deste concelho que morreram ao serviço da pátria. Embora aprovado o  certo é que em 1926, a 4 de Março era noticiado, em texto de António da Baldrufa, ainda no jornal Cardeal Saraiva, n.º 677: “Foi já há alguns anos, por uma tarde luminosa, que se galardoou, condecorando com a Cruz de Guerra um humilde soldado da Flandres… /…./ Foi igualmente nessa mesma tarde de sol triunfante, após o Sr. Dr. Cândido da Cruz…então Governador Civil do Distrito, ter colocado no peito do humilde herói a Cruz de Guerra, que lançaram a primeira pedra para um padrão comemorativo das campanhas de África e da Flandres, perpetuando o esforço dos soldados limianos nessa monstruosa conflagração./ … Foram simultaneamente o baptismo e o de profundis dessa bela ideia: a própria pedra foi levada não sabemos para que paradeiro…”/..e acrescenta: “Quando o Dr. Adelino Sampaio assumiu a presidência do Município em 1923, oficiou para os párocos de todas as freguesias do concelho pedindo os nomes dos combatentes mortos e várias outras informações. Pois até há muito pouco tempo ainda não haviam chegado as elucidativas respostas. Este gesto de indiferença é o mais categórico reflexo do desleixo colectivo por uma iniciativa nobre e patriótica – a perpetuação do nosso maior esforço nos últimos séculos./… /…
   Por último, importa referir que, nessa campanha, sem cuidar de situar o legítimo posicionamento de cada um, quer quando a causas, quer quanto a consequências, e sabendo que as guerras afectam os que vão e os que ficam, é justo pedir atenção para mais um nosso conterrâneo que terá contribuído para essa participação: Alfredo Cândido, um dos nomes referidos como estando ligado à propaganda do CEP.

*Texto lido a 22 de Julho de 2018, na Feira do Livro de Ponte de Lima, aquando da iniciativa promovida pela livraria ler.com.gosto.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O ELEITORADO DE PONTE DE LIMA – ASSEMBLEIA MUNICIPAL (de 2013 a 2017)



 O ELEITORADO DE PONTE DE LIMA – ASSEMBLEIA MUNICIPAL (de 2013 a 2017)
                                           
A vitória para a Assembleia Municipal de Ponte de Lima, e tal como para a Câmara Municipal, é do CDS-PP e por maioria absoluta (dos 40 membros elegeu 22).[1] Embora, em termos de voto útil[2], tenha sofrido um muito ligeiro recuo (de 51,63% em 2013 para 51,24% em 2017) mantém o número de eleitos.
Na segunda posição, com 9 eleitos (22,86% dos votos úteis), aparece o PLMT (em 2013 o PS, que agora integrou as listas deste Movimento, tinha elegido 4, com 11,27% dos votos úteis).
Na terceira posição está agora o PPD/PSD com 5 mandatos (13,45% dos votos úteis). Em 2013 tinha obtido 8 mandatos e 19,17% dos votos úteis.
Na quarta posição aparece o Movimento 51 com 3 mandatos e 8,52% dos votos úteis. Tinha obtido, em 2013, 5 mandatos e 11,27% dos votos úteis.
Na quinta posição está o PCP-PEV (CDU) com 1 mandato e 3,93% dos votos úteis. Em 2013 tinha obtido, também, 1 mandato mas com 4,53% dos votos úteis.
Diga-se que, tal como em 2013, todas as forças concorrentes obtiveram mandatos.
Os votos brancos e nulos passaram de 5,53% (1527) dos votos totais de 2013, para 4,20% (1.179) dos de 2017.
A abstenção caiu de 36,06%, em 2013, para 33,27%, em 2017.
É curioso observar que, pelos dados provisórios, votaram, para este órgão, mais 3 eleitores do que para a Câmara Municipal, sendo que isso só parece possível se eles em lugar de depositarem os votos para a Câmara Municipal na urna o tenham feito noutro lugar.
   


[1] Como é sabido, na composição desde órgão entrarão também todos os Presidentes de Junta, ou seja, o primeiro membro da lista mais votada para cada uma  das Assembleias de Freguesia que, no caso de Ponte de Lima, são 39.
[2] Os votos úteis apenas consideram aqueles que podem eleger (subtraindo os brancos e os nulos), permitindo assim uma melhor comparação do desempenho das forças políticas.

O ELEITORADO DE PONTE DE LIMA – CÂMARA MUNICIPAL (de 2013 a 2017)


O ELEITORADO DE PONTE DE LIMA – CÂMARA MUNICIPAL (de 2013 a 2017)
                        
 Conhecidos os resultados provisórios das eleições autárquicas de 2017, comparando com 2013, ressalta a vitória do CDS-PP que, embora perdendo, para a Câmara Municipal, influência eleitoral, conseguiu a manutenção do número de eleitos (5). O surgimento do Movimento Ponte de Lima Minha Terra (PLMT), com o apoio do Partido Socialista, que conseguiu eleger 2 vereadores, veio originar o significativo retrocesso do Movimento 51, com a perda do vereador eleito em 2013 e do PPD-PSD que, pela primeira vez na história do poder local, não conseguiu qualquer representação na Câmara Municipal. Para este órgão existe, também, um apreciável recuo do PCP-PEV e a constatação de que o PPM, na sua segunda tentativa em eleições para este órgão, obteve pouco mais de metade da percentagem de 1993: então 0,99%, agora 0,51%.
O CDS-PP obteve agora 14.606 votos (52,11%), contra os 14.982 votos (54,30%) de 2013.
O Ponte de Lima Minha Terra obteve 6.631 votos (23,66%). Não tendo concorrido nas anteriores eleições é oportuno relembrar que o PS, que integrou as suas listas, tinha conseguido, em 2013, 2.560 votos (9,28%).
O PPD-PSD teve 2.888 votos (10,30%), contra os 4.374 votos (15,85%) de 2013.
O Movimento 51 obteve 1.985 votos (7,08%) contra os 3.325 votos (12,05%) de 2013.
A CDU (PCP-PEV) obteve 779 votos (2,78%) contra os 1035 (3,75%) de 2013.
O PPM conseguiu 142 votos (0,51%).

O número de eleitores inscritos recuou de 43.131, em 2013, para 42.009, em 2017. Em compensação o número de votantes aumentou de 27.591, em 2013, para 28.028, em 2017. Os votos brancos e nulos caíram de 1.315 (4,76%), em 2013, para 997 (3,55%), em 2017. A abstenção recuou de 36,06%, em 2013, para 33,28%, em 2017.

Assim, enquanto em 2013 tinham votado utilmente 26.276 eleitores, em 2017 este número subiu para 27.031, pelo que a percentagem de votos teve a seguinte variação aproximada, de 2013 para 2017: CDS-PP, -2,99%; PLMT, em relação ao PS, +14,79%; PPD/PSD, -5,97%; Mov. 51, -5,31%; PCP-PEV, -1,06%. Ou seja, grosso modo, todas as restantes forças políticas, subtraídos já os votos no PPM, perderam, em diferentes proporções, eleitorado para o PLMT.