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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Passa a aflição, passa a preocupação.


Dizem-nos que, já neste século, em 2003, 2005 e 2012 tivemos situações comparáveis à que estamos a viver este ano com o horrível flagelo dos incêndios. Não sei se isso, sendo assim, está na memória de muitos. Desconheço se nessas alturas o ardor verbal atingiu a brutalidade hoje evidente e se, também, os especialistas de ocasião (mesmo que confessando ter ido ler apressadamente uns relatórios), nas cátedras mediáticas disponíveis, apresentavam, perentórios, como agora, as causas e/ou soluções. Não recordo se as autoridades competentes prometeram implementar medidas capazes de minorar estes deploráveis acontecimentos.

Se assim já era, estamos muito mal. Se a situação se vai repetindo, e é solucionável, parece que estamos condenados. Será que o passar da aflição faz esquecer a preocupação?

terça-feira, 10 de junho de 2014

A HISTÓRIA NÃO NASCEU ONTEM

A HISTÓRIA NÃO NASCEU ONTEM

     A história não nasceu ontem. Este país não está imune ao girar do Mundo.
     Parem de nos culpar! É a organização financeira, a que estamos agrilhoados, a responsável pelo mal-estar: aqui e em quase todo o lado. O resto são pormenores trágico-culturais que as queixas a Luís de Camões não resolvem.


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Algumas reflexões sucintas, após eleições e para elas:

Algumas reflexões sucintas, após eleições e para elas:

11.    Alguém acredita no número de inscritos em Portugal?
22.    Só a humanitária boca a boca de Marinho Pinto salvou o governo do colapso.
33.    Para bem da democracia, defendo que as eleições devem ser como os referendos e só produzirem efeitos se a maioria dos eleitores se pronunciar. E que os votos brancos contem como válidos e se reflitam no número de eleitos: mantendo o método de Hondt (por parecer o mais justo) esses votos seriam incluídos no apuramento e, em caso de "eleição", o(s) respectivo(s) lugar(es) ficaria(m) por preencher.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A Crítica


A CRÍTICA



A crítica, na sua forma pejorativa, ao contrário do que alguns podem supor, é actividade que o homem adoptou desde tempos recuados.
     Séneca, o filósofo romano contemporâneo de Jesus Cristo, escrevia que “os homens podem-se dividir em dois grupos: os que seguem em frente e fazem alguma coisa e os que vão atrás a criticar”.
     Muitos séculos depois, A. Lincoln, talvez cansado com aqueles que nada fazendo nada querem que seja feito, afirmava que “tem o direito de criticar o que tem a coragem de ajudar”.
     A crítica é, na essência, uma actividade salutar: analisa e confronta ideias, mostra perspectivas diversas, potencia a criatividade. Infelizmente, transformada em critiquice, ela é pervertida vezes demais para poder manter impoluta a credibilidade que merece e a importância para o desenvolvimento humano que contém.
     Mal utilizada ou mal interpretada, há quem confunda, de um lado e de outro, crítica com insulto.

                                              José Sousa Vieira
(1ª publicação: límia – Revista Regional, n.º 20, Agosto de 1996)


Ilustração: Capa de Alfredo Cândido, revista Brasil-Portugal, demonstrativa de uma crítica criativa e inteligente, não incluída na primeira publicação.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Independentes


No concernente a eleições locais, há, pelo menos, 3 tipos de candidaturas ditas independentes:
     1. Verdadeiras – pelo seu eclectismo, os candidatos e os projectos ultrapassam a dinâmica partidária.
      2.  Dissidentes – os promotores e, geralmente, principais candidatos entraram em ruptura com força política ou por ela não foram convidados.
      3.  Falsas – directa ou indirectamente, na sua génese estão os partidos que, por estratégia ou indisponibilidade dos almejados candidatos, não se apresentam com os seus símbolos.

domingo, 7 de abril de 2013

FALAM EM DEMAGOGIA


     Ouço falar do Tribunal Constitucional como responsável das acrescidas dificuldades que o Governo agora apregoa. Creio que o referido Tribunal se pronunciou porque ao Sr. Presidente da República, e a diversas forças políticas, várias normas do Orçamento de Estado, para 2013, levantaram dúvidas de constitucionalidade. Acontece até que das quatro normas consideradas inconstitucionais (uma delas parcialmente), duas, e as com peso significativo no apreciado Orçamento, foram, também, enviadas para o Tribunal pelo Sr. Presidente da República. 
        Convenientemente, parece que isso se procura ignorar. Depois falam em demagogia.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

“Homem prevenido vale por… democrata”


     Entrou rapidamente na farmácia, olhou com perspicácia para todos os cantos – mesmo para o canto do olho do farmacêutico – e, depois de se certificar que estava sozinho, pediu uma caixa de 200 drageias de pluralismo, 100 injecções de democracia e 1.000 comprimidos anti-totalitários. A receita, naturalmente, estava assinada pelo único clínico com autorização para tão importantes medicamentos, o Dr. Civilização Ocidental, e o carimbo de autentificação era genuíno: três letras dominadoras e azuis – USA.
     Usou todos os seus sentidos para preparar a saída, teve mesmo uma ligeira indisposição quando viu uma ameaçadora mancha vermelha a avançar – o farmacêutico, desastrado, tinha virado um fraco de mercúrio-cromo – mas, recomposto, saiu a assobiar porque para a retirada ele tinha um princípio irrevogável: fazer-se dar o mais possível nas vistas que é – segundo ele – a melhor forma de passar despercebido, embora saiba que o omnipresente partido político português – e por ser isso mesmo – o está a controlar. Não importava, o importante – dizia satisfeito – é que estava prevenido para um larguíssimo período. Podiam os inimigos lembrar o seu duvidoso passado, a terapêutica é infalível, embora, o que a torna irritante, a tenha de usar permanentemente. É que ele sabe que “se águas passadas não movem moinhos”, já moveram e ainda anda por aí muita “farinha”.

(Cardeal Saraiva, n.º 2954, 29 de Janeiro de 1982)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Só os tempos mudam?


     Há pessoas que tratam de forma obsessiva e empolada a desarrumação que vai na casa dos outros, talvez fiados de que enquanto nos atiram com os desajustamentos alheios nos esqueçamos de olhar para a forma desregrada e pouco justa que governa a nossa própria casa.
     E, como ouvi algures, uma omissão não é uma mentira, mas tão só uma ausência da verdade, essas pessoas sentem-se plenamente satisfeitas consigo  e fazem bandeira do apoio que dão à luta dos outros por uma vida melhor para abonarem o seu imenso humanismo.
     Quando raramente, por impossibilidade de ignorar, abordam as reivindicações, as queixas, daqueles que vivem e sentem ao seu lado, fazem-no com indiferença, esquivez, ou constroem contextos, conjunturas, crises, estratégias que permitam justificar e/ou apoiar a manutenção de tais situações, por mais aviltantes que elas se apresentem. Desta vez, porque não podem, não omitem: sofisticam o jogo e criam novas verdades. Mas continuam orgulhosos com o seu humanismo e voltam sempre à casa dos outros.

                 [Publicado, no Cardeal Saraiva n.º 2916, de 17 de Abril de 1981. A imagem não estava incluída]

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ontem como hoje



“- Os preços que afinal não sobem…descem.

     15 dias antes do anúncio oficial dos aumentos de preços os responsáveis põem a circular, pelos mais variados canais, que, por exemplo, o arroz vai aumentar 10 escudos ou que a gasolina sobe 5. E o consumidor lá se vai mentalizando para os novos aumentos fazendo prodigiosas operações para conseguir que os seus rendimentos não o forcem a comer as solas dos velhos sapatos, como Charlot, ou vestir-se com a parra da mãe Eva, e, “mais vale prevenir do que remediar”, lá põe à mão os sapatos velhos disponíveis e as parras necessárias – é que 1+1=1 é apenas, no dizer de Almada Negreiros, a fórmula do amor.
   Mas, enorme alívio, o ministro vem à televisão com os novos preços: o arroz sobe 5 escudos e a gasolina 3. Afinal, pensa satisfeito o consumidor, dentro da mais irrefutável lógica, se atentarmos ao facto de, durante 15 dias, os preços propagandeados serem mais elevados, o arroz e a gasolina descem. E, eufórico e estonteado, guarda os velhos sapatos e devolve as parras ao seu habitat próprio… até se dar conta de que o que desceu, efectivamente, foi o volume da sua carteira.”

    Nota: Publicado no início dos anos 80, do século passado, no jornal Cardeal Saraiva, de Ponte de Lima. Qualquer semelhança com a realidade actual (falo das falas oficiais em diversas medidas anunciadas) é pura coincidência.

sábado, 6 de outubro de 2012

A quem serve?



     Dizem que o reequilíbrio financeiro dos países europeus em dificuldade seria conseguido com menores sacrifícios se esse anacronismo de o BCE (Banco Central Europeu) não poder emprestar directamente aos estados membros não existisse.
   Dizem que os Estados pagam muito mais às Instituições Financeiras pelo financiamento que, muitas vezes, essas obtêm junto àquele. Grosso modo, que os Estados constituíram um Banco onde não se podem financiar, mas que financia os bancos privados que, posteriormente, emprestam aos Estados, “donos” do Banco que empresta aos privados, obtendo apreciáveis lucros.
      Se isto é verdade, a União Europeia serve os Estados ou os Cartéis Financeiros?

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Porque será?


Por que razão passamos a vida a dar corda a uns “bonecos”, muito caros, marca “comentador”?

domingo, 9 de setembro de 2012

Cidadania



Infelizmente, a cidadania vive-se pela rama. Não exigimos a responsabilização de quem prejudica deliberadamente. Temos a dualidade de desculpar aos das nossas simpatias o que verberamos àqueles que não nos agradam. Aceitamos tratamento desigual, e mesmo a sua legalização, em muitas matérias. Demasiadas vezes, deixamos que os que elegemos, para nos representar a diferentes níveis, usem e abusem do que apenas devem administrar, com probidade, e no interesse colectivo. Pensamos que votar, ou não votar, é a nossa única obrigação. Se assim continuarmos, tiram-nos tudo.

Imagem: Internet

sábado, 8 de setembro de 2012

Todos iguais?


É prática antiga, mas vai-se generalizando a acusação de que os políticos são afins. É verdade que, como em muitas outras actividades, existem demasiados burlões. Neste caso, aqueles que para atingirem os seus fins nos acenam com promessas que, de antemão, sabem que não irão cumprir e os que aproveitam os cargos para seu benefício e das suas clientelas, de que precisam como o nosso corpo necessita de sangue. Mas, no fundo, parece-me que dá muito jeito, a poucos, que muitos consideremos os políticos todos iguais. Assim, manifestamos um sentimento incongruente: a docilidade revoltada. Que favor lhes fazemos!