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segunda-feira, 17 de junho de 2024

GRUPO CÉNICO TARQUÍNIO VIEIRA

 


 GRUPO CÉNICO TARQUÍNIO VIEIRA


Em 1934, na sua edição de 4 de Janeiro, o jornal Rio Lima noticiava que “acaba de organizar-se nesta vila [Ponte de Lima], um grupo de amadores da arte de Talma[1], para periodicamente levarem à cena uma série de espectáculos, cujo produto reverterá em benefício da Banda dos Artistas, Bombeiros Voluntários, Asilo Camões e subscrição para o monumento a erigir ao nosso egrégio poeta António Feijó”.

   Era, também, divulgado o reportório, todo de peças em 3 actos:” «Rosa do Adro», «Soldados do Bem», «Domingo de Páscoa», original de Delfim Guimarães e «A Feiticeira da Fraga», de Salvato Feijó, ilustre poeta nosso conterrâneo.”

”A todos estes espectáculos, prestará desinteressadamente o seu concurso a nossa Banda dos Artistas”

O mesmo jornal, a 15 de Fevereiro desse ano, informava que tinha assistido a um dos últimos ensaios “da emocionante peça dramática a «Rosa do Adro», extraída por Henrique de Macedo Júnior, do romance do mesmo título do festejado romancista, Manuel Maria Rodrigues”, e tinha tido “a satisfação de notar a perfeita distribuição do libreto e a forma como já alguns dos amadores declamam os seus papéis”. Acrescentando que “na parte feminina trabalha Albertina Saraiva, vocação já bem conhecida da nossa plateia e a debutante Rosa Pereira, que na peça vai desempenhar a parte da protagonista…”.

  Depois, tendo o jornal Rio Lima publicado um outro número a 28 de Fevereiro, em que nada refere do Grupo, e só regressando à edição a 1 de Setembro, justificando-se com a mudança de instalações (do Largo Dr. António de Magalhães, para a Rua Formosa (Pereiras)), e no outro jornal que então se publicava no concelho, Cardeal Saraiva, muito mais regular, a única referência ao Grupo que encontramos foi a publicação, a 28 de Maio, da carta de Tarquínio Vieira, datada de 23 desse mês, e que referimos em texto já divulgado, ignoramos o que sucedeu até essa data ao grupo e também os acontecimentos posteriores.



[1] Aquando desta divulgação, Tarquínio Vieira estava a actuar no Teatro Nacional, na peça Aquela Noite.

Crédito da Imagem: Postal Ilustrado, jornais Diário de Lisboa (inserido um anúncio publicado no n.º 3978 de 9 de Dezembro de 1933 (a referência ao dia 8 é gralha, devido à estreia ter estado anunciada para esse dia)), e Rio Lima (recorte de notícia no n.º 52, de 04.01.1934).

 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Baptista-Bastos

«O Cavalo a Tinta-da-China»



   «Está a andar com todos os sentidos despertos para a noite. Na rotunda do Marquês hesita. Acende um cigarro, desce a Avenida da Liberdade. A meio, um pouco antes do Parque Mayer, senta-se num banco de madeira, mesmo ao lado de um candeeiro alto, tira o Diário de Lisboa do bolso do casaco, o gesto não obedece a nenhuma associação de ideias. Folheia, distraído, o jornal. Na página Teatros e Cinemas lê uma nota assinada N.L. sobre a estreia, no Apolo, da peça de Jardiel Poncela, Branco por Fora e Rosa por Dentro. Segundo N.L., a peça «é, assim, uma “humorada” teatral sem consistência e com evidente influência dos processos cinematográficos, o que não nos parece de aconselhar em teatro. O autor, que não pretende certamente transpor os umbrais da posteridade com este e outros trabalhos do mesmo género, conseguiu, no entanto, fazer o que queria: fazer rir.»[1]
    «N.L. comenta o trabalho dos actores: Ribeirinho, «jovial e dinâmico»; Madalena Sotto, «que só tinha a lucrar se não fizesse ausências tão prolongadas do palco»; Hortense Luz, «que continua a provar que é uma actriz segura»; Armando Machado, «sóbrio e correcto»; Joaquim Prata, «que desenhou com o seu bom humor habitual a caricatura dum médico inverosímil»; e Alberto Reis, «que fez bem o pouco que teve que fazer». A terminar: «Completam o elenco feminino, em silhuetas graciosas, Fernanda de Sousa, Branca Saldanha e Regina Escobar. Tarquínio Vieira e Morgado Maurício têm a seu cargo dois papelinhos secundários, que desempenharam correctamente.» [2]

Retrato de Baptista-Bastos da autoria de Luís Dantas, Lisboa, 1993.





[1] - Em Portugal a peça foi estreada a 5 de Janeiro de 1944 e permaneceu, em cena, até 31 do mesmo mês. A adaptação, na nossa língua, teve a responsabilidade de Alberto Barbosa e José Galhardo. Não terá acertado N.L. (Norberto Lopes), quanto ao perecimento da obra de Enrique Jardiel Poncela (Madrid 1901-1952). Personalidade controversa é, no entanto, um nome que sobreviveu, pelo valor inovador da sua obra, ao próprio infortúnio que os últimos anos de existência física lhe reservaram.
[2] - Fragmento do romance de Baptista-Bastos, Cavalo a Tinta-da-China, 1995.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Em homenagem ao meu último Tio Paterno

Tendo falecido no Brasil o meu último Tio Paterno, Acácio da Silva Sousa Vieira, em sua homenagem e porque recordo a satisfação que demonstrava ao falar do seu tio Tarquínio Vieira, actor, aqui lho deixo na companhia de Vasco Santana e Mirita Casimiro. A caricatura é da autoria de Américo Amarelhe.


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Em palco

     Na sua carreira de actor, em cerca de 30 anos, Tarquínio Vieira participou em milhares de espectáculos. Alguns dos nomes com quem trabalhou:



terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Num Carnaval, há 80 anos


Limarense no Teatro de S. Carlos, em Lisboa:
                               [Diário de Lisboa, n.º 3695-  25.02.1933]

sábado, 17 de novembro de 2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Uma carta


Carta de Tarquínio Vieira, publicada no jornal Cardeal Saraiva, n.º 978, de 28 de Maio de 1934, já, então, o actor era profissional há 14 anos e tinha trabalhado, por exemplo, com Maria Matos, Amélia Rey Colaço, Palmira Bastos, Ester Leão, Ilda Stichini:

     Lisboa, 23-V-934

                            Meu caro Avelino:

     Soube há dias, com grande espanto, que se tinha formado em Ponte do Lima um grupo dramático chamado “Tarquínio Vieira”.
     Não fui consultado para tal baptismo; e, embora a ideia de me fazerem seu patrono traduza carinho por mim, acho que os elementos do simpático grupo da minha terra não procederam acertadamente. Não falta quem seja merecedor de tão subida honra. E, se a minha opinião pode ter algum valor, que me seja permitido lembrar um artista que se impôs no Teatro pelo fulgor do seu talento, artista que Ponte do Lima muito aplaudiu e admirou, e que a classe operária idolatrava – José Ricardo. Só nomes de prestígio podem honrar os grupos cénicos e nunca o de quem, como eu, ainda usa bibe e possivelmente não irá além das primeiras letras na arte de comediante...
     A escolha foi, pois, precipitada; mas ainda estão a tempo de bater no peito o “mea culpa” prestando homenagem a quem de direito – que melhor os inspirará na difícil arte, a que por “diletantismo” se dedicam...
     Queira ser, meu caro Avelino, o intérprete das minhas palavras no seu “Cardial Saraiva”, para destruir possíveis insinuações que, porventura, possam atingir-me.
     Abraça-o reconhecidamente o velho amigo que brevemente o visitará

                                                                                                                        Tarquínio S. Vieira.

terça-feira, 27 de março de 2012

TARQUÍNIO VIEIRA

Em caricatura de Américo Amarelhe, Tarquínio Vieira entre Vasco Santana e Mirita Casimiro
Terá sido orientado pelo Dr. Luís da Cunha Nogueira, “ilustre apaixonado da Arte de Representar” que “pacientemente ensaiava no 1.º período escolar os estudantes – e que bom ensaiador! – para as récitas do 1.º de Dezembro” (1) , talvez no ano de 1908, em Ponte de Lima, o primeiro desempenho cénico de Tarquínio Vieira. Mais tarde, entre 1914 e 1916, frequentando o Liceu Central Sá de Miranda, em Braga, “evidenciou-se, (…) em virtude do belo desempenho no papel que lhe foi confiado “, tendo-lhe “os jornais da capital da província e “O Primeiro de Janeiro” feito “a justiça devida, nas apreciações a respeito do seu trabalho”.(2)
      Em Outubro de 1916 ingressou, no Conservatório de Lisboa, na Escola da Arte de Representar, tendo como colegas, entre outros, Vasco Santana e Laura Costa. No início de 1918 abandonou o curso, quando seguia o 2.º dos 3 anos do mesmo, e teve a sua primitiva experiência em ambiente profissional: é o Luís António na peça O Conde Barão que a Companhia Aura Abranches-Chaby Pinheiro leva, em estreia, no Teatro Politeama, de Lisboa, de 30 de Janeiro a 05 de Maio de 1918. No desempenho pontificavam, para além dos titulares, Estêvão Amarante, Luz Veloso, Luísa Satanela, Ribeiro Lopes e Araújo Pereira.
      Antes, ainda na Escola da Arte de Representar, tinha participado na 1.ª Audição Pública Gratuita desse ano lectivo, a 30 de Dezembro de 1917, como Pessival, no Auto de Mofina Mendes, de Gil Vicente, ao lado de Hortense Luz (Mofina), Artur Duarte (Paio Vaz) e Vasco Camelier (André), e Afonso, no Auto Pastoril Português, também de Gil Vicente, acompanhado no desempenho por Marina Pereira, Vasco Camelier, Artur Duarte, João Nóbrega, Theófilo Corrêa, Maria Silva, Josefa Lloriente, Ofélia Brochado e Lucinda Pereira.
      Depois, e durante mais de dois anos, a vida teatral parece não ter contado com o seu nome. Sabe-se que, em Lisboa, frequentou os cursos de letras e de direito, que foi professor do ensino livre (desconhecemos se por essa época) e que aquela sua passagem pela Companhia Aura Abranches-Chaby Pinheiro não faz parte dos registos teatrais com a sua assinatura.
      Em Outubro de 1920 está na Companhia da Sociedade Teatral Limitada, Empresa António Macedo, então no Teatro da Trindade, de Lisboa, e participa na peça A Boneca Misteriosa, que o actor aponta como sua estreia profissional. Essa Companhia tinha como principais figuras Ângela Pinto e Ferreira da Silva.
      Em 1921, no Teatro do Ginásio, em Lisboa, integra o elenco da peça O Célebre Pina, levada à cena pela Companhia de Alves da Cunha. Aquando do incêndio nessa sala de espectáculos, ocorrido na madrugada de 6 de Novembro, já Tarquínio Vieira estava admitido na Companhia de Maria Matos-Mendonça de Carvalho, então a actuar no Porto, no Teatro Sá da Bandeira. E é com Maria Matos que, entre Abril e Outubro de 1922, vai em digressão ao Brasil, e poderá ter participado, antes e nesse mesmo ano, na inauguração do Teatro de Vila Nova de Cerveira.
      Em 1923, no Teatro de S. Carlos, em Lisboa, na Companhia de Palmira Bastos, entra nas peças A Chama e A Dama das Camélias. Depois é contratado pela Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, ainda em 1923, na qual permanece até meados de 1925 e onde o seu nome começa a ganhar alguma projecção.
      Convidado por Gil Ferreira, seu colega na Companhia de Amélia Rey Colaço, é um dos elementos que se instala no reconstruído Teatro do Ginásio, em Lisboa, cuja reinauguração ocorre a 27 de Novembro, com a Guerra ao Vinho. À Companhia pertence, também, Palmira Bastos.
      Com esta Companhia, Palmira Bastos-Gil Ferreira, vai trabalhar até Setembro de 1926, e é nela que realiza os seus primeiros espectáculos profissionais na sua terra natal, Ponte de Lima. No Teatro Diogo Bernardes entra nas peças O Rosário, a 8 de Julho de 1926, e, no dia seguinte, Vida e Doçura.
      Em Janeiro de 1927, no S. Carlos, de Lisboa, entra na peça Mulher…, na Companhia Palmira Bastos-Clemente Pinto. Sai, logo no início do mês seguinte, desta Companhia ingressando, de seguida, na de Nascimento Fernandes, instalada no Teatro Politeama, de Lisboa. Aqui debutou como actriz Conchita Ulia, famosa cantante espanhola, em O Turco do Kalhariz (opereta sem música), que com Tarquínio Vieira formou um dueto de amor “primorosamente realizado.”(3)
      Em Novembro de 1927, na Companhia Palmira Bastos-Alexandre de Azevedo, está no Teatro do Ginásio, em Lisboa. Com esta direcção trabalha até Janeiro de 1929, e com ela visita Ponte de Lima, onde, no Teatro Diogo Bernardes, entra no desempenho de três peças, em Novembro de 1928: a 28 é D. José, em A Severa, a 29 é Simão Botelho, do Amor de Perdição, a 30, Pedro Medeiros, de A Noite de Casino.
      Em Fevereiro de 1929 ingressa na Companhia Ester Leão-Alexandre de Azevedo, de início no Teatro Apolo, em Lisboa, depois no Nacional, na mesma cidade, regressando posteriormente ao Apolo, após estadia no Porto, no Sá da Bandeira. É nesta Companhia que faz a última visita profissional a Ponte de Lima, onde, a 7 e 8 de Junho de 1930, são apresentadas as peças O Processo de Mary Dugan e A Ameaça.
      Em Maio de 1929, no Politeama, com Maria Matos, Aura Abranches, Raul de Carvalho, e outros, vai dar um pé de “Charleston”, em ligeira diversão ao seu trabalho na Companhia de Ester Leão-Alexandre de Azevedo.
      Em finais de 1930, sedeada no Teatro do Ginásio, de Lisboa, está em nova companhia, tutelada por Palmira Bastos e onde, em 22 de Janeiro de 1931 é apresentada a peça A Dama do Sud, estreia como dramaturgo do talentoso Reinaldo Ferreira, Repórter X, homem de vida curta e trágica.
      Em Março de 1931, integra o elenco da Companhia Adelina-Aura Abranches e, nela, coopera na interpretação da peça P.S.P.. No mesmo mês, no Teatro do Ginásio, em Lisboa, inicia a participação na Companhia Artistas Socializados, como protagonista na peça A Vida de Cristo. Nesta companhia estão, entre outros, Cremilda de Oliveira, Silvestre Alegrim, Irene Gomes.
      Depois, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, é um dos elementos do comprido elenco da oratória Santo António, organizado pelo Grémio dos Artistas Teatrais e em benefício dos actores desempregados. Posteriormente, no Politeama, faz “A Missa do Galo”, de Amadeu do Vale.
      Durante algum tempo, em 1932, em Vila Nova de Ourém, ensaia grupo dramático local. Nesse ano, a partir de Outubro, e prolongando-se pelo ano seguinte, faz parte dos Profissionais de Teatro Associados que, no Teatro Maria Vitória, em Lisboa, levam à cena a opereta Fonte Santa, a farsa musicada O Grande Salvador e a revista Feijão Frade. Neste grupo estão, por exemplo, Maria Cristina, Maria Sampaio, Teresa Gomes, Álvaro de Almeida, Barroso Lopes, Joaquim Prata, e inicia-se, nas lides teatrais, a fadista Hermínia Silva.
      Passa pela Companhia de Ilda Stichini, instalada no Teatro de S. Carlos, em Lisboa, e vê-se atingido pelo acidente rodoviário que esta sofreu, a 19 de Setembro de 1933, no Alentejo e levou à interrupção da digressão que estava a ser efectuada por terras do sul.
      Chamado pela Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, no Teatro Nacional, em Lisboa, de 09 de Dezembro de 1933 a 10 de Janeiro de 1934, é um dos principais intérpretes da peça Aquela noite!.
      Entra, no Teatro do Ginásio, em Lisboa, no “Chalet das Aflições”, que não tira a novel Companhia de Comédia e Farsa Musicada, organizada por iniciativa de Gil Ferreira, dos apertos que a fariam soçobrar de imediato.
      Convidado, creio que por Alexandre de Azevedo, é um dos actores que na Emissora Nacional, ainda na sua fase experimental, declamam teatro. Existem apontamentos da sua participação em teatro radiofónico em 1934 e 1935, pelo menos.
      Em 1934 e em 1935, ao serviço da Companhia Lucília Simões-Erico Braga, no Teatro do Ginásio, em Lisboa, actua em diversas peças. É um dos actores que faz parte do elenco da peça Deus lhe pague, de Joracy Camargo, que Procópio Ferreira trouxe a Lisboa.
      Passa, ainda em 1935, por outros grupos, nos Teatros de S. Luiz e Apolo, de Lisboa.
     Em 1936, no Teatro Variedades, entra no João Ninguém, com Mirita Casimiro, e na Morena-Clara, com essa actriz, Vasco Santana e António Silva. Participa, ainda, nas filmagens de Bocage, de Leitão de Barros, e inicia a sua colaboração com a Companhia do Teatro da Trindade, de Lisboa, onde estavam Palmira Bastos, Erico Braga, Ribeirinho e um naipe de artistas de grande talento. E nesta Companhia permanece até 1938, ano em que, no Maria Vitória, entra em Os Garotos, com Dina Teresa, Maria Cristina e outros.
      Ainda em 1938 tem problemas de saúde que o levam ao internamento, com necessidade de intervenção cirúrgica, no Hospital de Arroios. Daí sai para, com Brunilde Júdice e Nascimento Fernandes, ser um dos Artistas Unidos que, no Teatro Politeama em Lisboa, representa a Rosa de Alfama.
      1939 e 1940 não foram fáceis para Tarquínio Vieira. Envolveu-se em vários projectos não concretizados, participou em digressões reunindo actores de primeiro plano, mas sem vedetas para atrair o público, e a “neutralidade” portuguesa perante o conflito mundial impediu, depois de a ter autorizado, a exibição da peça Os Aliados, de Fernando Santos e Almeida Amaral que um grupo de actrizes e actores estava a ensaiar no Teatro Variedades, de Lisboa. Eram, elas e eles, para que conste, Adelina Abranches, Maria das Neves, Maria Florinda, Zéca Fernandes, António Silva, Alberto Reis, José Amaro, Álvaro de Almeida, Ricardo Santos Carvalho, Tarquínio Vieira, António Gomes, Carlos Viana e Agostinho Lopes.
       Nos finais de 1940, prolongando-se para 1941, é contratado por António Macedo para a Companhia do Teatro Avenida, em Lisboa. São seus colegas Erico Braga, Clemente Pinto, Ribeirinho, Aura Abranches, Madalena Sotto, Laura Alves, entre outros.
      Em 1941, Josephine Baker vem dar uma série de espectáculos, em Lisboa (no Teatro da Trindade) e no Porto (no Teatro Sá da Bandeira). Tarquínio Vieira é um dos portugueses contratados para participar nessa exibição. Curiosamente, sabe-se hoje que durante essas digressões Josephine Baker aproveitava para transmitir mensagens aos Aliados.
      Parece que, apesar dos tempos difíceis da Grande Guerra, a ventura tinha mudado para Tarquínio Vieira. Ainda em 1941 intervém na fugaz comédia-farsa A Casa da Sorte, no Teatro Variedades, em Lisboa, com Lucília Simões, António Silva, Costinha, Laura Alves e diversos.
      No início de 1942 passa a ser um dos elementos da Companhia Francisco Ribeiro (Ribeirinho), de cujo rol fazem parte vários actores como Hortense Luz, Laura Alves, Luís Filipe, Barroso Lopes, Cremilda de Oliveira, etc.
      Em 1943, surge na Companhia Erico Braga-Ribeirinho, reforçada com Irene Isidro e Alberto Ghira e dela saindo alguns nomes, como o de Laura Alves.
      Nos finais de 1943 entra para a Companhia do Apolo, onde está Ribeirinho, Madalena Sotto e Hortense Luz. É praticamente esta companhia que, ainda no Apolo, em Abril de 1944, vai levar à cena a opereta popular A Rosa Cantadeira, com Amália Rodrigues e Hermínia Silva. Tarquínio Vieira sai do elenco em plena exibição da peça para integrar, da Empresa António de Macedo, a Companhia Portuguesa de Comédias, onde avultam Aura Abranches, Madalena Sotto e José Gamboa. Também nesse ano participa, no Teatro Variedades, em Lisboa, na peça Testa de Ponte, acompanhando um grupo onde estão Erico Braga, Raul de Carvalho, Alfredo Ruas, Maria Helena, Eunice Muñoz. Com Madalena Sotto e Alves da Cunha, agora no Teatro Avenida, de Lisboa, é um dos componentes para a interpretação de Liberdade Provisória. Ainda em 1944, incorpora-se na Companhia do Teatro Maria Vitória, onde sobressaem Mirita Casimiro e Vasco Santana. Termina o seu contrato com esta companhia em Março de 1945 e, de imediato, admite-o a de Maria Matos, onde estão, na altura, Eunice Muñoz e Erico Braga.
      Trabalha, em 1946, na Companhia Os Cómicos Populares, radicados no Teatro Apolo, de Lisboa. A essa companhia pertencem Maria Matos, Costinha, Eunice Muñoz. Nesse ano é estreado o filme O Cais do Sodré, de Alejandro Perla, sendo Tarquínio Vieira um dos actores. Faz entre 19 de Junho e 27 de Setembro a digressão na Companhia do Teatro do Povo, dirigida por Alberto Ghira, e tendo por colegas Emília de Oliveira, Margarida de Almeida, Beatriz de Almeida, Paiva Raposo e Henrique Santos. Em Outubro é anunciado como pertencendo à companhia que vai trabalhar no Teatro Variedades, ao lado de Vasco Santana. A doença não o vai permitir. Regressa aos palcos em Dezembro, no Teatro Avenida, com Irene Isidro e António Silva, primeiro, depois, já em 1947, com Costinha e Luísa Durão.
      Entre Junho e Setembro de 1947 segue na viagem do Teatro do Povo, com o mesmo elenco do ano anterior, naquelas que foram, possivelmente, as últimas aparições em palco de Tarquínio Vieira. Em Março de 1948 a doença afastou-o de cena. Já não conseguiu efectuar a digressão do Teatro do Povo e, um ano após, a imprensa refere que “o actor Tarquínio Vieira não ingressa no elenco deste ano do Teatro do Povo em vista do seu estado de saúde não lho permitir.” (4)
      Este actor, nascido em Ponte de Lima a 28 de Novembro de 1894, faleceu em Lisboa a 14 de Agosto de 1960. Não ficou famoso, embora o seu nome não esteja completamente olvidado. Ainda na actualidade um dos maiores actores portugueses, Ruy de Carvalho, o refere como uma das suas primitivas memórias cénicas.
 (1)- Mário Gonçalves Ferreira, jornal Cardeal Saraiva, n.º 2091, 
 (2)- Jornal Rio Lima, Ano 3, n.º 31, 21 de Março de 1926. 
 (3)- Diário de Lisboa, n.º1.863, 7 de Maio de 1927.
 (4)- Diário de Lisboa, 16 de Maio de 1949.

sábado, 3 de dezembro de 2011

EUNICE MUÑOZ

[Desenho de Amarelhe. Tarquínio Vieira é o segundo e Eunice Muñoz a sexta, do lado direito]


Quase se pode dizer que nasceu a representar esta fabulosa actriz que em 1941, integrada na Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, fez parte do elenco que, a partir do dia 28 de Novembro no Teatro Nacional D. Maria II, corporizou a peça de Virgínia Vitorino, Vendaval.
Nesse mesmo dia, Tarquínio Vieira completava 47 anos de idade e, ao que sabemos, não se encontrava a actuar. Vem a fazer parte, no ano seguinte, da Companhia de Francisco Ribeiro (Ribeirinho) que iniciou a época em Fevereiro, no Teatro Variedades, em Lisboa, e, para além de outros locais, se apresentou no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, e, no regresso a Lisboa, se instalou no Teatro Avenida.
Eunice Muñoz e Tarquínio Vieira pertenceram, em 3 anos consecutivos, a mesma Companhia Teatral. Em 1944, encontraram-se no Teatro Variedades, em Lisboa, na Empresa António Macedo, e participaram na peça Testa de Ponte. No ano seguinte, na Companhia de Maria Matos, actuaram no Teatro Avenida, em Lisboa, e no Sá da Bandeira, no Porto, em diversas peças. Em 1946, no Teatro Apolo, em Lisboa, incluíram o elenco da Companhia Os Cómicos Populares, representando as peças A Madrinha de Charley e Cuidado com a Bernarda.

domingo, 29 de junho de 2008

Ruy de Carvalho e Tarquínio Vieira

É uma mera coincidência feliz, mas revela que o nome de Tarquínio Vieira não era substimável no panorama teatral português, das três últimas décadas da primeira metade do século XX.
O semanário gratuito Sexta, no n.º 23 de 28 de Março de 2008, em destaque, e assinalando o Dia Mundial do Teatro, inclui uma entrevista com Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho, duas das principais figuras do teatro nacional. Nela, Ruy de Carvalho divulga que a primeira memória que guarda de teatro é uma peça, a que assistiu em 1933 (tinha, então, 6 anos), no Chiado Terrasse, em Lisboa, com o Tarquínio Vieira.
Não temos mais referências a essa peça, e passagem de Tarquínio Vieira pelo Chiado Terrasse, mas esta simples lembrança, decorridos 75 anos, não pode deixar de ser considerada significativa.

terça-feira, 8 de abril de 2008

NA HORA DA DESPEDIDA...


O incontornável Malafaia Neto, interpretando o Pai-Paulino, na sua habitual gazetilha, nas páginas do jornal “Cardeal Saraiva”, tinha, a 27 de Outubro, dado o lamiré:


« (...)
E p’ra grande gargalhada
O Pinto e o Zé Pimenta
Convidaram o Chabi
A breve vir até aqui
Pois p’ro ver quem quer se tenta!

Já o disse, mas repito,
Quem quiser morrer a rir
Seja troiano ou grego
E ponha as botas no prego
Ao Chabi é que tem de ir!»

E lá foram, os nossos patrícios, assistir a duas peças, naquela que era apresentada como a digressão de despedida de Jesuína de Chaby, e se acabou por transformar, também, na última passagem de Chaby Pinheiro pelo palco do Teatro Diogo Bernardes.
A Companhia trouxe, desta vez, a comédia em 3 actos, original de André Brun, “A Maluquinha de Arroios” e a comédia, em 4 actos, de Ivo Miranda, com tradução de Álvaro de Andrade, “Dois Milhões”. No elenco vinha, recentemente estreado como profissional, no Teatro Virgínia de Torres Novas, a 3 de Outubro, um jovem franzino de nome Francisco Ribeiro, que actuou na primeira peça, representada a 1 de Dezembro, do ano de 1929, a mesma em que se tinha iniciado, “A Maluquinha de Arroios”, no papel de “Chico”. Pois este jovem, apesar do seu aspecto físico, um contraste de Chaby, rapidamente se agigantou, pela sua forte personalidade e descomunal talento, e, em proporção inversa ao diminutivo porque ficaria conhecido, “Ribeirinho”, encheu, como oceano, os nossos palcos e as nossas telas, sobressaindo, ainda, em outras áreas ligadas ao teatro e ao cinema.
Curiosamente, a imprensa, em Agosto, tinha anunciado a contratação de Tarquínio Vieira, então na Companhia Ester Leão-Alexandre de Azevedo, a actuar no Teatro Nacional, para a Companhia Chaby Pinheiro. Dias depois, esta contratação era desmentida, “porquanto o galã desta companhia vai ser o actor Manuel Bessa, que regressa ao teatro...” e à companhia (cf. Diário de Lisboa, n.º2558 de 10 de Agosto de 1929). Não sabemos se o intuito desta contratação teria a ver com a presença de Chaby Pinheiro, a 19 de Julho, na estreia da peça “O Processo de Mary Dugan”, que a Companhia Ester Leão-Alexandre de Azevedo tinha posto em cena, pela primeira vez no nosso país, no Teatro Nacional, então Almeida Garrett, e que, escreve-se no Diário de Lisboa, de 12 de Agosto, fez sentir ao “grande Chaby”, “tal prazer artístico, tal emoção”, “ao ver a perfeição com que os seus colegas portugueses representavam a celebre peça – em comparação com o que ele acabava de ver em Paris e Madrid – que, apesar do seu feitio ponderado, não teve mão no seu entusiasmo, e deu bem alto a sua opinião, mostrando-se pasmado com o extraordinário espectáculo a que acabava de assistir e abraçando comovidamente Ester Leão, Alexandre de Azevedo, Abílio Alves e todos os principais intérpretes”, onde se incluía Tarquínio Vieira.
Como sabemos, a Companhia Ester Leão-Alexandre de Azevedo veio de visita a Ponte de Lima, no ano seguinte e representou, também, “O Processo de Mary Dugan”, a que já nos referimos. Quanto ao relacionamento, de Chaby Pinheiro e de Tarquínio Vieira, voltaremos .

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A DAMA BRANCA

Erico Braga, para lá de distinto actor, foi um dinâmico empresário. Numa das suas iniciativas, em Dezembro de 1934, decidiu montar, no Teatro do Ginásio, em Lisboa, um espectáculo que incluía a representação, em estreia entre nós, de uma comédia, em dois actos, dos célebres irmãos espanhóis Álvarez Quintero (na fotografia, Seráfin (1871-1938) e Joaquín (1873-1944)), adaptada por Pedro Diniz com a designação de “A Dama Branca”, e a actuação, pela primeira vez em Portugal, da afamada cantora francesa Damia, de seu nome verdadeiro Marie-Louise Damien (1889-1978), que também era actriz, tendo entrado em diversos filmes.
No desempenho da peça, encenada por Lucília Simões, participaram, para além desta notável artista, no papel de D. Clara, a grande Adelina Abranches (Rita), Margarida de Almeida (Luísa), Judite Marques (Josefa), Erico Braga (Basílio), Henrique de Albuquerque (Ricardo Castro), Tarquínio Vieira (Miguel de Aguiar) e António Góis (Escopeta).
A cargo da “incomparável Damia”, “a grande trágica da canção francesa”, como, então, a apresentou o jornal “Diário de Lisboa”, ficava a restante representação.
Senhoras e senhores, Damia!

terça-feira, 18 de março de 2008

A VIDA DE CRISTO

.
A peça sacra, “A Vida de Cristo”, de Jorge Grave, Salvador Costa, José Azambuja e Duarte Costa, com música de Venceslau Pinto e Angel Gomez, já anteriormente representada, apresentava, como novidade, o protagonista, Cristo, ser confiado ao actor Tarquínio Vieira. A Virgem Maria seria Cremilda de Oliveira e, entre outros intérpretes, também participavam Silvestre Alegrim, Leonor d’Eça, Laura Hirsch e Jorge Grave, para além de cerca de 100 figurantes.
De 29 de Março a 6 de Abril, desse ano de 1931, abrangendo toda a Semana Santa, o Teatro do Ginásio, em Lisboa, acolheu os “Artistas Socializados”, responsáveis pela reposição da oratória, em 15 quadros: O Presépio; O Baptismo de Jesus; Jesus e Samaritana; A entrada em Jerusalém; Os vendilhões do templo; A traição de Judas; A ceia do Senhor; A prisão de Cristo; Judas e o remorso; Pilatos; O Rei dos Judeus; Via dolorosa; O Calvário; A Ressurreição; Ascensão.

quinta-feira, 13 de março de 2008

O HOMEM QUE MUDOU DE COR

Foi em 1935. O actor Samwel Dinis decidiu formar a Companhia Dramática Portuguesa e, para peça de estreia, escolheu o inédito de Reinaldo Ferreira (Repórter X), “O Homem que mudou de cor”, que o autor adaptou a partir da sua antiga novela “Preto e Branco”.
A peça, em 4 actos e 6 quadros, tratava das dificuldades de integração de um negro rico, confrontado com o preconceito rácico, frustrado com a ingratidão, os abusos e as traições a que se via sujeito e que, por isso, convencido de que todos os seus problemas estavam na sua cor de pele, conseguiu que um homem de ciência lhe a mudasse, em segredo.
A partir daí, iniciou uma vingança contra todos aqueles que o estigmatizavam e dele se aproveitavam. Mas, a mulher que ele amava confessou-lhe a sua indisponibilidade, por ainda ter no coração o homem que ele deixara de ser. A ciência não tinha meios para reverter as transformações a que o tinha sujeitado. Finalmente, e porque, apesar das mudanças físicas, ele continuava, no fundo, o mesmo homem, a união dos dois acabou por concretizar-se.
Para colocar no palco do Teatro S. Luiz, em Lisboa, a peça, encenada por Carlos Santos, com a direcção artística de Samwel Dinis e cenários de Sousa Mendes, foi necessário o concurso de muitos actores que, a exemplo do protagonista Samwel Dinis, o homem que mudou de cor e personalizou Edgar de Lencastre, também, todos os outros intérpretes, deram o nome e se adaptaram às respectivas personagens. Clemente Pinto foi o Dr. Adolfo Helder; Tarquínio Vieira, Carlos Zolnaga; Francisco Ribeiro/Ribeirinho vestiu-se de Cohen, judeu arruinado; Henrique de Albuquerque foi um empresário; José Azambuja, Gastão de Castro; Carlos Santos, Henrique Almada; Seixas Pereira, Eduardo; Alberto Reis, Miguel de Melo; José Monteiro, Horácio Manselmo; Constantino de Carvalho foi o Director do Casino; João Lopes, o Comissário da Polícia; Rebelo de Almeida, Fausto; José Alves o “Croupier”; Manuel Guerra o criado; Aura Abranches, Maria de Lourdes; Adelina Campos, Marta (a do amor do homem que mudou de cor); Amélia Pereira, Mariana; Constança Navarro, Leonor; Aurora Dubini, Eva e Lina Tavares, a cliente.
Apesar da fama do autor, e do grupo apreciável de actores, a peça só permaneceu em cena de 12 a 15 de Julho. Também Reinaldo Ferreira (Repórter X) pouco mais viveria: a 4 de Outubro vem a falecer aquele que Ferreira de Castro considerou, “no seu género, um dos maiores e mais originais jornalistas da Europa”*

*- “O diabo”, n.68, 13 de Outubro de 1935.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

REPÓRTER X

Deixou nome, deixou obra, apesar de ter vivido demasiado depressa. Nasceu em Lisboa, a 10 de Agosto de 1897, e lá haveria de falecer, aos 38 anos, a 4 de Outubro de 1935. Não obstante a sua curta existência, a que a dependência da droga ditou o epílogo e prejudicou o trabalho criativo, foi um jornalista de imaginação fértil e processos inovadores e um profícuo escritor, sobejando-lhe ainda fôlego para viagens reais e fictícias, edição de jornais, produção e realização cinematográfica, rocambolescas escaramuças políticas de contorno internacional, etc.
Por razões profissionais, o nome de Tarquínio Vieira aparece associado ao de Reinaldo Ferreira (repórter X). Em 1928, em Dezembro, era anunciado que a Companhia Teatral Palmira Bastos- Alexandre de Azevedo, à qual o nosso conterrâneo pertencia, iria para o teatro de S. João, no Porto, e lá estrearia a peça de Reinaldo Ferreira, “a Dama do Sud”, que o autor tinha escrito adaptada da sua novela, de 1923, “O Homem da Cabeleira Branca”. Foi rebate falso, a peça só haveria de subir ao palco em 1931, no Teatro Ginásio, em Lisboa, a 22 de Janeiro.
Na Companhia do Ginásio, com direcção de Palmira Bastos, lá estavam, nessa altura, Alexandre de Azevedo e Tarquínio Vieira, que, com Constança Navarro, Leonor de Eça, Arlete Santos, Lino Ribeiro, Rafael Alves, Joaquim Miranda, Vítor Cruz, Jaime Zenoglio, José Miranda e João Perry, participaram no desempenho das diversas personagens de “A Dama do Sud”.
Mais tarde, no ano do falecimento do autor, Tarquínio Vieira haveria de actuar numa outra peça de Reinaldo Ferreira. Mas isso fica para ... mais tarde.
[Na foto de cima, Reinaldo Ferreira, entre Palmira Bastos e Alexandre de Azevedo. Também nela figura Tarquínio Vieira, o de sobretudo mais claro.]




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

DEUS LHE PAGUE...

Não terá sido por milagre, embora pareça, que a Censura autorizou, em 1935, a exibição em Portugal da comédia brasileira, em 3 actos e 9 quadros, Deus Lhe Pague, escrita em 1932 por Joracy Camargo (1898-1973) e que, rapidamente, após ter sido estreada pela Companhia de Procópio Ferreira (1898-1979) no Teatro Boa Vista, em São Paulo, a 30 de Dezembro do mesmo ano, se transformou num dos maiores êxitos da dramaturgia do Brasil.
Procópio Ferreira, nome artístico de João Álvaro de Jesus Quental Ferreira, filho de pais portugueses da Ilha da Madeira, trouxe esta, e outras peças, ao Teatro do Ginásio, em Lisboa, onde era empresário Erico Braga.
Com Procópio Ferreira não vieram os seus actores. Ficou ao encargo da Empresa do Teatro do Ginásio a constituição do elenco que haveria de acompanhar aquele famoso artista.
“Deus Lhe Pague” é teatro social, do qual o seu autor é considerado o introdutor no Brasil, e não disfarça características vincadamente ideológicas, de cariz marxista. Em Lisboa foi representada de 8 de Março a 29 de Maio, com encenação de Lucília Simões, e, para além de Procópio Ferreira, participaram no seu desempenho Alexandre de Azevedo, Ester Leão, depois Maria Sampaio, Hermínia Tavares, Tarquínio Vieira, José Gamboa, posteriormente substituído por Luiz de Campos, e Rosina Rego. Ao nosso conterrâneo foi atribuída a personagem do Patrão, em que, segundo Eduardo Scarlatti, “depôs honestidade”, que era, ao que parece, o que faltava à mesma. No Diário de Lisboa, N.L. (Norberto Lopes) escreve que “Tarquínio Vieira desenhou um bom tipo de industrial antipático e pouco escrupuloso.”
Dizem-nos que esta peça, no nosso país, só voltou aos palcos em Julho de 1949, com outro elenco, no Teatro Variedades de Lisboa, mas “enquanto há quatorze anos “Deus lhe pague” era apresentado com todo o vigor mental e verbal que lhe comunicara o seu autor – vêmo-lo agora barbeado, escanhoado de algumas das suas mais irónicas e expressivas imagens”, segundo o crítico M.A. refere, a 2 de Julho, no Diário de Lisboa. Claro que é fácil perceber quem terá sido o "Barbeiro".
Antes, uma produção cinematográfica argentina baseada nesta peça, estreada em 1948, tinha sido exibida em Portugal, onde chegou a 13 de Abril de 1949, ao Odeon e ao Palácio.
Pela tela do Teatro Diogo Bernardes, de Ponte de Lima, passou esta película em 3 e 4 de Março de 1951.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

NO TEATRO DE S. CARLOS, "A CHAMA"

A 31 de Março de 1923, o grande sucesso teatral da temporada do ano anterior, em Paris, “La Flamme”, de Charles Méré (1883-1970), era apresentada em Portugal, no Teatro de S. Carlos, para estreia de uma nova formação, do empresário José Loureiro: a Companhia Palmira Bastos.
Da tradução da peça, em 4 actos, se encarregou José Sarmento, a encenação e direcção artística estiveram entregues a Carlos Santos, que também participou na interpretação ao lado de Palmira Bastos, Henrique de Albuquerque, Samwel Diniz, Emília d’Oliveira, Amélia Bastos, Carlota Sande, Maria Augusta, Lucinda Lopes, Maria Helena, Elisa Matos, Bemvinda de Abreu, Esmeralda Matos, Alves da Costa, Octávio Bramão, Joaquim Miranda, Humberto Miranda, Tarquínio Vieira e José Figueiredo.
A acreditar nas críticas que conseguimos compulsar, parece que nenhum dos actores se “queimou” nas respectivas personagens de "A Chama", e o agrado do público, muitas vezes distante da opinião especializada, fez claque com os homens da imprensa.
Era, ao que cremos, a primeira actuação do ponte-limense Tarquínio Vieira naquele famoso palco. Por lá foi ficando até Maio, tendo ainda ensejo de participar na peça de Dumas (filho), “A Dama das Camélias”, e lá haveria de voltar outras ocasiões.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

CAIS DO SODRÉ (1946)

"(...). O argumento de João Moreira, como já dissemos, é cheio de fervor sentimental, procurando a todo o custo a naturalidade e humanidade. Barreto Poeira fez um tipo curioso, bem português, embora um pouco duro. Virgílio Teixeira é um galã que tem vida – que não foi para o cinema, apenas, para se deixar fotografar.
Mas quanto a nós, os mais típicos, os mais efusivos, os mais populares, são Óscar Acúrsio e Eugénio Salvador. Óscar Acúrsio é um grande artista. Tem graça natural, e uma fisionomia expressiva que o ajuda, admiravelmente. Está ali um actor que deve ser aproveitado, que deve ser lançado. Ontem viu-se: teve o público na mão. Dá-nos um pouco a ideia daqueles “pícaros” cerventinos das pousadas espanholas. Não seria possível fazer melhor o papel. Eugénio Salvador é outro “caso” flagrante humano, apanhado na rua. A realidade mesmo. Citemos ainda: Carlos Otero, Tarquínio Vieira, Vital dos Santos, Mário Santos, Fernando Silva, Carlos de Sousa, Silva Araújo, João Guerra, José Morais, João Camoesas, que se individualizam. (...)" [1]
Claro que estamos a escrever sobre o filme ontem, 30 de Maio de 1946, estreado, em Lisboa, nos cinemas Trindade e Capitólio. Com realização do espanhol Alexandro Perla e produção dos “Artistas Unidos”, contou com a participação dos seguintes artistas (personagens): Ana Maria Campoy (Manuela Maria), Barreto Poeira (Ti’ Manel Estivador), Virgílio Teixeira (Tóino Ventura), Carlos Otero (Zé Fateixa), Costinha (Ti’ Canada), Julieta Castelo (Rosa), Eugénio Salvador (Chico Banata), Alda d’Aguiar (Ti’ Ana), Óscar Acúrsio (Pexilim), Vital dos Santos (Joaquim dos Santos), Fernando Silva (Um Freguês), Mário Santos (Capitão do bacalhoeiro), Carlos de Sousa (Um médico), Silva Araújo (Outro médico), Tarquínio Vieira (Chefe de Polícia), Emílio Correia (Marcos), João Guerra (Polícia), João Camoesas (Agente de Polícia) e José Morais.
[1] Visor 42, Diário de Lisboa, n.º 8444, 31 de Maio de 1946.

sábado, 27 de outubro de 2007

CAIS DO SODRÉ, 1946


Em jeito de felicitação a Virgílio Teixeira, que acaba de completar 90 anos, e apesar da má qualidade, aqui fica um fotograma de Cais do Sodré, filme realizado por Alexandre Perla, em 1946.
Oportunamente deixaremos um apontamento mais detalhado do filme, em que participou o ponte-limense Tarquínio Vieira.
Na imagem, Julieta Castelo, Virgílio Teixeira e Tarquínio Vieira.